
Cinco empresas do Grupo Maroq, que planta soja em Paranatinga, devem R$ 68,93 milhões a 74 credores, segundo a relação elaborada pela administração judicial. A lista foi publicada nesta quarta-feira (4) no Diário Oficial do Estado, junto com o aviso de que a Justiça recebeu o plano de recuperação judicial do grupo. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal respondem juntos por R$ 32,2 milhões, quase metade do total. O processo corre na Vara Regionalizada de Recuperação Judicial e Falência de Rondonópolis. A administração judicial está com o escritório do advogado Samir Hammoud.
Estão no processo a Maroq Agro Ltda., a Maroq Agro Paranatinga Ltda., a Maroq Participações e Investimentos Ltda. e duas unidades da Maroq Produção Agrícola Ltda. O plano de recuperação foi apresentado em 7 de dezembro de 2025 e recebido por decisão de 24 de março de 2026. A relação de credores da administração judicial foi juntada aos autos em 20 de janeiro.
A partir da publicação do edital, credores e interessados têm 30 dias para apresentar objeção ao plano. Se houver objeção, o plano terá de ser votado em assembleia geral de credores. Quem discordar da lista tem 10 dias para pedir correção de valores ou inclusão de créditos.
O peso maior da dívida está nos credores sem garantia, chamados quirografários. São 35 créditos que somam R$ 62,6 milhões, cerca de 91% do total. O Banco do Brasil lidera, com R$ 19,2 milhões, seguido pela Caixa, com R$ 13 milhões. Um credor pessoa física aparece com R$ 9,3 milhões, e a fabricante de defensivos Albaugh Agro Brasil, com R$ 5 milhões. Também estão na lista a Helix Sementes e Biotecnologia, com R$ 2,5 milhões, a seguradora de crédito Coface, com R$ 2,39 milhões, a Plantivo Fertilizantes, com R$ 1,87 milhão, e a Valagro, com R$ 1,24 milhão.
A classe trabalhista soma R$ 3,65 milhões e não tem nenhum empregado identificado como tal. Dos 23 créditos, 21 são de sociedades de advogados ou associações de advogados, entre elas a Associação Nacional dos Advogados da Caixa Econômica Federal (Advocef), com R$ 967,4 mil, e o escritório Olimpo de Azevedo Advogados, que aparece nove vezes e soma R$ 631,8 mil. Os outros dois são de pessoas físicas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) equipara honorários advocatícios a créditos trabalhistas na recuperação judicial, o que dá a eles prioridade no pagamento.
Há ainda um credor com garantia real, o Agrocred Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, com R$ 295,3 mil garantidos por penhor. Os 15 credores enquadrados como micro e pequenas empresas somam R$ 2,36 milhões. A maior parte desse valor é de uma única fornecedora de produtos químicos, com R$ 2,04 milhões.
O edital não informa o conteúdo do plano, como prazos de pagamento, descontos propostos aos credores ou venda de ativos. O documento está disponível com a administração judicial.