Paranatinga, 17 de Novembro de 2018

Política

Ex-candidata LGBT critica público gay e declara voto em Bolsonaro

URNAS E PRECONCEITO | 13/10/2018 09:11:08


 

A servidora pública Madona Arruda (PPS), que concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, disse que nunca foi tão hostilizada por ser LGBT quanto durante a campanha eleitoral deste ano. E embora o senso comum pudesse indicar que ela esteja apoiando o candidato Fernando Haddad (PT) - que tem uma agenda mais progressista -, a servidora diz que seu voto é de Jair Bolsonaro (PSL).

 

Madona, que não conseguiu se eleger, chegou a registrar um boletim de ocorrência contra discursos de ódio e até ameaça de morte proferidos por internautas em seu perfil no Facebook.

 

Vamos deixar eles [petistas] voltarem porque você tem medo do Bolsonaro ser homofóbico?

 

“Eu nunca recebi tanta agressividade como agora. Mas é o preço que terei que pagar. Eu vim de uma política nova, eu saí 20 dias falando com 400 pessoas por dia. Foram três mandados do PT [...] Agora vamos deixar eles [petistas] voltarem porque você tem medo do Bolsonaro ser homofóbico?”, questionou. "Eu estou defendendo o Bolsonaro porque não quero o PT", disse.

 

Esta foi a primeira vez que Madona Arruda se candidatou a um cargo eletivo. Ela conta que precisou apagar mais de 90 comentários agressivos no seu Facebook.

 

 

 

Ao ser questionada sobre uma possível vitória do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), e sobre eventuais consequências que isso acarretaria aos LGBTs, Madona é enfática: “Os caras acham que quando o Bolsonaro ganhar vão poder colocar um revólver na cintura e sair dando tapa na cara. Eles estão confundindo. Talvez porque o próprio candidato no começo passava agressividade. Mas os caras do PT são iguais”, criticou.

 

Para Madona, caso eleito, Bolsonaro terá que trabalhar para desfazer a imagem de uma pessoa que incita a violência. 

 

“Se o presidente [Bolsonaro] pregou toda essa raiva e quiser, hoje, um Brasil melhor, ele vai ter que descontruir aquela imagem que passou no começo para ser um bom líder”, analisou.

 

 

 

Falta de união

 

Nenhum dos seis candidatos LGBTs assumidos que concorreram a uma vaga eleitva em Mato Grosso conseguiu ser eleito.

 

Para a servidora, dois deles - o candidato a deputado estadual Maurício Gomes (PSB) e o candidato à Câmara Federal, Ícaro Reveles (PSB) - tinham grandes chances. No entanto, segundo ela, isso não aconteceu devido à falta de união da classe.

 

“Nós somos 60 mil LGBTs em Mato Grosso. Nós conseguiríamos fazer um federal e dois estaduais. Mas eles não tiveram voto expressivo. Estão preocupados com Bolsonaro, mas não tiveram a preocupação de se unir e fazer um candidato para defender a eles mesmos?”, questionou.

 

“Sabe aquele cara que é preto e racista? Tem o cara que é gay, xinga os amigos gays, mas se alguém falar ‘bichinha’, ele processa. Esse tipo de coisa tem que terminar. Falta tolerância”, afirmou. 

 

“Eles [a comunidade LGBT] se unem para fazer festa. Tem umas 12 pessoas que realmente levam a sério a causa, que vão atrás quando tem algum travesti precisa de ajuda, mas o resto é folia e festa", afirmou.

 

 

Madona recebeu 634 votos, mas não foi o suficiente para conseguir ocupar uma cadeira na Casa de Leis.

 

Um dos principais projetos coordenados por ela é a “Casa Colorida”, para abrigar pessoas LGBTs em situação de vulnerabilidade social.

 

 

Fonte: Mídia News

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