Paranatinga, 19 de Novembro de 2017

Política

Ex-governador: pagamentos ilegais saldaram dívida com Piran

PRECATÓRIOS DE R$ 250 MI | 04/09/2017 10:01:42


O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou que em sua gestão, e no Governo do hoje ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), foram feitos pagamentos milionários de precatórios à construtora Andrade Gutierrez, em um total de R$ 250 milhões.

 

Deste valor, segundo Silval, R$ 112,5 milhões - 45% do total - “retornaram” a Valdir Piran, do ramo de factoring, como forma de saldar dívidas contraídas por ambos com o empresário.

 

A informação está contida no acordo de delação premiada firmado entre Silval e a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) - veja o vídeo da delação ao final da matéria.

 

Silval disse que a dívida de Blairo Maggi com Valdir Piran começou entre 2007 e 2009, ocasião em que os então chefes da Mesa Diretora da Assembleia, José Riva (presidente) e Sérgio Ricardo (primeiro-secretário), pediram ajuda a Maggi para pagar uma dívida de R$ 18 milhões que a Mesa tinha com Piran.

 

Em troca da “ajuda”, conforme o ex-governador, Maggi teria o apoio dos deputados aos seus projetos em tramitação na Assembleia.

 

“Blairo concordou com o pagamento dessa dívida e pediu para que Eder Moraes [então secretário de Fazenda] encontrasse uma solução para implementar o pagamento”, disse

O Estado pagaria o valor integral do precatório a Andrade Gutierrez e esta, por sua vez, repassaria o valor correspondente a 45% a Valdir Piran

 

Após a reunião, Silval – então vice de Maggi - disse que ele e Riva assinaram um documento a Piran para garantir o pagamento do débito.

 

“Que foi a partir desse momento que se iniciou o sistema ‘conta corrente’ do Governo Blairo Maggi, operado por Eder Moraes com Valdir Piran. Eu tomei conhecimento de que Eder Moraes  passou a movimentar essa conta corrente criada com Valdir Piran, utilizando valores recebidos de Valdir Piran para os pagamentos dos compromissos do Governo de Blairo Maggi, com ciência desse (Blairo)”, disse Silval.

 

Os pagamentos

 

Para quitar a dívida, além de outras posteriormente adquiridas pelo grupo, o peemedebista contou que foi feito um acordo para que fossem pagos os precatórios devidos pelo Estado à Construtora Andrade Gutierrez – relativos a obras feitas ainda na década de 80-, sendo que parte do dinheiro “voltaria” ao grupo criminoso.

 

Porém, diante da dificuldade de legalizar esse “retorno”, uma vez que os valores era vultosos, Silval contou que Eder Moraes teve a ideia de que Valdir Piran fizesse um contrato de cessão de crédito com a construtora, “no qual Valdir Piran adquiriria o precatório pelo valor aproximado de 55%”.

 

“O Estado pagaria o valor integral do precatório a Andrade Gutierrez e esta, por sua vez, repassaria o valor correspondente a 45% a Valdir Piran, que descontava o valor dos tributos incidentes e o valor líquido, sendo que o que sobrasse seria utilizado para abater do ‘conta-corrente’”, disse.

 

De acordo com o ex-governador, esses precatórios foram pagos de forma irregular, pois não respeitaram a ordem cronológica estabelecida na Vara de Precatórios do Tribunal de Justiça.

 

Silval disse que, conforme o relato de Eder Moraes, o diretor jurídico da Andrade Gutierrez, Luiz Otávio Mourão, tinha ciência dos pagamentos de propina e que “um diretor acima de Luiz Otávio Mourão, chamado Rogério Nora Sá, também tinha conhecimentos dos fatos”.

 

Um total de R$ 250 milhões em precatórios à Andrade Gutierrez foi pago nos governos Maggi e Silval.

 

Porém, conforme o ex-governador, ainda ficaram R$ 30 milhões pendentes, em razão de uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que suspendeu os pagamentos.

