Paranatinga, 22 de Outubro de 2017

Tecnologia

“Ciências humanas nunca serão suplantadas por tecnologia”

HUMANAS | 29/08/2017 20:05:08


Na a visão do advogado José Rogério Cruz e Tucci, diretor da Faculdade de Direito da USP, o trabalho do advogado não está ameaçado pelas novas tecnologias, como robôs e softwares capazes de analisar milhões de documentos por segundo.

“Ciências humanas nunca serão suplantadas pela tecnologia”, afirma Tucci. “O ponto fundamental é o raciocínio do ser humano, então é evidente que não há como ser suplantado. Pelo contrário, as novas ferramentas facilitam o trabalho do advogado”.

A análise foi feita ao final da palestra “190 anos de ensino jurídico no Brasil”, proferida em reunião-almoço do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).

Na abertura do evento, o diretor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco disse que o que se ensina na faculdade é diferente do Direito na prática.

“Longe dos textos legais, em época recente inventaram o litisconsórcio por amor, a guarda compartilhada de cachorro – discutindo a competência, se é cível ou de família – e o padrinho distante como motivo de insuspeição”, critica.

O início
A Faculdade do Largo de São Francisco e a Faculdade de Direito de Olinda tiveram os primeiros cursos jurídicos do Brasil, instituídos por lei por Dom Pedro I em 1827. As faculdades surgiram devido a uma estratégia política.

“Era necessário que o Brasil independente formasse homens públicos para administrar o país porque até então quem ocupavam os postos mais importantes da administração eram os portugueses”, explica.

A estratégia deu certo. A Faculdade de Direito da USP formou 13 presidentes da República. No Judiciário, são mais de 700 juízes, sendo que no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo os franciscanos representam 1/3 dos magistrados.

Mas, como lembra Tucci, não se pode viver “num mundo cultuando as tradições e o ufanismo”. Para ele, “sempre houve apadrinhamentos” na faculdade, mas isto não acontece mais. Além da ausência de compadrio, o corpo docente também está mais jovem. “Temos uma média de idade de 43 anos e 3 meses de entre os 154 professores. Eles estão focados a produzir conhecimento”, diz.

Para Tucci, a ética é a característica mais importante para um advogado. “Cada um de nós, como advogado, como juiz, tem que ensinar os mais jovens a questão comportamental. Com um país tão desgastado, só nos resta mesmo a esperança no Judiciário. Temos que a cada momento ser incisivo, não fazer concessões”, afirma.

 

Fonte: jota.inf

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