Paranatinga, 14 de Dezembro de 2017

Polícia

Juiz de MT suspeita de participação de deputado do RJ na morte de fiscal na década de 80

MISTERIO DE 33 ANOS | 19/11/2017 15:19:43


O juiz Marcos Faleiros, da 7ª Vara Criminal, repercutiu uma reportagem sobre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado estadual Jorge Picciani (PMDB), preso nesta semana em decorrência da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Picciani, porém, foi solto por decisão da Assembleia Legislativa, que tem a prerrogativa de votar se mantém, ou não, a detenção de seus membros.

Picciani viveu em Mato Grosso na década de 80, quando atuou como fiscal da Secretaria de Fazenda. Ele deixou o cargo em função de responder a procedimentos administrativos por esquemas de corrupção. Desde então, retornou ao Rio de Janeiro e ingressou na política, onde passou a ser um dos principais nomes, sendo eleito, por 6 vezes, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Porém, a passagem por Mato Grosso é repleta de polêmicas. Jorge Picciani atuava na região de Rondonópolis na época de um grande esquema envolvendo fiscais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul na comercialização da soja. Além disso, diversos fiscais foram acusados de “vender” 2ª via de notas fiscais para comerciantes, já que na época o sistema não era informatizado.

De acordo com o site Boa Mídia, grupos de fiscais foram formados e se desentenderam por conta de esquemas. Foi quando houve o homicídio de Lauro de Santos Sá, um dos fiscais que atuava na região. “Em 1984, um dos fiscais que participaria do esquema, Lauro dos Santos Sá, simplesmente sumiu. Ninguém sabe o que aconteceu com ele. Em inquérito, a Polícia Civil tratou o caso como homicídio com ocultação de cadáver”, diz a reportagem.

Foi justamente este trecho que chamou a atenção do juiz Marcos Faleiros. Ele é sobrinho de Lauro dos Santos Sá. “O crime nunca foi desvendado. Mato Grosso vivia nas trevas. Se fosse hoje, com certeza os delinquentes seriam punidos”.

Faleiros comentou que suspeita de que o atual presidente da Assembleia esteja envolvido com a morte de seu tio. “Esse Picciani era um fiscal corrupto e suspeito de mandar matar meu tio. E aí, fugiu pro Rio (de Janeiro)”, assinalou.

Apesar da suspeita, dificilmente o caso será reaberto. Devido ao tempo, mais de 33 anos, eventuais testemunhas  não devem colaborar. 

Da mesma forma, o processo administrativo que Picciani respondia foi considerado prescrito. Isso porque, ele praticamente parou quando o então fiscal retornou ao Rio de Janeiro, onde passou a administrar sua fazenda e, posteriormente, ingressou na política.

 

 

Fonte: Folha Max

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