Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Mato Grosso

Funcionários de Pupin dizem que foram agredidos por seguranças de Erai

DISPUTA EM FAZENDA | 02/11/2017 15:38:09


Funcionários do Grupo JPupin, do empresário José Pupin, registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil por suposta agressão feita por seguranças do Grupo Bom Futuro, do empresário Eraí Maggi. O fato teria acontecido na fazenda Marabá, em Campo Verde (140 km de Cuiabá), nesta semana.

 

A fazenda é alvo de uma disputa judicial entre os dois grupos. Em julho, a Justiça de São Paulo determinou que a área fosse a leilão em cumprimento ao acordo de recuperação judicial do Grupo JPupin, para pagamento de dívida com o Banco Santander. 

 

A área foi arrematada por R$ 50 milhões por Eraí Maggi, que teria financiado o valor com o próprio Santander, com 10 anos para pagamento e juros de 2% ao ano.

 

Segundo os funcionários, desde a decisão Eraí contratou seguranças armados para proteger a área e impedir o acesso de funcionários do JPupin, que moram em uma vila na  fazenda.

 

No último dia 25, o desembargador Carlos Henrique Abraão, do Tribunal de Justiça de São Paulo, atendeu um pedido de Pupin e anulou o leilão.

 

No boletim de ocorrência nº 358658, os funcionários de Pupin informaram que estavam fazendo reparos na rede elétrica que atende as famílias que residem na fazenda, quando foram abordados pelos seguranças que, de forma ríspida, ordenaram que eles saíssem do local.

 

Ao tentar pegar seu aparelho de telefone para filmar, um dos seguranças deu um tapa no celular vindo a derrubá-lo e em seguida passaram a agredir as vítimas com tapas, chutes e socos

"Ao tentar pegar seu aparelho de telefone para filmar, um dos seguranças deu um tapa no celular vindo a derrubá-lo e em seguida passaram a agredir as vítimas com tapas, chutes e socos”, diz trecho do B.O feito pelo funcionário Fábio Rodrigues de Souza.

 

Em outro boletim de ocorrência registrado em setembro, o funcionário Alexandre Kirchesche relatou que a fazenda foi cercada por sem-terra e os seguranças agiram com violência para expulsá-los de lá.

 

Segundo ele, na ação os seguranças chegaram a arrebentar as cercas da fazenda. A Polícia Militar foi acionada e resolveu a confusão.

 

"Enquanto tirava as fotografias [das cercas arrebentadas] foi abordado pelos seguranças que ordenaram que o declarante entregasse o celular, senão iriam explodir o aparelho na bala. Que os seguranças estavam exaltados e diante da negativa do declarante em lhes entregar seu celular, um dos seguranças desferiu um tiro para o alto, ao que o declarante tentou correr, todavia foi cercado pelos demais seguranças”, diz trecho do B.O.

 

"Fizeram o declarante ficar de joelhos e após ser imobilizado e agredido com socos nas costas e ameaçado de morte, o declarante acabou entregando o aparelho, de onde foi apagado todas as fotografias”, completa o boletim.

 

Ainda de acordo com informações apuradas pelo MidiaNews, na noite de segunda-feira (30), policiais estiveram na fazenda para apurar a denúncia dos funcionários, mas nenhum segurança foi encontrado no local. 

 

Na manhã de terça-feira (31) os seguranças retornaram a fazenda e chegaram a arrombar as portas das residências dos funcionários. 

 

A reportagem entrou em contato com assessoria de imprensa do Grupo Bom Futuro, mas até o fechamento desta matéria, eles não se pronunciaram sobre o caso. 

 

Anulação do leilão

 

A JPupin pediu a anulação por alegar que o procedimento estava com diversas irregularidades, entre elas a ausência de intimação sobre a penhora do bem.

 

Os advogados do empresário também não teriam sido notificados em tempo hábil sobre a designação do leilão. Outro argumento usado pela defesa ainda demonstra irregularidades no edital quanto ao valor mínimo de alienação, mas o pedido foi negado no dia 02 de agosto pelo TJSP.

 

Divulgação

fazenda marabá

Eraí Maggi contratou segurança armada para impedir acesso na fazenda

O acordo judicial firmado entre o Santander e a empresa previa que, em caso de inadimplência, o bem dado em garantia seria adjudicado pelo Santander, hipótese em que as partes elegeriam um avaliador para a fazenda, que, então, deveria ser adquirida pelo Santander pelo valor de avaliação. Mas o juiz da sétima Vara do Foro Central de São Paulo desconsiderou este ponto e levou a fazenda a leilão.

 

Recuperação judicial  

 

O juiz da 1ª Vara Cível de Campo Verde, André Barbosa Guanaes Simões, deferiu o pedido de recuperação judicial do Grupo JPupin, que deverá apresentar à Justiça de Mato Grosso um plano de recuperação no prazo de 60 dias. A decisão é do dia 10 de outubro.

 

Ficou determinada a suspensão de todas as ações e execuções ajuizadas contra o grupo, assim como proibida a venda ou a retirada de quaisquer bens de capital que forem reconhecidos como essenciais à atividade econômica.

 

“O empresário rural, especialmente os do porte dos devedores, tem atividade de tal forma organizada para a produção que depende de um considerável número de empregados, sendo responsável, ainda, por importante geração e circulação de riquezas. Tais predicados, a toda a evidência, estão a evidenciar considerável relevância da atividade rural, merecedora de proteção tal como a industrial ou a comercial”.

Fonte: Midia News

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