Paranatinga, 19 de Novembro de 2017

Política

"Desejo de Deus", diz Fabris sobre os 40 dias em que ficou preso

40 DIAS PRESO | 06/11/2017 13:24:15


O deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) declarou, na manhã desta segunda-feira (6), que os 40 dias em que passou preso foram “desejo de Deus”.

 

O parlamentar afirmou que a detenção foi uma oportunidade para que pudesse refletir sobre a vida.

 

Fabris esteve preso no Centro de Custódia da Capital (CCC), de 15 de setembro a 25 de outubro. Ele foi detido durante a Operação Malebolge, uma das fases da Ararath. O parlamentar é acusado de obstruir as investigações.

 

A gente repensa a vida, porque às vezes você está aqui fora e é muito intolerante, às vezes você chega a ser arrogante

O deputado conseguiu a liberdade após decisão dos deputados estaduais, que votaram por unanimidade, na Assembleia Legislativa, pela soltura dele. A decisão também devolveu o mandato a Fabris no Legislativo estadual.

 

“Eu não estou revoltado com essa demora jurídica, até porque o procurador da Assembleia é uma pessoa do bem, da qual tenho muito respeito. Só que, às vezes, pouca gente tinha conhecimento sobre essa questão, então havia necessidade de um esclarecimento melhor, porque meu processo corria em sigilo de Justiça e demorou para chegar na casa”, disse, em entrevista à rádio Capital FM.

 

“E como se tratou do primeiro caso na Assembleia, houve essa demora e eu deposito isso no desejo de Deus - e que esses 40 dias era para que eu repensasse um pouco a minha vida, e lá era para eu ficar. Então, não tem razão de eu estar magoado com A ou B. E foi essa história, o que basta é tocar a vida e trabalhar”, acrescentou.

 

Ele comentou que analisou toda a sua vida durante o período em que permaneceu no CCC. Segundo Fabris, os dias que passou detido serviram para rever posturas e atitudes que costumava tomar.

 

Estou de cabeça erguida. Não levei nada. Não saí com nada e não tinha documento a esconder

“A gente repensa a vida, porque às vezes você está aqui fora e é muito intolerante, às vezes você chega a ser arrogante. Aí você vê que, no fundo, é preciso ter mais Deus no coração e tem que se dedicar mais a ele. Lá eu me apeguei bastante naquilo que eu tinha como força do momento, que era Deus. E assim a gente vai aprendendo”, contou.

 

“Se Deus não quisesse que eu passasse esses 40 dias, ele teria aberto os olhos daqueles que estavam cuidando da parte jurídica e eu teria saído antes, porque a Legislação permitiria. Eu conseguiria sair em 48 horas, até porque não cometi crime nenhum”, completou.

 

Fabris disse que não cometeu nenhum crime e não havia motivos para que ele permanecesse detido durante mais de um mês. Ele justificou o motivo de ter saído de sua residência antes de a Polícia Federal chegar ao local.

 

Houve a suspeita de que Fabris tivesse sido comunicado da operação e saiu de sua residência levando documentos, antes do cumprimento de mandado de busca e apreensão.

 

"Cabelo emaranhado"

 

“Estou de cabeça erguida. Não levei nada. Não saí com nada e não tinha documento a esconder. Eu levanto cedo mesmo em minha casa. Talvez o traje que saí, talvez o meu cabelo emaranhado ou a pasta que eu carregava deu a entender que eu estaria fugindo ou tentando fazer qualquer coisa, mas não foi o que aconteceu. Tanto é verdade que assim que foi decretada a minha prisão, eu me apresentei”, afirmou.

 

O deputado estadual ainda disse que nunca tentou prejudicar as investigações da Polícia Federal e sempre agiu conforme a Lei.

 

“Questão da Justiça, se cumpre. Todas as vezes em que me disseram que eu era deputado e poderia marcar a hora e local para ser ouvido, nunca utilizei disso. Todas as vezes, compareço onde for necessário para colaborar com a Justiça”.

 

“Não seria desta vez que isso iria acontecer. Mas aconteceu e acharam que era fuga. Se eu estivesse fugindo, não teria ido para locais públicos. Também não culpo aqueles que fizeram relatório, porque eles não são obrigados a entender as manias do deputado”, asseverou.

 

Prisão

 

Fabris foi preso um dia após a deflagração da Operação Malebolge, da Polícia Federal, que investigou fatos relacionados à delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, de sua família e de seu ex-assessor Silvio Araújo.

 

Conforme a PF, Fabris obstruiu a investigação por supostamente ter sido informado antecipadamente a respeito da operação. Ele deixou seu apartamento, em Cuiabá, meia hora antes da chegada dos policiais federais,  o que fez a PF entender que ele tinha informação privilegiada.

 

O parlamentar foi citado por Silval como um dos deputados a quem ele pagava mensalinho para a aprovação de projetos de interesse do Executivo.

 

Revogação da prisão

 

A votação que determinou a soltura de Gilmar teve como base o recente entendimento do Supremo Tribunal Federal que decidiu que as casas legislativas têm o direito de votar sobre prisões e medidas cautelares impostas contra parlamentares.

Fonte: Midia News

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