Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Política

Silval afirma que conselheiro do TCE cobrou propina já paga

“UM ABSURDO” | 04/09/2017 09:59:45


O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, é acusado de tentar cobrar duas vezes os valores de uma suposta propina que já havia sido paga pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

 

A propina, em tese, teria sido paga para cinco conselheiros do TCE-MT, para que eles não colocassem entraves nas obras do MT Integrado, o programa de pavimentação da gestão de Silval. O total das vantagens indevidas chegaria a R$ 53 milhões.

 

A acusação foi feita pelo próprio Silval, em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologada no dia 9 de agosto pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.

 

Conforme o peemedebista, a propina foi paga por meio de 36 notas promissórias e beneficiou os conselheiros Antonio Joaquim (presidente licenciado do TCE), Sérgio Ricardo, José Carlos Novelli, Waldir Teis e Valter Albano.

 

De acordo com Silval, a arrecadação da propina ocorreu de três formas. A primeira foi por intermédio da empresa Gendoc Sistemas e Empreendimentos, com o retorno de valores estabelecidos no contrato com o Governo do Estado, no valor de R$ 10 milhões. A Gendoc atua no ramo de gestão documental e mapeamento de processos.

 

Em seguida, o alegado retorno – ou propina – na concessão de créditos tributários para o Grupo  Martelli, que atua no ramo de transportes, no valor de R$ 6 milhões.

 

Por último, a desapropriação do Bairro Jardim Renascer, no valor aproximado de R$ 33 milhões, pagos pelo Estado à Provalle Incorporadora.

Naquele momento, eu vi que as notas promissórias mostradas por Ricardo Almeida, em seu aparelho celular, eram as que eu havia dado de garantia para os pagamentos das propinas aos conselheiros do TCE

Silval contou que todo mês, por meio dos esquemas, conseguia pagar duas notas promissórias para quitar a propina dos conselheiros. Uma das notas era de R$ 1,1 milhão e a outra de R$ 2,8 milhões.

 

Mas, apesar de quitar quase toda a propina exigida, o ex-governador disse que não foram devolvidas quatro notas promissórias, que já estavam pagas.

 

Cobrança de advogado

 

Em 2015, após o término de sua gestão, Silval disse que foi procurado pelo advogado Ricardo Almeida para marcar um encontro. Almeida, atualmente, é juiz do Tribunal Regional Eleitoral em Mato Grosso (TRE-MT).

 

“Ao ir até o escritório de Ricardo Almeida para saber do que se tratava, situado na Avenida Rubens de Mendonça, o advogado disse me disse que estaria de posse de quatro notas promissórias assinadas por mim, tendo Ricardo Almeida na ocasião mostrado tais notas promissórias para mim, através de cópias fotografadas armazenadas em seu aparelho celular”, afirmou.

 

Conforme Silval, Ricardo Almeida disse que representava o conselheiro Sérgio Ricardo e estava em nome do cliente para cobrar o valor que constava nas notas.

 

“Naquele momento, eu vi que as notas promissórias mostradas por Ricardo Almeida em seu aparelho celular eram as que eu havia dado de garantia para os pagamentos das propinas aos conselheiros do TCE”, disse

 

Silval então disse ao advogado que já havia pagado os valores e que falaria pessoalmente com o conselheiro para resolver a situação.

 

“Cerca de um ou dois dias depois, eu fui até o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso conversar com [José] Novelli, tendo exposto a situação de que estava sendo cobrado pelas notas promissórias dadas em garantia aos pagamentos das propinas”, disse.

 

O ex-governador afirmou que Novelli disse que era “um absurdo” a cobrança e que conversaria com Sérgio Ricardo.

 

“Alguns meses depois, eu fui preso e não tive mais contato com tais pessoas. Me recordo que, alguns anos atrás, marquei uma reunião com Sérgio Ricardo no escritório dele (Sérgio). Ao comparecer no escritório de Ricardo Almeida, eu constatei que era o mesmo escritório em que me reuni com Sérgio Ricardo em outra ocasião”, completou.

 

Veja fac-símile de trecho da delação:

 

print sergio ricardo cobrou duas vezes

 

Outro lado 

 

A assessoria do advogado Ricardo Almeida afirmou que ele deverá se posicionar ainda nesta semana sobre a citação ao seu nome.

 

O advogado Márcio Leandro Almeida, que faz a defesa de Sérgio Ricardo, não atendeu ou retornou às ligações feitas pela reportagem.

 

Fonte: Midia News

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