Paranatinga, 21 de Outubro de 2017

Política

Maggi diz que Martelli “despreza inteligência alheia” em acusação

ALVO DE DELATOR | 10/10/2017 12:00:44


O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), por meio de sua defesa, afirmou que o empresário Genir Martelli, delator das operações Ararath e Malebolge, “despreza a inteligência alheia” ao lhe acusar de ter avalizado um esquema de pagamento de propina em troca de créditos tributários a transportadoras, em 2009.

 

A acusação de Martelli, que atua no ramo de transportes, consta em depoimento da delação premiada firmada pelo empresário.

 

A delação de Genir Martelli, assim como a do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), embasou a deflagração da Operação Malebolge, no dia 14 de setembro, que teve Blairo Maggi como um dos alvos de buscas e apreensões.

 

O empresário contou que, durante a gestão de Maggi como governador, foi editado um decreto que concedeu créditos tributários às transportadoras.

 

Em troca, ficou acordado que o Grupo Martelli e as transportadoras Transoeste Logísitca e Bergamaschi Transportes deveriam devolver ao grupo político de Maggi, por meio do então secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, o montante de R$ 23 milhões.

 

Se alguém o fez, que assuma suas responsabilidades sem querer arrastar para o terreno ilícito em que caminhou pessoas inocentes

“A defesa do ministro Blairo Maggi informa que nos seus mais de 10 anos de vida pública participou de centenas e centenas de reuniões, diariamente, que é rotina cotidiana de um homem público. Todavia, refuta veementemente qualquer ilação de que tenha participado de reuniões com fins ilícitos. Se alguém o fez, que assuma suas responsabilidades sem querer arrastar para o terreno ilícito em que caminhou pessoas inocentes”, diz trecho da nota emitida pela defesa do ministro.

 

Para a defesa de Maggi, as declarações contidas na delação de Genir Martelli são ”absolutamente vazias” e não tragam qualquer prova que o incrime.

 

“Meras palavras de um colaborador, sem cumprir o imprescindível requisito legal de indicação de elementos indiciários mínimos para que a afirmação tenha um princípio de veracidade”.

 

O ministro afirmou que as acusações lançadas contra ele demonstram o “desespero” de Genir Martelli para “obter benefícios legais a fim de compensar atos confessadamente criminosos”, além de refutar o relato de que teria autorizado verbalmente o Bic Banco a conceder empréstimos a empresários.

 

“É necessário prudência e equilíbrio para se apreciar palavras isoladas de um delator. Neste caso, há incoerência e até desprezo com a inteligência alheia ao afirmar que instituições financeiras aceitam que se avalizem empréstimos de forma verbal, conforme o delator aponta”, criticou.

 

A delação

 

Genir Martelli delatou que, em reunião ocorrida em 2009, Blairo Maggi (PP), avalizou um esquema de pagamento de propina em troca de créditos tributários a transportadoras.

 

Em troca de um decreto que concedia créditos tributários a transportadoras, Genir e outros empresários deveriam “devolver” R$ 23 milhões ao grupo político de Maggi, de acordo com a delação.

 

Segundo Genir Martelli, na mesma época, o grupo de Silval e Maggi assumiu dívidas políticas no valor de R$ 16,5 milhões junto ao BicBanco.

 

Em razão disso, Eder começou a pressionar ele e seu irmão Luiz Martelli (que faleceu em 2014) a assumir tais dívidas perante o banco e outros débitos com o empresário Júnior Mendonça – delator e operador financeiro do grupo.

 

“Eder de Moraes Dias determinou que eu o acompanhasse no carro oficial (SW4 preta) e me levou no Bic Banco [...] Na reunião na sede do Bic Banco, na cidade de Cuiabá, com Luiz Carlos Cuzziol (gerente) e Eder de Moraes Dias, eu tomei conhecimento de que a quantia de R$ 16,5 milhões deveriam ser repassadas ao Bic Banco, por meio de notas promissórias. Por meio de ligações telefônicas, Luiz Carlos Cuzziol me convidava para tomar um café no Bic Banco e quando eu comparecia, Luiz Carlos Cuzziol me pressionava para assinar as notas promissórias”, diz trecho da delação.

 

No entanto, Genir disse que temia assumir as dívidas sem a certeza de que os créditos de ICMS seriam de fato compensados. Isso porque o decreto previa que os valores seriam pagos pela BR Distribuidora, que havia adquirido a titularidade dos créditos.

 

genir martelli

O empresário Genir Martelli, que acusou Blairo em delação

Como o nome de Blairo Maggi era usado pelo gerente do BicBanco, Luiz Cuzziol, que alegava que o ex-governador sabia das dívidas pendentes, Genir contou que seu irmão Luiz Martelli pediu uma reunião com o ex-governador, “pois imaginou que, na época, essa seria uma maneira de se esquivar da pressão”.

 

De acordo com o delator, Eder Moraes agendou a reunião com Maggi no escritório da Amaggi, empresa que pertence ao ministro e membros da sua família.

 

“Participaram da reunião: eu, Luiz Martelli, Eder de Moraes Dias, Marcel de Cursi [ex-secretário de Fazenda] e Blairo Maggi. Eu e meu irmão Luiz Martelli chegamos na reunião na parte da manhâ. Entramos  na sala do Blairo e para minha surpresa o Marcel de Cursi estava na ponta da mesa sentado. Blairo Maggi estava numa cadeira atrás da mesa e haviam mais outras cadeiras vazias onde sentou eu e o Luiz Martelli. Na hora que eu cheguei com meu irmão, Blairo e Marcel estavam conversando assunto de família”, afirmou o delator.

 

O delator disse que outro objetivo da reunião era fazer com que Blairo Maggi fosse avalista da dívida que ele assumiria perante o banco.

Genir contou que seu irmão também relatou a Blairo Maggi a preocupação com o risco de assumir estes débitos.

 

“Neste momento, Blairo empurrou a cadeira onde estava sentado para trás, cruzou os braços e disse que ‘quem poderia falar sobre isso seria o Marcel, funcionário de carreira que não é político’, abrindo espaço para Marcel falar. Marcel disse que os créditos eram um direito dos transportadores e que o crédito já estava certo perante a Petrobrás, deixando bem claro e transparente que não tinha problema nenhum. Blairo Maggi não questionou a nenhum dos presentes na reunião que dívida seria essa perante o Bic Banco nem mesmo contestou ser responsável pela dívida”, disse, na delação.

 

Desta forma, Genir disse que ele e seu irmão entenderam que essa postura de Marcel, na frente de Blairo Maggi, dava a segurança necessária que precisavam, “pois caso não desse certo, eu e meu irmão Luiz iriam socorrer-se com Blairo Maggi”.  

 

Posteriormente, Genir Martelli disse que passou no BicBanco e assinou 12 notas promissórias, cada uma no valor de R$ 1,375 milhão, “que, somadas geram o montante de R$ 16,5 milhões”.

 

Na ocasião, segundo ele, Luiz Cuzziol garantiu que não haveria registros de que ele e sua empresa seriam os responsáveis pelo pagamento.

 

Fonte: Midia News

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