Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Política

Caso poderia ter sido esclarecido com mais 24h, diz delegada

CHANCE PERDIDA NOS GRAMPOS | 19/10/2017 12:46:01


A delegada Ana Cristina Feldner, uma das responsáveis pelas investigações relativas ao escândalo das escutas ilegais em Mato Grosso, afirmou que caso a Polícia Civil tivesse mais 24 horas à frente do caso poderia avançar ou, até mesmo, chegar a um desfecho.

 

Segundo ela, uma diligência que estava em curso no dia da interrupção das investigações, se concluída, poderia indicar a origem e os mandantes do esquema.

 

A declaração foi feita ao MidiaNews nesta quarta-feira (18), dois dias após ela e o delegado Flávio Stringueta serem notificados da decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que avocou todos os procedimentos investigatórios relacionados aos grampos. 

 

Estávamos, na segunda-feira, no desenrolar de acontecimentos de uma diligência que poderia culminar no fechamento, ou na celeridade do fechamento do caso

A decisão foi motivada por um pedido do governador Pedro Taques (PSDB), que foi citado em denúncia feita pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Como o chefe do Executivo tem foro especial por prerrogativa de função, deve ser investigado pelo STJ.

 

“Nós estávamos investigando e conseguimos um deslanchar, um avanço muito grande, que seriam substanciais para a investigação. Ao ponto que, quando recebemos a notícia da decisão do STJ, via imprensa, ficamos surpresos e entendemos, naquele momento, que a investigação poderia ter um prejuízo”, disse.

 

“Porque nós já estávamos, na segunda-feira [16], no desenrolar de acontecimentos de uma diligência que poderia culminar no fechamento, ou na celeridade do desfecho do caso”, completou Feldner, sem citar qual seria a diligência.

 

“Como a gente já estava desenvolvendo essa diligência, nós solicitamos um prazo de 24 horas, porque entendíamos que 24 horas seriam suficiente, mesmo que trabalhássemos de forma incessante, para concluir essa diligência que já havia sido iniciada”, relatou.

 

“Infelizmente não foi concedida essa solicitação. Acreditamos que, se conseguíssemos concluir essa diligência, teríamos um grande avanço na investigação”, disse.

 

A delegada disse, porém, não acreditar que a investigação fique comprometida com o encaminhamento dos inquéritos para o STJ.

  

“Eu acredito que onde quer que esteja existe a possibilidade de um bom êxito. Apenas a doutrina policial nos diz que quanto mais próximo do local do fato, do distrito da culpa, é mais fácil você colher informações. Só que não é pelo fato de estar em Brasília que irá impedir, mas pode atrasar, isso é a lógica”, pontuou. 

 

O esquema

 

Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, um grupo de oficiais da Polícia Militar criou um Núcleo de Inteligência da Polícia Militar para operar as interceptações clandestinas, por meio da barriga de aluguel. Este grupo seria liderado pelo coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da corporação.

 

Na organização, conforme o MPE, o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, tinha a incumbência de garantir a estruturação do núcleo, através do coronel Ronelson Barros.

 

Já os cabos Gérson Corrêa e Euclides Torezan tinham a missão de “garantir a elaboração de projeto que assegurasse a viabilidade técnica de funcionamento dos equipamentos que seriam empregados nas escutas ilegais”.

 

Entre as personalidades grampeadas, conforme as investigações, estavam a deputada Janaina Riva (PMDB); o jornalista José Marcondes “Muvuca”, então candidato ao Governo; e o advogado José do Patrocínio, coordenador jurídico do, à época, candidato Lúdio Cabral (PT).

 

Também consta na denúncia do MPE que Zaqueu, Barros e Corrêa falsificaram documentos para obter autorização de quebras de sigilo telefônico pela Justiça.

 

Outro acusado pelo esquema é o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques. Ele teria conseguido incluir números de telefones de sua ex-amante e de sua secretária no âmbito de duas investigações da Polícia Civil.

 

Esdras

 

As investigações sobre os grampos tiveram desdobramentos com a operação Esdras, desencadeada para prender um grupo que tramava obter a suspeição de Perri na investigação sobre as escutas ilegais.

 

Foram presos os então secretários de Segurança Pública, Rogers Jarbas e de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira - já exonerados -, os ex-secretários Paulo Taques e Evandro Lesco. 

 

Tiveram a prisão decretada ainda a personal trainer Helen Christy Carvalho Dias Lesco, esposa de Lesco; o major Michel Ferronato; o sargento João Ricardo Soler e o empresário José Marilson da Silva.

 

Este último já obteve liberdade, em razão de estar colaborando com as investigações.

 

O nome da operação é uma referência ao personagem Esdras ("Aquele que ajuda, Ajudador, Auxiliador"), da tradição judaico-cristã. Ele liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram de Babilónia em 457 a.C. . Descendente de Arão, o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, Esdras era escriba (copista da lei de Moisés) entendido na lei de Moisés.

 

Fonte: Midia News

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