Paranatinga, 18 de Novembro de 2017

Mato Grosso

Blairo orienta Pagot a procurar Eder por dívidas de R$ 130 mi da Sinfra, diz Silval

DELAÇÃO DO FIM | 05/11/2017 17:11:59


O ex-governador e atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) teria determinado que o então secretário da Sinfra, Antonio Pagot, procurasse Eder Moraes para buscar uma solução para quitar dívida de R$ 130 milhões da pasta com construtoras. À época, fim de 2005 e início de 2006, Eder era presidente do MT Fomento e propôs um esquema envolvendo empréstimo bancários.

A revelação foi feita pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), em depoimento à procuradora da República Vanessa Cristhina Scarmagnani, em 12 de maio. A declaração integra seu acordo de colaboração premiada (delação)

De acordo com Silval, Pagot era homem de confiança de Maggi e tinha autonomia para tocar a Sinfra. No entanto, ao decorrer do tempo, acumulou a dívida milionária com construtoras responsáveis pelas obras de pavimentação e recuperação de rodovias e pontes, que realizaram os serviços sem processo licitatório. Como não conseguiu resolver o problema sozinho, Blairo, irritado, mandou o então secretário buscar Eder, que havia trabalhado no Sistema Financeiro por muitos anos.

Foi então que, de acordo com Silval, Eder disse que por meio de uma "engenharia financeira de empréstimos com bancos" o Estado poderia resolver esse problema, sendo que com os empréstimos contraídos pelas construtoras em face das instituições financeiras conseguiriam pagar parte das dívidas. “Cabendo ao Estado garantir as operações financeiras mediante emissão de documentos que comprovassem os créditos que as construtoras mantinham”, diz trecho do depoimento.

Além disso, Eder declarou que na elaboração do orçamento financeiros dos próximos anos o Estado destinaria mais recursos para a Sinfra, para liquidar as dívidas do Estado com as construtoras e delas com as instituições financeiras.

Eder recebeu de Blairo o aval para colocar o plano em prática e entrou em contato com o Bic Banco, Daycoval, BMG, Banco Rural e outros. “O Declarante tem ciência de que alguns representantes dos bancos vieram até o Estado de Mato Grosso, sendo que Blairo Maggi teria se reunido com os presidentes dos bancos e dado ‘carta branca’ para que Eder Moraes falasse e agisse em seu nome”, declara Silval.

Conforme o depoimento, o Bic Banco foi a instituição financeira que mais operou no sistema, pois Eder já havia trabalhado lá. O peemedebista diz que Eder lhe confidenciou que recebia comissões dos bancos por conta das transações.

Silval declara que inicialmente as operações com as instituições financeiras tinham o objetivo de saldar as dívidas com as construtoras. No entanto, com o conhecimento de Blairo, Pagot e do também ex-secretário da Sinfra Vilceu Marchetti (falecido), Eder começou a utilizar do mesmo esquema sempre que necessitava de recursos para a quitação de compromissos assumidos pelo governo.

Saldar dívidas

O ex-governador declara que em 2010, quando assumiu o governo, acumulou R$ 17 milhões de campanha, além de montante deixado por Blairo. Eder, que era seu secretário da Casa Civil, sugeriu a realização de um empréstimo com o Banco Rural.

O ex-secretário orientou Silval a criar uma expectativa com a instituição, para futura parceria com o governo. Com a ajuda de Eder, Silval diz ter se reunido com a presidente do banco, Katia Rabello, em 2010. “Nesse encontro o declarante deixou claro para Katia Rabello que precisaria pagar umas contas da campanha eleitoral, tendo pedido a Katia um empréstimo no valor de R$ 20 milhões a R$ 30milhões perante o Banco Rural, sendo que na reunião o declarante informou que o empréstimo seria implementado através de uma construtora”, diz Silval.

O peemedebista declara que Katia aceitou a proposta. Silval afirma que mesmo o banco tendo solicitado uma garantia real de pagamento, não se lembra se eles adotaram as medidas formais para o empréstimo, como verificar a capacidade econômica da empresa para quitar o valor.

O empréstimo, de acordo com o político, foi feito em nome das empresas de João Carlos Simoni, Construtoras Constil e Todeschini. Em troca, João Carlos pediu que parte do empréstimo fosse utilizado por ele para quitar dívida que havia contraído com o aval do Governo Blairo. Para o empréstimo, o empresário contou com a ajuda de Wanderley Fachetti Torres, da Trimec Engenharia, que se colocou como avalista.

“Que uma vez vencidas as tratativas, a Construtora Todeschini representada por João Carlos Simoni, contraiu com o Banco Rural o financiamento no valor aproximado de R$ 30 milhões, dos quais o declarante acredita que utilizou em tomo de R$ 17 milhões para saldar dívidas da campanha majoritária do ano de 2010”, diz outro trecho do depoimento.

Silval afirma ainda que João Carlos ficou com o restante do empréstimo e que conseguiu pagar entre R$ 16 milhões e R$ 19 milhões do empréstimo com o Banco Rural. Sendo que utilizou “retornos” recebidos das obras da Copa, como do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e Arena Pantanal.

 

 

 
Fonte: RDNews

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