Paranatinga, 16 de Dezembro de 2018

Polícia

DELAÇAO E CONTRADIÇÃO

À PF, 3 ex-secretários contestam Silval e negam terem operado propina para conselheiros de MT

Publicado 02/07/2018 10:31:19


Três ex-secretários do ex-governador Silval Barbosa desmentiram, em depoimento a Polícia Federal no mês de maio, que teriam sido operadores do esquema de propina que teria sido utilizado para beneficiar conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), apontado pelo ex-chefe do executivo estadual em seu acordo de colaboração premiada. Segundo Silval, o dinheiro para pagamento da propina para alguns conselheiros do TCE vinha do contrato da empresa Gendoc com o Governo do Estado.

A empresa era responsável pela digitalização de documentos, e teve contratos com diversas secretarias. Em depoimento à Polícia Federal, os ex-secretários de Fazenda, Marcel de Cursi; Transportes e Pavimentação Urbana, Cinésio Nunes de Oliveira; e extraordinário da Copa, Maurício Souza Guimarães; negaram que soubessem do esquema.

Maurício Guimarães afirmou que a digitalização de documentos era uma preocupação constante dele a frente da Secopa, tendo em vista que a pasta era temporária. Ele destacou que Silval nunca comentou com ele sobre pagamento de propina aos conselheiros.

O ex-secretário também explicou que além do acervo documental da secretaria, também digitalizou documentos relacionados ao futebol mato-grossense, por conta de um convênio feito com a Federação Mato-grossense de Futebol. “Silval Barbosa nunca mencionou ao declarante que precisava obter recursos para pagar propina aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, desconhece essa informação, portanto; que nunca participou de nenhum ato voltado a angariar recursos públicos para atender interesse particular de Silval Barbosa”, disse Maurício.

Cinesio, que comandava a Setpu, atual Sinfra, apontou que a pasta também tinha necessidade de contratar uma empresa para realizar a digitalização dos documentos da pasta, demanda que aumentou após uma chuva ter estragado alguns deles. Ele também negou, em depoimento à Polícia Federal, que conhecesse algum esquema de propina. "Silval Barbosa em nenhum momento pediu ao declarante para aderir a contratação da Gendoc, e o declarante somente decidiu aderir em razão da demanda que já existia; Silval Barbosa nunca comentou com o declarante acerca de acerto de pagamento de propina aos conselheiros do Tribunal de Contas; não tem nenhum conhecimento acerca de tal assunto”, disse o ex-secretário.

O mesmo declarou Marcel de Cursi, que segundo seu depoimento à Polícia Federal, nunca soube de esquema com a Gendoc, para beneficiar conselheiros do TCE, enquanto comandou a Sefaz. Ele chegou a comentar que sofria pressões de diversas pastas para repasses de recursos, mas que nenhuma vez isto ocorreu para obtenção de recursos para pagamento de propina. “No período em que esteve à frente da Sefaz, era comum haver pressão de diversas pastas, órgãos e poderes para o repasse de recursos antes das datas preestabelecidas (dias 05, 15 e 25, referindo aos repasses, respectivamente, de recursos para pagamento de tarifas e de consumo, e tributos; pagamentos de credores, de modo geral; e, por fim, folha de pessoal), mas em nenhum momento sofreu pressão para repassar recursos com o propósito ilícito de viabilizar a obtenção de recursos para pagamento de propina; que também, no período em que esteve á frente da Sefaz, nunca foi informado da existência de suplementação a favor do TCE com a finalidade narrada por Silval Barbosa”, contou.

Em seu acordo de colaboração premiada, Silval Barbosa denunciou ter efetuado do repasse de R$ 53 milhões para seis conselheiros para fazerem "vistas grossas" aos desvios nas obras da Copa e programa MT Integrado. O ex-governador chegou a afirmar que assinou notas promissórias e os conselheiros estão desde setembro do ano passado afastados das funções por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, durante a "Operação Malebolge".

 

 

Fonte: Folha Max

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