Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Mato Grosso

"Todo tipo de parto deveria ser humanizado", afirma especialista

SAÚDE | 22/10/2017 15:45:19


Durante as 40 semanas, em média, da gestação de uma mulher, o momento do nascimento do bebê é escolha fundamental – tanto para saúde e conforto da mãe, quanto para o bebê.

 

Parto domiciliar ou hospitalar – normal e cesárea – estão entre as escolhas. Entretanto, independentemente da alternativa, é preciso que todos sejam “humanizados”. É o que diz a ginecologista e obstetra Alessandra Barbosa.

 

No parto humanizado, a gestante é quem tem o poder escolha: se quer parto normal ou cesariana. A regra é respeitar a fisiologia do parto e manter o conforto da gestante e do bebê.

 

“Tem muita gente que acha que parto humanizado é parto na água, na banheira, e não é. Isso é ‘um jeito de se nascer’. Independente do parto, todos têm que ser assim – tanto a cesárea, quanto o normal: humanizado”, esclarece a especialista. 

 

Tem muita gente que acha que parto humanizado é parto na água, na banheira, e não é. Isso é ‘um jeito de se nascer"

Para a médica, todos os partos deveriam seguir os pilares que sustentam o conceito de “parto humanizado”. Dentre eles, a espera para cortar o cordão umbilical, para que o bebê receba mais sangue da mãe, e o de o recém-nascido se alimentar já na primeira hora de vida.

 

“Antigamente, a paciente chegava e os médicos colocavam ocitocina – um soro pra acelerar o parto. A paciente não podia comer, andar e não tinha direito a um acompanhante. Humanizar, é humanizar o parto em si, sem nenhuma intervenção desnecessária. Só fazer intervenção se precisar, realmente”, explica a médica.

 

A mulher ainda, dentro desse contexto, escolhe em que posição terá o bebê e onde se sente mais confortável: sentada, deitada, de cócoras etc.

 

Massagens, técnicas de respirações, acupuntura e banhos de água quente também são utilizados no parto humanizado. É o que a médica chama de métodos não farmacológicos.

 

E ainda, a gestante tem o direito a receber procedimento anestésico, para sanar a dor. “Antigamente usava-se anestesia, mas não era uma coisa de rotina. O parto humanizado não é um jeito novo de fazer. Na verdade é só respeitar a vontade da paciente”, revela.

 

A violência obstétrica é o avesso do que acontece no parto humanizado. Ela pode acontecer de maneira sutil com ofensas psicológicas à mulher na hora do parto, ou de maneira mais agressiva, como quando o médico se nega a oferecer algum medicamento ou método de alívio para a dor à mulher.

 

Há ainda a negligência de informação acerca de algum procedimento médico que será realizado, como a epsiotomia; e até o extremo da agressão verbal ou física por parte do profissional da saúde. 

 

Medo do parto normal

 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa ideal para partos normais seria o de, no máximo, 15% de cesáreas. No Brasil, essa taxa é de 83% na rede privada e de 37% na rede pública. 

 

A especialista explica que muitas mulheres optam pela cesariana por relatos de sofrimento ou até de violência obstétrica por parte de pessoas próximas e familiares.

 

“A paciente tem medo da dor. Antigamente, os partos eram muito sofridos. Às vezes a mãe teve essas experiências e aconselha a filha a não ter parto normal porque sofreu muito”, afirma.

 

A solução, segundo a médica, já está a caminho: são os plantões 24 horas nas maternidades e hospitais. Nesse regime, independente do momento em que os primeiros indícios de nascimento do bebê aconteça, a mãe estará respaldada por um especialista.

 

“A paciente pode escolher o hospital que ela quer ter o filho. Aqui em Cuiabá, temos três: o Santa Helena, o Santa Rosa e a Femina. Os três têm plantonista 24h, e a paciente pode ter o bebê com o médico do plantão”, orienta.

 

A médica ainda explica que a cultura no Brasil ainda é a de permanecer fiel ao especialista que fez o pré-natal até o parto, contudo não é necessário. “Nos países de Primeiro Mundo não são assim. A paciente vai ao hospital referência e é atendida pelo médico que está lá no dia”,.

 

É importante também, a paciente procurar se orientar com especialistas sobre riscos e benefícios de cada tipo de parto.

 

Parto domiciliar

 

Dentre os vários tipos de parto, há ainda o domiciliar. Este, em que a paciente é conduzida por uma enfermeira, e outros profissionais. 

 

Recentemente, a apresentadora Maíra Charken postou em uma rede social seu relato sobre a frustação de não poder ter tido seu filho em um parto domiciliar. Devido a complicações, a artista teve que desistir do plano, e correr a um hospital.

 

“Em 5 minutos já estava lá, anestesiada, esperando que me cortassem. E deixa eu falar, foi tudo lindo, foi tudo humanizado e respeitoso desde o início e foi o que salvou meu filho!”, contou em seu relato.

 

Para a obstetra, Alessandra Barbosa, esse é o principal risco de partos domiciliar: a falta de estrutura médica.

 

“O parto domiciliar tem mais risco. Em cinco minutos, dentro de um hospital, você consegue salvar a vida da mãe e do bebê. Estando em casa, até transferir essa paciente para um hospital, até que a paciente seja atendida... Pode ser que o bebê nasça mal”.

 

Ela explica que atualmente os hospitais contam com estrutura confortável para o momento do nascimento dos bebês. 

 

“A paciente não precisa ganhar no centro cirúrgico, pode ser em um apartamento  [no hospital] com a luz baixa, com música.. Respeito quem quer ganhar em casa, mas eu não faço, não fico de sobreaviso...”, revela. 

Fonte: MidiaNews

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