Paranatinga, 16 de Agosto de 2018

Política

Advogado de Dóia diz ter achado bala em escritório e vê ameaça

APÓS DELAÇÃO | 22/05/2018 21:43:11


O advogado Ivo Marcelo Spinola da Rosa, que faz a defesa do ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o “Dóia”, afirmou que encontrou uma bala de pistola calibre 40 no chão de seu escritório pouco após seu cliente firmar delação premiada.

 

A delação de Dóia foi uma das responsáveis pela deflagração da Operação Bereré, que apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito do Detran-MT, na ordem de R$ 30 milhões, que operou de 2009 a 2015.

 

Os depoimentos de Dóia ao Ministério Público Estadual (MPE) foram dados no final de 2015, ocasião em que confessou e detalhou o funcionamento do esquema e da organização criminosa.

 

A suposta ameaça ao advogado ocorreu no dia 15 de fevereiro de 2016, poucos meses após a delação ter sido finalizada.

 

Ivo Spinola contou que naquela data, ao chegar no escritório, notou que havia um projétil (bala) de uma pistola calibre 40 no chão, sendo que não havia nenhuma perfuração no escritório, dando a entender que alguém havia entrado no local e deixado a bala no chão como um “recado”.

 

“Um investigador de nome Carlos Eduardo que estava chegando num escritório próximo fez uma averiguação no local e recolheu a cápsula. O investigador trabalha no Cisc Planalto. Foi entregue nesta Depol [Delegacia de Polícia] um projétil para pericia”, diz trecho do Boletim de Ocorrência.

 

O fato também foi comunicado, à época, à Delegacia Fazendária, que realizava as investigações relativas ao esquema da Bereré.

 

No ofício à Delegacia, o advogado afirmou que tratou do caso no dia seguinte com o procurador Antônio Sérgio Piedade, do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), que participou das tratativas da delação.

 

“Foi despontada a possibilidade de tentativa de intimidação com ameaça consumada contra o Patrono do Delator, que ao chegar para abrir o escritório, aproximadamente às 7hs da manhã do dia 15/02/2016, encontrou um projetil já deflagrado na entrada de sua garagem. Sendo que não havia nenhum tipo de dano na sua fachada que é totalmente de vidro”, relatou Ivo Spinola, no documento.

 

A operação

 

A segunda fase da Operação Bereré resultou na prisão dos seguintes alvos: o deputado estadual Mauro Savi (DEM); o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques e seu irmão Pedro Jorge Taques; os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, proprietários da Santos Treinamento; e o empresário José Kobori, ex-diretor-presidente da EIG Mercados.

 

De acordo com as investigações, entre os meses de julho e agosto do ano de 2009, quando Teodoro Moreira Lopes o “Dóia” ocupava o cargo de presidente do Detran, foi convocado para uma reunião no gabinete do deputado Mauro Savi. No local estavam presentes, além do parlamentar, Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, ambos investigados no caso.

 

Na ocasião, Marcelo Silva e Roque Anildo teriam oferecido a Dóia a execução da atividade de registro junto ao Detran dos contratos de financiamento de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil, de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor dizendo que apresentariam ao então presidente da EIG Mercados.

 

Conforme, o MPE, na ocasião a empresa se oferecia a formular contrato administrativo com o Detran para prestar o serviço de registro de contratos junto à entidade de trânsito. Na oportunidade, um dos sócios da empresa, a fim de garantir a prestação de serviços, teria se comprometido a repassar o valor equivalente ao pagamento de um mês às campanhas eleitorais do deputado Mauro Savi e do então governador Silval Barbosa.

 

Os promotores dizem que a promessa teria sido cumprida no valor de R$ 750 mil para cada um dos candidatos, logo após a assinatura do contrato.

 

Para que a empresa fosse a vencedora do edital, na época o antigo presidente do Detran determinou que a comissão de licitações do Detran confeccionasse o edital de licitação nos mesmos moldes que a empresa FLD Fidúcia - hoje EIG Mercados - já havia vencido no Piauí. Desde então, segundo o MPE, a empresa é responsável pelo pagamento de propinas a organização ciminosa.

 

O advogado Ivo Spinola

  

Consta nas investigações que após a assinatura do contrato administrativo, "Mauro Savi, Claudemir Pereira dos Santos, Teodoro Lopes e outros investigados se organizaram a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede de proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias da parte da FDL, propina na ordem de 30% (trinta por cento) do valor recebido pela FDL do Detran repassado por intermédio de empresas fantasmas que foram criadas em nome dos integrantes da rede de proteção do contrato".

 

"Esquema que teve continuidade com a mudança de Governo e a participação de Paulo César Zamar Taques e seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques", afirmou o MPE.

  

Os promotores explicam que no ano de 2015 - quando Silval da Barbosa deu lugar ao atual governador Pedro Taques -, ao ter informações do esquema de recebimento de propinas operado dentro do Detran, Paulo Taques e Pedro Zamar Taques - primos do governador - apropriaram-se do esquema de recebimentos,  com ajuda de Valter José Kobori.

  

Em depoimento colhido junto a um dos proprietários da empresa EIG Mercados Ltda, foi revelado ao MPE que após acertar os pagamentos com a antiga gestão Silval Barbosa a EIG Mercados contratou Valter Kobori como CEO (Chief Executive Officer). Desde então seria ele a pessoa responsável em receber pessoalmente a propina sob título de bônus pelos serviços pessoais prestados a empresa e repassar o dinheiro para Paulo Taques.

 

Segundo o depoimento as negociações foram feitas antes mesmo do resultado das eleições de 2014 onde Valter Kobori já havia combinado com Paulo Cesar Zamar Taques o auxílio para manutenção do esquema.

 

 

 

Fonte: Midia News

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