
Paranatinga entrou em uma preocupante lista de municípios que concentram os maiores números de focos de queimadas nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. Entre os dias 1° e 19 de agosto, o município mato-grossense contabilizou 180 focos, ocupando a oitava posição no ranking do período.
Os dados integram o monitoramento do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e revelam o avanço das ocorrências de fogo em diferentes áreas da Amazônia e do Cerrado. No levantamento, Apuí (AM) aparece na primeira colocação, com 320 focos, seguido por Altamira (PA), com 261. Na sequência estão Nova Nazaré (MT), com 257, e Colniza (MT), também com 257 registros.
O ranking prossegue com Itaituba (PA), que contabilizou 238 focos, Lagoa da Confusão (TO), com 232, e Campinápolis (MT), com 210. Paranatinga aparece logo depois, com 180 ocorrências. Na sequência estão São Félix do Xingu (PA), com 142 focos, e Novo Progresso (PA), com 140.
Mato Grosso entre os estados com maior número de focos
O cenário também chama a atenção quando os dados são analisados por estado. Mato Grosso aparece na segunda colocação, atrás somente do Pará, no número de focos registrados no período mais recente monitorado. Nas últimas 48 horas, Mato Grosso contabilizou 387 focos, enquanto o Pará chegou a 428. Os números evidenciam a forte concentração das ocorrências na região amazônica e em áreas de transição entre os biomas.
Por bioma, a Amazônia lidera o número de focos nas últimas 48 horas, com 935 registros, enquanto o Cerrado contabilizou 434. O volume de ocorrências reforça o alerta para o avanço das queimadas durante o período de estiagem, marcado por altas temperaturas, baixa umidade e condições favoráveis à propagação do fogo.
Fumaça aumenta preocupação nos municípios
Além dos danos ambientais, a intensificação das queimadas provoca impactos diretos sobre a população, principalmente em razão da fumaça e da piora da qualidade do ar. A situação já levou municípios mato-grossenses a adotarem medidas emergenciais. Jangada, por exemplo, declarou situação de emergência diante dos impactos provocados pelas queimadas e pela fumaça.
Em Paranatinga, a presença de 180 focos em apenas 19 dias coloca o município entre os locais que exigem atenção especial das autoridades e dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo combate aos incêndios. O cenário demonstra que o período de estiagem exige monitoramento permanente, ações preventivas e resposta rápida aos focos, especialmente nas áreas próximas a propriedades rurais, rodovias e regiões de vegetação seca. Os números do Programa Queimadas servem como importante instrumento para acompanhar a evolução das ocorrências e dimensionar a pressão que o período de seca exerce sobre os municípios de Mato Grosso e dos estados da Amazônia Legal.