PIRAN

O empresário Valdir Piran, apontado como um dos operadores financeiros de esquema

 

"Durante o Governo de Blairo Maggi, pagou-se a quantia aproximada de R$ 200 milhões referentes aos precatórios da Andrade Gutierrez. Durante meu Governo, foi paga a quantia aproximada de R$ 50 milhões a Andrade Gutierrez do total aproximado de R$ 80 milhões restante”, afirmou.

 

Em razão da suspensão dos pagamentos, Silval disse que não conseguiu mais liberar o dinheiro dos precatórios e, consequentemente, não quitou toda a dívida deixada pelo grupo político de Maggicom Piran, “oportunidade em que tomei conhecimento de que Valdir Piran passou a procurar Blairo Maggi e importuná-lo para receber tal débito”,

 

“Em razão dessas cobrança,s Blairo Maggi me procurou pedindo para quitar o débito com Valdir Piran, sendo que consegui quitar tal dívida somente no ano de 2014, por meio dos recebimentos de propinas de outras empresas”, disse.

 

Silval garantiu que Maggi não só tinha ciência de que Eder Moraes quitaria a dívida com Valdir Piran, através de recebimentos de propinas pagos pela construtora,” como também autorizou Eder Moraes a negociar com a empresa sobre os respectivos ‘retornos’".

 

“Valdir Piran também tinha ciência que a dívida com ele contraída seria paga toda através dos recebimentos de propinas oriundas da Andrade Gutierrez”, completou.

 

Veja fac-símile de trecho da delação:

 

print precatorios andrade piran

 

 

Outro lado

 

O empresário Valdir Piran afirmou que as acusações de Silval não têm provas, e que ele nunca teve qualquer relação com o ex-governador Blairo Maggi.

 

Leia a íntegra da nota:

 

"O empresário Valdir Piran é sócio fundador há mais de 24 [vinte e quatro] anos do Grupo Piran, onde nunca compactuou com qualquer tipo de ilícito, tampouco se furtou a qualquer encargo ou responsabilidade, seja de cunho moral ou profissional, sempre agindo dentro da lei;
 
2. Causa estranheza o conteúdo dos depoimentos prestados pelo Delator Silval Barbosa onde, sem qualquer lastro probatório mínimo, insinuou que teria “assumido” divida pelo Ministro Blairo Maggi junto ao empresário Valdir Piran;
 
3. É lamentável que esse tipo de Delação unilateral e seletiva, coloque em dúvida a credibilidade e a imagem de pessoas, como é o caso;
 
4. O empresário Valdir Piran afirma que não teve qualquer tipo de relacionamento pessoal, comercial ou político com o Ministro Blairo Maggi durante os seus 02 [dois] mandatos como Governador do Estado. Inclusive, as empresas do Grupo Piran nunca tiveram qualquer tipo de relação com o Governo do Estado  e muito menos com a União.
 
5. A supracitada Delação, no que tange a suposta dívida assumida pelo Delator sem qualquer comprovação de origem ou lapso temporal, demonstra a leviandade e irresponsabilidade deste que ardilosamente buscou se eximir de suas responsabilidades;
 
6. Com relação às pessoas citadas na Delação, o empresário Valdir Piran esclarece ainda que, não possui contato político ou de qualquer natureza com o Governador do Estado, Pedro Taques, e tampouco com o Deputado Estadual, Guilherme Maluf;
 
7. Igualmente, assevera que não conhece o Delator Silvio Corrêa e muito menos os proprietários da empresa Avançar Tecnologia;
 
8. Tais ilações infundadas não passam de fatos desconexos, insinuações vazias e generalizadas, não passando de acusações lacônicas criadas pelo Delator, revelando apenas estratégia para fins de livrar-se de sua responsabilidade penal, onde imputou descabidamente fatos a terceiros, como se àqueles pudessem responder pelos fatos por ele praticados;
 
9. O empresário Valdir Piran está com sua consciência tranquila, estando inteiramente à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos."

 

Fonte: Midia News

FACEBOOK