Paranatinga, 08 de Maio de 2021

Saúde

Rei do amendoim luta para sobreviver na pandemia e vencer doença

Publicado 11/04/2021 20:04:04


Nos últimos tempos, o profissional autônomo Edson de Miranda, de 44 anos, mais conhecido como o “Rei do Amendoim”, trava uma nova batalha. Além da Covid-19, que já representava um obstáculo a ser superado na venda de seu produto, ele enfrenta uma doença que afeta a circulação das suas pernas.

 

Edson, que percorria as ruas de Cuiabá de uma ponta a outra, viu a sua rotina mudar drasticamente. Primeiro com o “abre e fecha” do comércio devido à pandemia, o que impactou consideravelmente seus ganhos, e agora com problemas de saúde.

 

“Quando não tinha pandemia, eu saia cedo para rua e só voltava para dormir. Andava mais do que nota de real. Agora, não consigo mais fazer o que eu fazia”, conta. 

 

 

Quando não tinha pandemia, eu saia cedo pra rua e só voltava pra dormir

O profissional revela que percorria cerca de 20 quilômetros por dia. “Hoje, não consigo fazer nem cinco, porque conforme ando a minha perna volta a inchar”, diz. 

 

Atualmente, ele precisa usar meias de compressão, uma para dormir e outra durante o dia, além dos medicamentos para tratar a doença.

 

Segundo ele, os custos são bastante elevados, mas recebeu auxílio de amigos e médicos.

 

“Se eu fosse pagar o meu tratamento não teria dinheiro, mas nada me foi cobrado. Eles, simplesmente, falaram: ‘isso aqui é excesso do seu trabalho e a gente vai cuidar de você’. Ai, tô aqui, me cuidando”, afirma.

 

O início da doença

 

A doença se manifestou de repente, em meio a um dia de expediente. O Rei do Amendoim desceu em frente ao Hotel Bandeirantes, como de costume, e até então não tinha identificado nenhum sinal de dor. Passou pela Igreja São Benedito e seguia o seu rotineiro trajeto, quando foi acometido por uma dor insuportável. 

 

“Bateu uma dor que cheguei a morder os panos da minha camisa, uma dor que não sei explicar. Chorei”, revela sobre a primeira manifestação da doença.

 

 

Eu corri muitos riscos, poderia ter amputado minha perna pelo estado em que estava

"Foi uma coisa que eu não estava esperando, eu estava na rua, trabalhando”. 

 

Ele conta que foi levado até um hospital público, mas que não recebeu os cuidados necessários  para o seu caso.

 

“A médica sequer olhou para o meu problema, queria me dar uma dipirona”, relembra. 

 

Mas Edson não queria algo para remediar a dor, e sim tratar o problema desde sua raiz. Em resposta recebeu que devido à situação de pandemia e ao estado dele, seria um risco mantê-lo alí. 

 

Por meio de amigos, após tentativas frustradas de elucidar o seu problema, Edson foi atendido por uma cirurgiã vascular que o acompanha até hoje. 

 

“A minha gratidão é muito grande, por todos. Eu corri muitos riscos, poderia ter amputado minha perna pelo estado em que estava, poderia estar morto, mas agora estou me recuperando”, conta emocionado. 

 

“Se não fossem os amigos nesse momento de pandemia e aflição eu não sei o que seria de mim”, diz.

 

As marcas deixadas pela pandemia

 

Para além das mortes provocadas pela Covid-19, a pandemia deixou dor, medo e muitas incertezas, marcas essas que serão lembradas por muito tempo.

 

Arquivo pessoal

 

Amendoim tradicional vendido por Edson, o Rei do Amendoim

Para Edson, apesar do cenário crítico de contágio, é preciso pensar em alternativas que possibilitem e garantam uma renda aos cidadãos., em especial os ambulantes.

 

“É fácil falar para você ficar em casa se todo dia 05 o salário dessa pessoa está na conta. E quem não tem esse salário para sustentar a família?”, questiona. 

  

“É muito triste passar por cada lugar que um dia conheci e ver escrito ‘aluga-se’ e você pensar ‘é mentira’. Você não faz ideia do tanto de empresas que fecharam em Cuiabá, e o trabalhador sendo tratado como se fosse um bandido”, diz. 

 

“A pandemia existe? Existe! O Vírus mata? Mata! Mas a fome também mata, o desespero mata, a depressão mata”, desabafa.

  

O Rei do Amendoim teme precisar trancar o curso de direito de um dos filhos que está no sétimo semestre de uma universidade particular.

 

“Meu maior sonho é dar para o meu filho o estudo que eu nunca tive”, conta. 

 

“Desejo que volte logo tudo ao normal, que as pessoas possam voltar a trabalhar, trazer aquele brilho de felicidade. Não tem coisa mais linda na vida do que falar ‘hoje eu estou trabalhando’, para poder levar para casa o sustento da família

 

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