Paranatinga, 19 de Agosto de 2017

Mato Grosso

Delação de Silval começa a envolver políticos graúdos do Estado

POLITICA | 12/08/2017 13:19:45


A delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), homologada pelo ministro Luiz Fuz no Supremo Tribunal Federal (STF), começa a trazer à tona nomes de políticos que foram supostamente beneficiados pelos esquemas de corrupção da gestão passada.

 

Além do ministro Blairo Maggi, também estão no centro das revelações o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) e o senador Wellington Fagundes (PR).

 

O ex-governador, que já confessou que era líder da organização criminosa que atuava no Executivo estadual durante sua gestão, firmou acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para revelar fraudes no Estado.

  

Conforme reportagem divulgada pelo Jornal Nacional, na sexta-feira (11), Bezerra e Fagundes foram beneficiados, ilegalmente, com dinheiro dos cofres públicos estaduais. O telejornal divulgou trechos da delação premiada e mencionou que os parlamentares federais foram citados.

 

Segundo a reportagem, Silval teria citado que o deputado federal Carlos Bezerra recebeu R$ 4 milhões para apoiar uma candidatura à Prefeitura de Cuiabá. O nome do candidato ao Alencastro não foi citado.

 

Apontado como um dos possíveis adversários do governador Pedro Taques (PSDB) na disputa ao Governo do Estado em 2018, o senador Wellington Fagundes teria recebido propinas de construtoras. Conforme o telejornal, Barbosa teria revelado que o parlamentar obteve os valores ilegais a título de doações de campanha.

 

Doações da JBS

 

Além da delação de Barbosa, outra complicação para Bezerra e Fagundes se refere à delação da diretoria do grupo J&F, que controla a JBS.

 

Em relatório entregue ao Ministério Público Federal (MPF), durante delação premiada, o diretor do grupo, Ricardo Saud, mencionou o nome do senador e do deputado federal entre os beneficiados com ajuda financeira da empresa durante as eleições de 2014.

 

De acordo com a lista de Saud, Bezerra teria recebido R$ 1 milhão em benefício próprio, que seriam utilizados para sua campanha em 2014. Ele recebeu R$ 500 mil diretamente da JBS e outros R$ 500 mil por intermédio do diretório nacional do PMDB.

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Delação de ex-governador Silval Barbosa envolve diversos políticos do Estado e de outras regiões

 

Além disso, conforme dados do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bezerra também teria, por meio de doações da JBS, entregado dinheiro a membros da coligação do PMDB em 2014.

 

Já Wellington, conforme o relatório de Saud, teria sido o parlamentar de Mato Grosso que mais recebeu verbas da JBS durante as eleições de 2014. Conforme levantamento no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), o parlamentar recebeu R$ 1,4 milhão, dividos em três parcelas, sendo todas por meio do diretório do PR.

 

A primeira ocorreu em 17 de julho de 2014, de R$ 500 mil. Em 17 de setembro do mesmo ano, outra doação de R$ 400 mil foi feita à sua campanha. Em 2 de outubro, três dias antes da eleição, foi feito o último aporte, desta vez de R$ 500 mil, na conta de campanha do republicano.

 

Dos valores que recebeu do frigorífico, Fagundes teria entregue cerca de R$ 34 mil para o então candidato ao governo do Estado, o ex-vereador Lúdio Cabral (PT).

 

Citação a Maggi

 

A reportagem do Jornal Nacional ainda cita que o ministro da Agricultura e também ex-governador do Estado, Blairo Maggi, também é alvo da delação premiada de Silval Barbosa.

 

O peemedebista afirmou que ele e Maggi pagaram R$ 6 milhões ao ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, para que este mudasse sua versão sobre um esquema de corrupção e os inocentasse em depoimento à Justiça.

 

Após o pagamento, conforme a reportagem, Eder acabou mudando de versão. Ele chegou a se retratar do depoimento e pedir que suas declarações não fossem levadas em conta como prova, mas a Justiça negou os pedidos.

 

Revelações de Silval Barbosa

 

As revelações sobre os crimes praticados durante a gestão do peemedebista foi a estratégia adotada pela defesa dele para que o ex-governador conseguisse a liberdade. Ele estava preso desde setembro de 2015, em razão dos crimes contra os cofres públicos, e obteve direito à prisão domiciliar em 13 de junho, logo após confessar os crimes e disponibilizar R$ 46 milhões em bens para a Justiça.

 

Outro lado

 

O MidiaNews entrou em contato com o deputado federal Carlos Bezerra e com o senador Wellington Fagundes, porém não obteve respostas até o fechamento desta reportagem.

 

Fonte: MidiaNews

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