Paranatinga, 22 de Outubro de 2017

Variedades

Cuiabana deixa a Veterinária e faz sucesso com sertanejo de raiz

A violeira, que começou aos 11 anos, hoje faz em média 15 apresentações por mês

BRUNA VIOLA | 25/06/2017 12:39:04


A cuiabana Bruna Viola, de 24 anos, se tornou um sucesso levando o sertanejo de raiz para os quatro cantos do Brasil. Nos palcos desde os 11 anos, e apaixonada pelo sertanejo de raiz desde pequena, hoje a violeira faz em média 15 shows por mês.

 

Segundo Bruna, a música é um dom, que herdou dos avós maternos.   

 

“Está no sangue e eu sempre gostei de música de raiz, desde pequenininha. Fui influenciada pelo meu avô. Eu frequentava muito a fazenda dele quando era pequena. E ele estava sempre ouvindo essa música de raiz. Aí eu tomei gosto e minha paixão é a música caipira”, disse.

 

E quem vê a jovem tocar nem imagina que as primeiras notas foram tiradas só de ouvido. Como ela mesma diz, é “autodidata”.  

Como eu já tinha o dom, de família, comecei a tocar violão e depois peguei a viola e comecei a tirar as músicas de ouvido

 

“Eu sempre quis tocar viola, que era o instrumento que eu ouvia nas músicas. Como eu tinha o dom, de família, comecei a tocar violão e depois peguei a viola e comecei a tirar as músicas de ouvido”, contou. A diferença entre viola e violão está no tamanho, no timbre e no número de cordas. A primeira é menor, mais aguda e tem dez cordas, enquanto o violão tem seis.

 

Ela também toca cavaquinho e contrabaixo. Mas a paixão é realmente pelo instrumento que carrega no nome artístico, visto que sempre teve como ídolos Tião Carreiro, o criador do pagode de viola caipira, Inezita Barroso, conhecida como a rainha da música caipira, além de Ronaldo Viola e João Mulato. “Essa galera, violerada antiga”, disse.

 

Paixão por Cuiabá

 

Um dos maiores orgulhos da cantora é ter nascido em Cuiabá, tanto é que por onde passa Bruna faz questão de falar que veio da Capital de Mato Grosso e carrega, há muitos anos, a bandeira do Estado colada na parte de cima da viola.

 

“Todo lugar que eu vou eu falo de Cuiabá, da minha terra querida. Não escondo, não. Teve muito artista que saiu aí de Mato Grosso e depois fala que veio de Campo Grande. Saía de Cuiabá e depois nem lembrava mais. Conheço umas duplas assim. Mas eu não: tenho orgulho de ser cuiabana”.

 

Atualmente, Bruna vive em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Mesmo apaixonada pela Capital, ela diz que a mudança foi necessária para facilitar as viagens a trabalho.

 

“A logística de Cuiabá não ajuda. É longe de São Paulo, é longe do interior de Goiás. No próprio Mato Grosso tudo é longe. Para você chegar em uma cidade, você anda 500 quilômetros. Então tem que estar aqui mais para o centro. Num raio de 500 quilômetros de São José do Rio Preto, você está no Paraná, em Goiás, em Minas Gerais. Então a logística para quem trabalha na estrada, viajando, é maravilhosa”, explicou.

 

Reprodução

Bruna Viola

Segundo a cantora, muitos artistas sairam de Cuiabá e escondem a naturalidade. Ela, pelo contrário, tem orgulho de ser cuiabana

A escolha da música para a vida

 

Apesar de tocar desde muito nova, foi aos 18 anos que Bruna teve que decidir que a música era o que queria para sua vida. Na época, ela entrou para a faculdade de Medicina Veterinária, mas já fazia em média 18 a 22 shows por mês.

 

“A Veterinária é um curso puxado, que exige muito do aluno. Tem que estudar pra caramba. E com a vida na estrada, estava difícil demais estudar. Foi nesse momento, com 18 anos, que eu tive que decidir: ou estudo Medicina Veterinária ou vou seguir na música. E eu segui na música. Já estava ganhando dinheiro mesmo”, contou.

 

Ela conta que foi uma decisão muito difícil, porque envolvia suas duas grandes paixões: a música e os animais. E qualquer uma que deixasse faria muita falta. Por fim, escolheu a música pela estabilidade financeira que esta já estava lhe dando.

 

Ao sair de Cuiabá, primeiro foi para São Paulo capital, depois Ribeirão Preto, onde planejava cursar a faculdade de Viola Caipira.  

