Paranatinga, 21 de Outubro de 2017

Ronda Policial

Mulher foragida há mais tempo no Brasil fazia saques mensais, diz polícia

Lúcia de Fátima Dutra Weisz, a 'Viúva Negra', era procurada desde 1995

FORAGIDA DA JUSTIÇA | 09/10/2017 12:21:31


O monitoramento de saques mensais realizados por Lúcia de Fátima Dutra Weisz, de 61 anos, conhecida como "Viúva Negra", contribuiu para que a Polícia Civil conseguisse prendê-la após 21 anos foragida. Ela era a mulher há mais tempo procurada no Brasil, segundo a corporação, e uma das suspeitas é de que o dinheiro tinha origem em pensão que deveria ser destinada ao filho.

 

Segundo o Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-2), em Campinas (SP), a hipótese ainda será verificada nas apurações, com apoio de investigadores no Paraná, e deve ser relatada ao Judiciário.

Um dos policiais responsáveis pela prisão de Lúcia em Ponta Grossa (PR), na quinta-feira (5), é o mesmo que a encontrou depois do crime pela qual foi condenada a 14 anos de prisão - homicídio qualificado do marido, em Americana (SP).

 

Nesta sexta-feira (6), ela foi apresentada à Delegacia Antissequestro de Campinas, onde prestou depoimento, e na sequência foi levada para uma cadeia no estado. A "Viúva Negra" era procurada desde 1995, quando escapou da cadeia de Sumaré.

 

Investigações

A Polícia Civil informou que as apurações do caso foram intensificadas nos últimos seis meses. Durante o período em que esteve foragida, Lúcia passou por Curitiba (PR), região de Araçatuba (SP) e revezava, nos últimos 15 anos, passagens pela área de Guararapes (SP) e Ponta Grossa (PR). Além disso, ela teria feito viagens por regiões rurais nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

 

A "Viúva", de acordo com a corporação, levava uma vida reclusa e jamais fazia ligações com uso de aparelhos fixos ou móveis, recorria aos telefones públicos. Além disso, neste período, somente o filho e uma irmã dela teriam recebido informações sobre o paradeiro dela ao longo dos anos.

 

'Ficou surpresa'

Delegado do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), Luís Segantin contou que equipes da Polícia Civil de Campinas prenderam a "Viúva" em uma agência bancária.

 

"Polícias da Delegacia Especializada Antissequestro (Deas) e da Inteligência da 1ª Seccional de Campinas se dirigiram até Ponta Grossa, e contaram com apoio da Polícia Civil do Paraná. Eles seguiram os passos delas, confirmaram o endereço, e conseguiram fazer a prisão."

Segundo Segantin, Lúcia ficou "surpresa" e reconheceu o investigador que a havia prendido em 1995. "Segundo o policial, ela ficou pasma. Chegou a dizer que ele havia envelhecido."

 

Recorde

De acordo com o delegado, a "Viúva Negra" era a mulher foragida há mais tempo no Brasil. Ela será encaminhada ao sistema carcerário para cumprir o resto da pena, mas a localização do presídio para qual a criminosa seria levada não foi fornecida por questões de segurança.

 

O crime

Lúcia contratou a empregada doméstica Valdelaine Pereira, filha de uma ex-empregada da casa, que matou o empresário Gavril Weisz, então com 41 anos, no dia 12 de março de 1995.

 

A "Viúva Negra" queria simular que o marido tivesse sido morto em um assalto, na própria casa, mas entrou em contradição nos depoimentos. Presa por Brochi, ela confessou o crime e alegou que o casal estava em um processo de separação e, por isso, temia perder a guarda do filho.

 

Fonte: G1

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