
O município de Paranatinga (368km de Cuiabá) deu um importante passo no fortalecimento das ações de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Na quinta-feira (30), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) promoveu a capacitação de 36 novos facilitadores que irão atuar no Programa de Reflexão e Sensibilização para Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
O curso é promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), sob coordenação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. Participaram profissionais da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar para prepará-los para atuação na iniciativa que será implantada no município.
O programa contribui para a prevenção da reincidência e estimula mudanças de comportamento de homens autores de violência por meio da responsabilização e da reflexão. Na formação, os participantes receberam orientações sobre fundamentos teóricos e metodológicos, além de técnicas de facilitação e condução de grupos.
Também foram apresentadas estratégias para abordar temas como masculinidade, relações de poder, igualdade de gênero e comportamentos violentos. O juiz substituto da 1ª Vara de Paranatinga, Tiago Gonçalves dos Santos destacou que a capacitação representa o início de um trabalho voltado à transformação de comportamentos.
“É uma ação que objetiva plantar uma semente no coração desses facilitadores. O evento contou com uma participação muito grande da sociedade civil, não apenas de servidores do Tribunal de Justiça. Isso demonstra que Paranatinga está abraçando essa causa para enfrentar a violência doméstica e familiar contra a mulher”, avaliou o magistrado.
A assessora técnica multidisciplinar da Cemulher-MT, Adriany Carvalho relatou que o curso aliou teoria e prática. Segundo ela, durante a capacitação os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a estrutura e o funcionamento do programa, compreendendo seu papel como uma importante política pública de prevenção à reincidência da violência doméstica.
“A metodologia combina exposições dialogadas, estudos de caso, dinâmicas vivenciais e atividades práticas, nas quais os alunos simulam encontros reflexivos, exercitando o papel de facilitadores diante de situações reais vivenciadas nos grupos. Também destacamos a importância da atuação em rede, para fortalecer ações integradas”, descreveu Adriany.
A promotora de Justiça Fernanda Luíza M. Siscar, que contribuiu para a formação dos 36 facilitadores, explicou que o programa é voltado para homens encaminhados por determinação judicial e tem como objetivo incentivar a revisão de atitudes, crenças e comportamentos que alimentam a violência doméstica. Para ela, a iniciativa contribui para o rompimento desse ciclo.
“Hoje foi plantada uma sementinha em nossa comarca, com a formação desses novos facilitadores. Que possamos, nas próximas semanas, viabilizar a implementação desse programa, possibilitando que esses homens participem dos encontros semanais, revejam suas atitudes e se tornem pessoas melhores na sociedade”, pontua a promotora.
Bruno Vicente
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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