Paranatinga, 18 de Setembro de 2018

Variedades

Bella Piero: "Não encontrei uma mulher que não tenha enfrentado algum abuso"

"ESTOU SOLTEIRA" | 23/03/2018 21:28:07


Filha caçula do casal de empresários Rodrigo Dantas e Maísa Moraes, Bella Piero, carioca, criada na Zona Sul do Rio de Janeiro, tem um irmão, Felipe, de 31 anos, e cresceu em uma família sem ligação profissional com o meio artístico.

 

Porém, todos sempre a incentivaram a seguir a carreira de atriz. Ela começou a fazer cursos de teatro aos 7 anos e estudou no tradicional Centro de Artes das Laranjeiras (CAL), por onde já passaram nomes como Murilo Benício eFlávia Alessandra.

 

Registrada Izabella Carneiro de Campos Pieruccetti, a atriz adotou Bella Piero como nome artístico com a intenção de simplificar. "Foi sugestão da minha empresária. Acho bem fácil e sonoro", explica.

 

A atriz já atuou em outras novelas -- Boogie Oogie (2014), Verdades Secretas (2015) e A Lei do Amor (2016) -- mas foi em O Outro Lado do Paraíso que Bella se destacou por sua personagem com uma pesada carga dramática.

 

Na pele de Laura, Bella comoveu o público e conseguiu levantar uma importante discussão: a do abuso sexual. Na trama, a garota tímida é abusada pelo padrasto (Flávio Tolezani) na infância e sofre em segredo, uma vez que a mãe, Lorena (Sandra Corveloni), tem um posicionamento omisso. Porém, a questão vem à tona após o casamento com o médico Rafael (Igor Angelkorte), com quem não consegue ter relações sexuais por causa do trauma. Por meio de uma sessão de hipnose orientada por Adriana (Julia Dalavia), a jovem resgata as memórias das agressões e consegue lembrar que foi vítima de abuso e até denunciar o padrastro. "Quis fazer a Laura da forma mais real possível, para que ela não fosse apenas mais uma personagem", diz.

 

REPERCUSSÃO


"Eu me surpreendi positivamente com a repercussão. Não esperava que fosse ter tanta. Desde que tive a primeira reunião com os diretores e conheci o tema abordado por meio da personagem, soube que faria barulho. Era o nosso objetivo. A gente estudou para falar sobre o assunto que ainda é um grande tabu. A maior dificuldade deste tema é falar sobre ele. Esperávamos que tivesse amplitude, mas é impressionante como o assunto chegou às pessoas. Várias vozes foram fortalecidas. A repercussão foi bem intensa. Fomos a uma região supersimples do Jalapão e uma menininha, de uns 3 anos, me reconheceu. É uma coisa de louco chegar a tantas pessoas com um trabalho."

 

QUESTÃO SOCIAL


“O abuso é um assunto que abrange, ouso dizer, quase todas as mulheres. Nestes nove meses envolvida com o tema, ainda não consegui encontrar uma mulher a minha volta que nunca tenha entrado em contato com nenhum tipo de abuso – seja moral, mental, emocional ou físico. Quis fazer a Laura da forma mais real possível, para que ela não fosse apenas mais uma personagem. Sempre tive muita garra. Neste trabalho pudemos mostrar como a nossa educação é falha, omissa, atrasada para meninas e meninos. O abuso contra os garotos também existe. As mulheres são 90% das vítimas, mas também existem abusos contra eles. Essa cultura do estupro atinge todo mundo violentamente desde a infância. O homem aprende que não pode chorar, que tem que ser machão, que não pode ser sensível. O homem é considerado sucesso por pegar geral e dar conta do recado, enquanto a mulher fica submissa. A gente até já conseguiu evoluir um pouco. As mulheres estão mais empoderadas, mas é uma luta diária para as mudanças acontecerem. Ainda existe diferença salarial, mulheres ainda são cantadas nas ruas, são abusadas moralmente, psicologicamente, sexualmente... A educação realmente precisa mudar."

 

EMOTIVA


“Ficava muito à flor da pele com as cenas da Laura. Sou muito chorona. Um dos rituais que tenho é ouvir as músicas que me conectam com a personagem. Gosto de aquecer corpo e voz escutando música. A emoção, no caso da Laura, não foi difícil. A emoção vinha e transbordava. Tenho vários rituais. Para viver a Laura, eu me preparei intensamente por três meses. Criamos um núcleo muito sólido. A Sandra Corveloni, o Flávio Tolezani e o Igor Angelkorte foram fundamentais para eu contar esta história. Ganhei três parceiros de vida.”

 

VANDINHA ADDAMS


“Fiz este papel com zero make. Só dava uma forçada na olheira. A primeira imagem dela é com o cabelo partido ao meio e olheiras marcadas. A Laura foi super comparada com a Vandinha [personagem da Família Addams]. Isso até me assustou na época. As pessoas comparavam muito nas redes e comentavam: ‘Ninguém passa um corretivo nessa menina’. Isso me incomodava não pelo fato de falarem da aparência dela – muito menos, da minha – mas por perceber que o incômodo era gerado pela aparência. Ninguém questionava o porquê dela estar daquele jeito. Ela estava passando por uma questão interna profunda.”

