Paranatinga, 18 de Outubro de 2018

Regional

Modus operandi de execução de prefeito lembra filmes hollywoodianos do velho oeste, dizem promotores

EM COLNIZA | 02/01/2018 12:06:25


O “espetáculo” de violência durante a execução do prefeito de Colniza Esvandir Antonio Mendes, 61 anos, chamou a atenção dos promotores Leandro Túrmina e Willian Oguido Ogama, que assinaram a denúncia contra Antônio Pereira Rodrigues Neton, Yana Fois Coelho Alvarenga, Zenilton Xavier de Almeida e Welisson Brito Silva. O chefe do Executivo Municipal foi assassinado à luz do dia, em 15 de dezembro, na BR 174, dentro do perímetro urbano, dentro de seu carro.

“O modus operandi dos executores chega e lembrar até filmes hollywoodianos do velho oeste”, diz trecho da denúncia. “ E, este agir, tem uma especial razão de ser: a falta de resposta estatal aos crimes graves que aqui são realizados. Colniza tem sido palco de diversos crimes bárbaros neste ano (citam-se, deste ano: a Chacina dos Trabalhadores rurais de Taquaruçu do Norte, o assassinato do ex-vereador Elpído), sendo que a sensação de insegurança, da lei do silêncio, da lei do mais forte continua a imperar e, inclusive, culminou nos fatos descritos na denúncia”, completa.
 
Para os promotores, o crime não pode ficar impune para não aumentar a sensação de insegurança, ausência do Estado e a impressão de que em um município “sem lei”, qualquer crime pode ser praticado. “A ordem pública precisa ser preservada e, com isso, a imagem da Polícia, do Ministério Público, do Poder Judiciário e do Estado como um todo, para que não caíam no descrédito quando a população lhes pedem amparo”.
 
O MP aponta o empresário Antonio Pereira Rodrigues Neto como o mentor do assassinato. Ele teria conhecido Zenilton Xavier de Almeida e Welisson Brito Silva por meio de sua companheira, a médica Yana Fois Coelho Alvarenga, e os arregimentado para o crime com a promessa de recompensa de R$ 5 mil para cada. A motivação do crime seria uma dívida do prefeito.
 
“Cometeram o homicídio por motivo torpe consubstanciado em motivo abjeto, desprezível, depravado, repulsivo relacionado a questões pessoais/políticas”, sustenta o MP. “Ainda, a ação dos denunciados resultou em perigo comum, à medida que praticaram o crime em via pública, dentro da BR 174 em região que já é na zona urbana deste Município, local com em que trafegavam diversos veículos e pessoas, expondo em risco a vida de todas as pessoas que estavam nas proximidades (circulando a pé ou em veículos ou, ainda, que estivessem nas imediações, dentro de suas residências e/ou estabelecimentos comerciais)”.
 
Contrato com a prefeitura
 
A médica Yana Fois Coelho Alvarenga teve seu contrato de prestação de serviço assinado provavelmente pela própria vítima. O MP destaca na denúncia que o contrato de Yana Fois foi assinado a despeito de ter sido proferida decisão liminar, em Ação Civil Pública, proposta pelo Ministério Público, que “proibia a terceirização em contrariedade às disposições legais e sem que fosse observada a regra constitucional do concurso público”.
 
Após o assassinato, Yana teria dado ordens a um irmão de Antônio, um garoto de 15 anos, para que ele pegasse o trio com um carro diferente do usado no crime para despistar a polícia.  
 
“Não se pode olvidar que como médica, quando tomou conhecimento dos fatos deveria agir para salvar a vida das vítimas. Porém, agiu ao revés: providenciou não só a fuga dos executores, entregando o veículo à adolescente e, ainda, fez toda a ponte necessária para que seu companheiro os conhecesse e buscasse para que executassem a infração penal”, sustenta o MP.
 
Para o órgão ministerial, a prisão de Yana, bem como a do trio de executores, precisa ser mantida em nome da ordem pública, principalmente levando-se em consideração  repercussão social causada pela conduta dos autores do crime, relacionada à possibilidade de reiteração criminosa; e a periculosidade dos envolvidos, evidenciada no modus operandi da conduta ilícita. “A gravidade do crime, não apenas abstrata, mas no caso em concreto, é patente e se extrai do modus operandi dos denunciados”, argumenta.

O crime

O prefeito conduzia uma Toyota SW4 preta quando foi interceptado pelos criminosos, em um veículo SUV, preto, a cerca de sete quilômetros da entrada da cidade.
 
O veículo foi ao encontro da caminhonete, momento que foram efetuados vários disparos contra o prefeito Esvandir que ainda conseguiu dirigir, mas acabou morrendo no perímetro urbano, na BR 174, esquina com a Rua 7 de Setembro.
 
Outros dois disparos feriram o secretário Admilson, sendo um na perna esquerda e outro nas costas. O fato ocorreu por volta das 18h40, de sexta-feira (15).
 
A prisão
 
Antônio, Zenilton, e Welisson fugiam em um veículo Fiat Uno cinza, quando foram abordados a cerca de 20 km após Castanheira, por uma viatura do Grupo Armado de Resposta Rápida (Garra), da  Regional da Polícia Civil de Juína, que auxiliou as investigações. Dentro do automóvel foram apreendidos R$ 60 mil, em espécie.
 
O dinheiro estava em um pacote do Banco do Brasil, sendo um montante de R$ 50 mil, e outros dois volumes de R$ 10 mil.
 
Foram usadas quatro armas de fogo no crime, mas somente um revólver calibre 38 e um fuzil 22, com numeração raspada, foram encontrados dentro de uma bolsa deixada no mato, pela Polícia Militar. As armas estavam a cerca de 15 km de Colniza, localidade onde também foi abandonada a caminhonete da ação criminosa.
 
Duas pistolas, que segundo as informações levantadas, também foram usadas, teriam sido jogadas dentro de um rio.

 

 

Fonte: Olhar Juridico

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