Paranatinga, 22 de Junho de 2018

Política

Empresa acusada de propina recebeu R$ 28 mi na atual gestão

28 milhões | 01/04/2018 17:06:49


DA REDAÇÃO

A empresa Elza Ferreira dos Santos Serviços EPP (Seligel), acusada pela ex-primeira-dama Roseli Barbosa de pagar propina na gestão passada, já recebeu um total de R$ 28,7 milhões na atual gestão do Governo do Estado.

 

O alegado esquema de propina foi denunciado por Roseli, esposa do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), na delação feita por ela à Procuradoria Geral da República (PGR), homologada no dia 9 de agosto pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) – veja o vídeo ao final da matéria.

 

Além de Roseli e Silval, também delataram dezenas de esquemas de corrupção na última gestão o filho do casal, Rodrigo Barbosa, o empresário Antônio Barbosa, irmão do ex-governador, e o ex-assessor de Silval, Silvio Araújo.

 

Conforme levantamento feito pelo MidiaNews, com base em dados do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças de Mato Grosso (Fiplan), a empresa recebeu os R$ 28,7 milhões nesta gestão por meio de contratos com a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e Fundação Universidade do Estado de Mato Grosso (Funemat).

 

 

Os contratos envolvem desde movimentação e supervisão de mercadorias até serviços de limpeza nos respectivos órgãos públicos. Foram pagos à empresa R$ 17,9 milhões em 2015, R$ 9,7 milhões em 2016 e R$ 1,1 milhão neste ano, até o momento.

 

 

Eu também usei parte de tal montante para custear despesas pessoais, porém não sei especificar quais

Na gestão de Silval, a Seligel recebeu um total de R$ 72,1 milhões, de 2010 a 2014. A empresa tem como representante Eleuzino Ataíde Passos, esposo de Elza Ferreira.

 

A Seligel já é investigada pelo Ministério Público Estadual (MPE) por conta dos contratos firmados na Setas durante a gestão de Roseli.

 

Roseli Barbosa, que foi secretária da Setas, detalhou, em seus depoimentos, que a Seligel possuía um contrato de limpeza com a Pasta desde 2009, que vinha sendo aditivado ao longo dos anos.

 

“Eu tomei ciência através de Rodrigo de Marchi [ex-assessor de Roseli], acredito que por volta do ano de 2011, que o proprietário da empresa Elza Ferreira dos Santos Serviços vinha efetuando um repasse de propina no valor de R$ 10 mil desde a gestão anterior a fim de auxiliar nas despesas extras do gabinete”.

 

A então secretária disse que autorizou Rodrigo de Marchi a continuar recebendo os valores da propina. De acordo com Roseli, o ex-assessor recebia o montante e usava parte do dinheiro para custear algumas demandas da Setas, sendo que o restante era repassado a ela.

 

“Além de custear igualmente algumas despesas extras da secretaria, como pedidos de vendas de convites, rifas, auxílio na compra de passagens solicitadas, pagamento do papai noel mensal, mesmo fora do período de Natal, eu também usei parte de tal montante para custear despesas pessoais, porém não sei especificar quais”.

 

 

A ex-primeira-dama disse que não conhece o dono da empresa, pois nunca manteve contato direto com ele.

 

“Tenho ciência que a empresa Elza Ferreira dos Santos Serviços EPP efetuou esses repasses para Rodrigo de Marchi desde meados do ano de 2011 até quando eu deixei a secretaria no mês de fevereiro de 2014. Não sei, contudo, se os repasses continuaram mesmo após a minha saída da pasta”.

 

Roseli detalhou que a propina paga pela empresa não tinha uma regularidade, mas que era sempre paga após a Setas fazer o repasse dos valores do contrato.

 

“Eu também não sei mensurar o valor total que foi entregue a Rodrigo de Marchi pelo proprietário da empresa Elza Ferreira dos Santos Serviços, porquanto os

repasses ocorriam somente quando a empresa recebia o pagamento do governo por conta do seu contrato, sendo que tais valores eram utilizados com prioridade para atender as despesas da secretaria e eventualmente utilizados para pagamentos de minhas despesas pessoais, não ficando na posse de Rodrigo de Marchi”.

 

A ex-secretária também disse que não sabe se além de seu ex-assessor havia algum outro servidor na Setas que recebia propina da Seligel.

 

Em 2015, Roseli chegou a ser presa durante a 2ª fase da Operação Arqueiro, acusada de chefiar um esquema de fraudes e propina na Setas.

 

De acordo com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), foram desviados R$ 2,8 milhões da secretaria, por meio de fraudes no convênio com o Instituto Concluir, do empresário e delator Paulo Lemes.

 

Outro lado

 

A redação não conseguiu entrar em contato com o empresário Eleuzino Ataíde Passos, representante da Seligel.

 

A Setas informou, em nota, que a Seligel prestou serviços na secretaria de 2012 a 2017, "cujo objeto foi a prestação de serviços de fornecimento de mão de obra para as Unidade do SINE em Cuiabá e Rondonópolis, tendo expirado o contrato em 21/07/2017".

 

De acordo com a nota, na atual gestão foi pago o valor de R$ 4.492.439,05 à empresa, "não havendo neste período qualquer notícia ou comunicação de envolvimento a empresa em irregularidades durante a execução deste contrato".

 

"Quanto aos fatos noticiados, por meio de delação premiada, a apuração está sendo feita pelos órgãos competentes. Atualmente, a empresa não possui nenhum contrato vigente com a Setas, tendo apenas valores a receber remanescentes do contrato".

 

 

Fonte: Mídia News

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