 

VAIDADE


“Para mim, é essencial a caracterização de cada personagem. Acredito que consigo compor melhor cada papel. O corpo do ator tem que estar a serviço do trabalho. É um instrumento. Não tem espaço para vaidade dentro de mim, não. A primeira vez que pintei o cabelo na vida foi com a Nina, minha personagem em Verdades Secretas. A hora em que eu me olhei no espelho e me vi com o cabelo roxo foi incrível! É como se entrasse na personagem. Faz toda a diferença. Estou com vontade de cortar o cabelo depois da novela, mas não devo pintar. Quero fica mais neutra para um próximo trabalho. Para o físico, tenho que ser desencanada porque está faltado tempo, mas gosto de estar em movimento. Curto estar ao ar livre, caminhar, fazer uma dança... Cuido do corpo com o que me dá prazer, como ioga ou pilates. É mais eficaz.”

 

LADO A LADO COM VETERANOS


“Trabalho com um elenco estelar com ícones da TV e do teatro. São todos humanos, acessíveis e generosos. É isso que faz meu olho brilhar. Fernandona [Fernanda Montenegro] e Dona Laura [Cardoso] me inspiram. Tinha trabalhado com a Marieta [Severo] em Verdades Secretas, mas não havíamos feito cenas juntas. Quando participamos da primeira leitura de textos desta novela, ela chegou até mim e disse: ‘Oi, querida. Fiquei muito feliz que é você que fará esta personagem. Boa sorte!’. Meu coração até disparou de alegria. Não existe um degrau acima, um degrau abaixo na nossa equipe. O sucesso é feito pelo suor e pela garra de todo mundo. Acho que é por isso que deu certo.”

 

GRAVAÇÕES NO JALAPÃO


“Foi incrível a viagem. Fomos gravar a segunda lua de mel do casal, exibidas a partir desta semana. Foram cenas bonitas e leves. Tive muito contato com a natureza, o que é sempre renovador e restaura as energias. É um lugar que todo mundo deve conhecer. As cores, o ar, o céu... Tudo é muito diferente dessa vida urbana que temos. A gente trabalhava, mas também se divertia. É surreal o visual do Jalapão. A natureza tem uma grande capacidade de ressignificar o que sentimos."

 

DESEJOS PROFISSIONAIS


“Tenho muitas vontades. Eu escrevo – sou amadora ainda –, mas escrever é um prazer que eu tenho. Tenho muitos poemas e crônicas. Quero voltar ao teatro porque faz três anos que atuei na minha última peça. No cinema, já participei do filme Ninguém Entra, Ninguém Sai [2017] e tenho um desejo forte de trabalhar mais neste veículo. Não defino um sonho profissional. Sonhos mudam muito. Nem gosto de usar muito esta palavra porque parece que é utópico, inatingível. Prefiro falar de objetivos. Neste momento, tenho vontade de fazer uma vilã. Já fiz muitas nos palcos, mas nunca na TV ou cinema. Acho que seria bacana."

 

SOLTEIRA


“Estou solteira. Não estou nem à procura, nem solta na pista. Acho que quando a gente menos procura, mais aproxima. Estou muito bem sozinha. Seria difícil viver uma relação com a exigência que eu mesma estipulei para interpretar a Laura. Fiquei voltada 100% para ela. Depois, comecei a entender que eu precisava ser a Bella para a Laura existir. Precisava ter os meus momentos. Agora que as sequências que exigiam mais emocionalmente passaram, estou conseguindo equilibrar mais meu dia a dia. Tenho encontrado amigos, feIto trilhas...”

 

APOIO FAMILIAR


“Meus pais sempre apoiaram. Desde que eu nasci sabia que queria fazer arte. Quando eu tinha 3 anos, estava no carro voltando de uma viagem e comecei a chorar. Minha mãe, preocupada, perguntou o que estava acontecendo e eu: ‘Calma, estou só treinando para quando eu tiver que chorar’. Deu certo, né? Nesta novela, chorei bastante (risos). Meus pais viram que era minha vontade. Eles acompanharam de perto para ver se era só um desejo ou uma vocação. Sabiamente, meus pais me educaram livre para seguir meus desejos. Eles acompanham as etapas da minha carreira desde os tempos em que me levavam aos cursos de teatro nos fins de semana. Aos 7 anos, comecei a fazer teatro e encenei minha primeira peça na CAL. De lá pra cá, não parei. Fiz peças e sempre tive o apoio deles. Foram muitos anos de batalha.”

 

SEM PLANO B


“Não cheguei aqui por mágica, mas não cogitei um plano B profissional. Minha prima era a única que me questionava se eu não achava saudável ter um. Era um desejo da alma. Não conseguia me enxergar em outro lugar. Com a vontade que eu tinha, não achava que fosse capaz de dar errado. Não adianta ter talento e não ter vocação. É uma profissão muito difícil. Além do talento e do amor que a gente usa para contar uma história, é preciso muita dedicação.”

 

 

Fonte: QUEM ONLINE

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