 

“Porém eu não tinha tempo para estudar também. Mudei e os shows aumentaram, o trabalho aumentou no interior de São Paulo, foi crescendo para Minas, Goiás, Paraná... Aí assinei com a gravadora. E não teve jeito, não dei conta, não deu pra estudar também”, contou.

 

De Ribeirão, mudou para Campinas e de Campinas para São José do Rio Preto. E os pais desde sempre apoiando e acompanhando.

 

“Minha mãe sempre trabalhou comigo. Desde que eu era criança - comecei a trabalhar com 11 anos - já fazia shows, já me apresentava, e minha mãe estava comigo. Aí, quando eu escolhi a música, ela estava do meu lado. Meu pai só falava: ‘Vai, acompanha sua filha e tora o pau, vamos trabalhar’”, contou aos risos.

 

Hoje a mãe já não a acompanha mais na estrada, cuida apenas da parte administrativa da empresa da cantora, a BV Produções.

 

Gravadora

Reprodução

Bruna Viola

Hoje a cantora reúne em média 12 mil pessoas em seus shows  

 

A cantora relata que um momento crucial para sua carreira foi quando, em 2015, assinou com a Universal Music, que é a maior gravadora do Mundo, com artistas como Lady Gaga, Adele e Taylor Swift em seu catálogo.

 

“Eles investiram na minha carreira, me colocaram tocando nos programas nacionais, colocando para tocar minhas músicas nas melhores rádios do Brasil. Aí você chega pra tocar em um show, tem um público de 10 ou 12 mil pessoas cantando suas músicas. Isso é muito gratificante. Acho que num momento muito importante, eles deram uma alavancada na minha carreira”, disse.

 

Perguntada sobre qual seria o segredo para ela ter conquistado seu espaço, Bruna diz que foi a humildade e o trabalho contínuo.

 

“Eu sempre trabalhei certinho, quietinha no meu canto. Nunca precisei pisar em ninguém, puxar tapete de ninguém, sempre Deus na frente, fazendo meu trabalho sossegado. Humildade em primeiro lugar e você vai fazendo seu caminho. As portas vão se abrindo automaticamente. Eu acho que é isso: o sucesso é consequência de um trabalho bem feito”, disse.

 

Mulheres no sertanejo

 

Recentemente houve uma explosão de mulheres na música sertaneja. O que, para Bruna Viola, tem sido "maravilhoso".

 

“Tem que abrir as portas cada vez mais pra mulherada. Tem que vir gente nova mesmo e se unir todo mundo. Acho muito bom. Estamos ali, estamos tocando, está ótimo. Tora o pau, deixa a mulherada aparecer, fazer show e tudo mais”, disse aos risos.

 

Ela conta que o meio que escolheu, o sertanejo de raiz, é ainda mais machista que o sertanejo romântico, mas que, como começou muito nova, não sofreu preconceito.

 

“Comecei a frequentar os encontros de violeiros pelo País - Minas, Goiás, Mato Grosso - e me apresentar nos programas de TV. Como eu comecei criança, era uma novidade, a galera não olhava com preconceito, eles olhavam como: ‘Nossa, uma mocinha tocando viola caipira, um instrumento tão antigo, um instrumento tão masculino’. Então acabava sendo uma novidade para o povo, para as mídias, para os próprios artistas”.

 

Reprodução

Bruna Viola

Bruna Viola e a dupla Bruno & Barreto, que lançaram no final de maio a música "Quem é que não gosta"

Música nova

 

Com dois CDs, um DVD, dezenas de parcerias com grandes nomes do sertanejo e até música em trilha sonora de novela global, Bruna acaba de lançar, no final de maio, sua nova música de trabalho, “Quem é que não gosta”, em parceira com a dupla Bruno & Barreto.

 

No Youtube, a faixa já tem mais de 2 milhões de visualizações. E conta a história de um jovem da cidade que se apaixona pela moça caipira.

 

Em trecho da música, a violeira faz referência ao prefixo de telefone de Cuiabá e a seu ídolo Tião Carreiro: “E ele que é lá do 011 e não era butequerio, mudou pro 65 e tá ouvindo Tião Carreiro”.

 

Sonho

 

No auge de sua carreira, a jovem conta que é sossegada e hoje só sonha em viver, trabalhar, ter dinheiro para pagar as contas e manter seus animais.

 

“Além disso meu sonho é poder dar uma velhice sossegada para os meus pais, que é o mais importante, mas isso aí está encaminhado”, disse.

 

 

Fonte: Mídia News

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