Paranatinga, 16 de Outubro de 2018

Mato Grosso

Arcanjo tem R$ 250 milhões para receber; perdão só no paraíso

CONTABILIDADE DO COMENDADOR | 02/03/2018 20:55:20


O advogado Zaid Arbid, que defende o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, afirmou que seu cliente tem algo em torno de R$ 200 a R$ 250 milhões para receber de empréstimos feitos a políticos e empresários em Mato Grosso.

 

Após 15 anos de prisão, Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto, na última segunda-feira (26). Antes de ser preso, ele era dono de factorings em Cuiabá, entre elas a Confiança, pela qual fazia empréstimos pessoais. 

 

“A Advocacia Geral da União está na posse desses títulos de crédito e vai devolver a João Arcanjo Ribeiro. Se nada foi recebido, é algo em torno de R$ 200 a R$ 250 milhões”, disse Arbid nesta sexta-feira (2), em entrevista ao programa Cadeia Neles (TV Vila Real).

 

Conforme o advogado,  o ex-bicheiro não vai perdoar nenhuma dívida e passará a cobrar assim que receber os títulos.

 

“Não é questão de perdoar. Nós não estamos no paraíso. No paraíso, é que você aplica o pai nosso: você vai perdoar as dívidas e as ofensas. Mas estamos na Terra e tudo na Terra tem que receber para poder pagar”, afirmou.

 

 

Não é questão de perdoar. Nós não estamos no paraíso. No paraíso, é que você aplica o pai nosso: você vai perdoar as dívidas e as ofensas. Mas estamos na terra e tudo na terra tem que receber para poder pagar

Arbid frisou que os empréstimos realizados por Arcanjo ocorreram dentro da legalidade. 

 

“Todas as vezes que João Arcanjo Ribeiro procedeu de algum empréstimo, procedeu de forma lícita. Ele nunca procedeu financiando o ilícito. Então, não teria qualquer delação a fazer porque nunca empreendeu em prejuízo da sociedade. Ele jamais cogitou qualquer acordo porque nunca participou de nenhuma ação e de nenhum grupo criminoso”, disse. 

 

O advogado do ex-bicheiro acredita que ele está em uma nova fase.

 

"Eu vejo um João Arcanjo espiritual, religioso, ainda que tivesse algum rancor, acho que ja eliminou isso. Hoje o propósito dele é com a vida dele, um homem preparado para o bem", pontuou. 

 

Progressão de pena

 

O ex-bicheiro recebeu progressão de pena - do regime fechado para o semiaberto - no último dia 19 de fevereiro, em decisão do juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues.

 

Ele terá que obedecer a uma série de exigências para continuar cumprindo sua pena em sua casa, no Bairro Boa Esperança, em Cuiabá.

 

Entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica. Ele também está proibido de deixar sua casa entre 20h e 6h. Além disso, está proibido de viajar - podendo circular somente pelas cidades de Várzea Grande e Cuiabá.

 

Nos fins de semana, o magistrado permitiu que ele fosse para sua fazenda, chamada "São João", entre Várzea Grande e Jangada.

 

O ex-bicheiro ainda está proibido de ingerir bebidas alcoólicas, portar armas de fogo e arma branca, além de não poder se envolver em qualquer tipo de crime e não frequentar lugares “inapropriados”, como casas de prostituição, casa de jogos e bocas de fumo. 

 

Chefe do crime organizado 

 

Arcanjo foi considerado o chefe do crime organizado nas décadas de 80 e 90 em Mato Grosso.

 

Com penas que somam mais de 70 anos, ele é acusado de vários crimes, entre eles homicídio, contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro, e foi solto depois de cumprir 1/6 da pena.

 

O crime de maior repercussão atribuído a ele é a morte do empresário Domingos Sávio Brandão de Lima Júnior, dono do jornal Folha do Estado, em 2002. Por ser o mandante do crime, Arcanjo foi condenado a 19 anos de prisão.

 

 

Fonte: Midia News

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