Paranatinga, 19 de Novembro de 2017

Política

Ex-secretário da AL grava vídeos, preserva documentos e salva delação de Riva e sepultar a carreira de diversos políticos de MT

Novos vídeos de recebimento de propina devem sepultar a carreira de diversos políticos de MT

DELAÇAO DE RIVA | 14/09/2017 18:45:41


O ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa, Luiz Márcio Bastos Pommot, foi o homem responsável por “salvar” a delação premiada do ex-presidente da Casa, José Geraldo Riva (sem-partido), em fase final de celebração com a Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília. Durante os anos de 2011 e 2014, quando ocupou o posto de comando no Legislativo, Márcio, por conta própria, gravou dezenas de horas de vídeos com entrega de dinheiro a deputados estaduais, negociando propina com empresários e ainda combinando licitações fraudulentas entre servidores do Parlamento.

 

As gravações comprometedoras foram feitas, na época, sem o conhecimento de Riva. Segundo fontes que tiveram acesso às imagens, Márcio decidiu “documentar” a roubalheira na Assembleia Legislativa para se proteger de possível perseguição de adversários, num futuro incerto, sem a presença de Riva na Mesa Diretora, após 20 anos de reinado absoluto. Não sabia ele que o trabalho de araponga lhe renderia, quatro anos mais tarde, a liberdade, com direito ao mesmo benefício estendido ao seu ex-chefe.

 

Ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva só terá delação homologada no STF graças as provas guardadas pelo seu ex-auxiliar
Ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva só terá delação homologada no STF graças as provas guardadas pelo seu ex-auxiliar
Foto de ODOC

 

Em posse das gravações, acrescidas de farta papelada comprometedora, também guardada por Márcio, o ex-deputado estadual viu crescer a sua chance de delatar o sistema corrupto por ele montado, envolvendo mais de 150 pessoas entre ministro, senador, deputados, prefeitos e ex-parlamentares ao Ministério Público Federal (MPF).

 

Impressionados com o volume de provas, inclusive, em áudio e vídeo, os procuradores da República aceitaram as delações de Riva e Márcio, a exemplo do que acorrera com o ex-governador, Silval Barbosa (PMDB), e o seu ex-chefe de gabinete, Silvio Correa, também responsável por gravar políticos recebendo propina em troca de apoio aos projetos do Executivo.

 

A fonte de O Documento, muita respeitada por sinal, viu o esboço da tratativa entre os delatores Riva e Márcio com o MPF. De acordo com essa fonte, a organização criminosa, instalada no Legislativo, usou duas colunas comerciais para drenar mais de R$ 500 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso.

 

Através de papelarias e gráficas, muitas delas de pasta, o esquema fraudulento funcionava com retorno de 75% para “manutenção” da Casa. Segundo Riva, grande parte deste recurso foi utilizado para bancar campanhas eleitorais, comprar apoio de parlamentares e irrigar o sistema político por ele liderado em duas décadas.

 

Segundo a mesma fonte de O Documento, a delação de Riva supera a do ex-governador, Silval Barbosa, por duas razões. Primeiro: os vídeos enredam muito mais autoridades públicas, se comparados aos apresentados pelo ex-governador. Segundo: Silval implicou cerca de 80 pessoas em sua delação “monstruosa”, enquanto Riva delatou cerca de 150 envolvidos, quase o dobro.

 

Para acomodar tantas informações apresentadas pelos delatores, o MPF, de acordo com a mesma fonte criou 23 apensos, divididos em 140 anexos. “O Márcio Pommot, sem dúvida alguma, garantiu o passaporte do Riva lá na PGR. Sem os documentos e vídeos dele, a delação não passaria de jeito nenhum”, explicou a fonte.

 

Nos capítulos finais, a colaboração premiada de Riva e Márcio ainda esbarra no acordo de devolução e penalidades aos delatores. De acordo com a mesma fonte, a PGR exige que Riva e Márcio devolvam R$ 100 milhões ao erário, mas eles concordam com a metade deste valor. Os procuradores querem, ao menos, um ano de prisão em regime fechado. Porém, a dupla exige o benefício da prisão domiciliar, progredindo em três anos para o semi-aberto.

 

As partes já concordaram em um ponto: 30 anos de impedimento para o exercício de cargo público e atividade político-partidária. “Estes detalhes serão fechados nos próximos dias. As delações deles batem com a do Silval, o que garante uma margem jurídica muita segura para futuras condenações dos envolvidos neste sofisticado esquema de corrupção”, finalizou a fonte.  

 

Fonte: O DOCUMENTO

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