Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Judiciário

Nadaf: delegado vazou operação e se negou a fazer “varredura”

“VOCÊ ESTÁ ENROLADO” | 14/08/2017 08:26:20


O ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, afirmou em sua delação premiada que soube que seria preso mais de uma semana antes da deflagração da 1ª fase da Operação Sodoma, no dia 15 de setembro de 2015.

 

A confirmação de que ele estava sendo investigado por crimes de corrupção e propina, segundo ele, foi dada pelo ex-diretor-geral da Policia Judiciaria Civil de Mato Grosso (PJC-MT), Anderson Aparecido dos Anjos Garcia, já aposentado.

 

A revelação consta em um dos depoimentos da colaboração premiada de Nadaf com a Procuradoria Geral da República (PGR), homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, em março deste ano.

 

A oitiva foi conduzida pela procuradora da República Vanessa Scarmagnani na tarde do dia 12 de janeiro, na sede do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso.

MidiaNews

Delegado Anderson Garcia

O delegado aposentado Anderson Garcia, citado por Nadaf em delação

 

A 1ª fase da Sodoma resultou na prisão de Nadaf, do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e do ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi – todos já soltos.

 

Esta fase apura suposto esquema consistente na exigência de propina ao empresário João Batista Rosa, em troca da concessão de incentivos fiscais às empresas do mesmo.

 

Nadaf relatou que, já no final de agosto de 2015, o ex-governador afirmou que estava sendo monitorado, junto com ele e Cursi, por meio de interceptação telefônica.

 

A informação teria sido repassada por um policial que devia favores ao irmão de Silval, Toninho Barbosa.

 

Dias depois, em 5 de setembro daquele ano, Nadaf disse que recebeu uma mensagem de Cursi, via WhatsApp, dizendo que precisava falar urgentemente com ele. Eles então se encontraram em uma praça no bairro Shangri-lá, ocasião em que Cursi teria dito que uma fonte da Secretaria de Fazenda havia o avisado da existência de um pedido de prisão contra ele, Nadaf e Silval.

 

“Nesse período já estava dormindo em Chapada há mais de uma semana, preocupado por já saber que poderia ser preso, além de que desde o dia 1º de setembro ter se licenciado da Fecomércio”, disse Nadaf, citando a entidade a qual presidia na época.

 

Pedido de varredura

 

Após Silval falar sobre as escutas, Nadaf relatou que mandou uma mensagem para o delegado Anderson Garcia, da Polícia Civil, “o qual foi diretor da Polícia Civil e que sempre tratava comigo sobre questões envolvendo pagamento de verbas indenizatórias atrasadas dos delegados e que por causa dessa situação tinham certa proximidade”.

 

“Acredito que no final de agosto de 2015 mandou uma mensagem para Anderson, dizendo que queria com ele se encontrar, tendo Anderson comparecido no mesmo dia na Fecomércio”.

 

Nadaf disse que na reunião pediu para o delegado fazer uma “varredura” em sua sala na Fecomércio, para verificar se havia alguma escuta clandestina, “tendo Anderson dito que iria ver e posteriormente entrar em contato comigo”.

Meu irmão, não tem como fazer varredura para você, porque você já não é mais autoridade, e vou te dizer, você é um investigado, você está enrolado

 

“Anderson pediu cinco dias. Tendo então passado tal período, enviei nova mensagem para Anderson, o qual disse que estava realizando um curso fora, parece que no interior de SP e pediu para procura-lo na semana seguinte”.

 

Nesse meio tempo, como Cursi já havia o avisado da prisão, Nadaf afirmou que voltou a falar com o delegado, mas disse que não era para se encontrarem na Fecomércio, mas na Academia de Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (Acadepol), no Bairro Tijucal, em Cuiabá.

 

“Fui até o local, e disse antes a Anderson, via aplicativo WhatsApp, que ia desligar o telefone, pois já sabia que estava sendo monitorado”.

 

O encontro ocorreu na tarde de 14 de setembro, um dia antes da data da operação. Segundo Nadaf, quando chegou na Acadepol, Anderson conversou com ele por três minutos e contou que Nadaf estava sendo investigado.

 

“Meu irmão, não tem como fazer varredura para você, porque você já não é mais autoridade, e vou te dizer, você é um investigado, você está enrolado”, teria dito o delegado, segundo contou Nadaf.

 

O ex-secretário disse que ficou tão abalado que não quis dar continuidade à conversa.

 

Veja fac-símile de trecho da delação:

 

print delação nadaf delegado anderson

 

 

Vazamento de informações

 

O alegado vazamento da operação por parte do delegado já é investigado desde fevereiro de 2016 pela Corregedoria da Polícia Civil.

 

As suspeitas foram iniciadas com a perícia feita no telefone celular de Nadaf, que mostrou as conversas mantidas entre Nadaf e Anderson pelo WhatsApp.

 

De acordo com o relatório técnico, a conversa foi excluída do aparelho celular de Nadaf, revelando assim a intenção de manter o diálogo às escondidas. 

 

O relatório ainda declara que Anderson Garcia foi nomeado como delegado-geral da PJC, em 2012, pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

 

Na ocasião, ao MidiaNews, o delegado negou que tivesse informações sobre a deflagração da operação e que a tenha “vazado” ao ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf.

 

“Como é que eu vou ter acesso à Operação Sodoma se estou há um ano e dois meses na Academia de Polícia? Como vou ter acesso a uma operação que corre em sigilo. Então, não tem nada a ver, é descabido. Estou triste, estou p..., porque isso está maculando a minha imagem perante a sociedade”, disse Garcia.

 

Apesar disso, Anderson Garcia confirmou as conversas com Nadaf e que se encontrou com o ex-secretário em 2015.

 

“Eu conversei com o Nadaf. Mas a nossa amizade é estritamente profissional. Ele nunca veio na minha casa e nem eu na dele. Mas ele era um secretário de Estado e eu era o delegado geral à época. Então, é óbvio que tivemos um convívio profissional”, disse.

 

Segundo ele, o encontro foi para troca de informações. Garcia queria pedir conselhos sobre apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) à época de sua gestão na Polícia Civil. Já Nadaf queria saber sobre os procedimentos para a compra de uma arma de fogo.

 

“O que aconteceu é que não colocaram as [conversas] anteriores. O Pedro pediu para ir lá uma vez, porque ele queria saber sobre os procedimentos de aquisição de uma arma longa, de fogo, para levar para o sítio dele ou do amigo dele, não me recordo bem”, afirmou.

 

“Quando fui gestor da Polícia Civil tinha dois apontamentos pelo TCE. E dois apontamentos banais, bobos. Um era a questão da Delegacia Virtual. Por que eu, como gestor, não tinha ampliado o rol de crimes que a população poderia fazer B.O. via sistema virtual. E o segundo apontamento foi porque a analista do TCE foi no 1º DP da Prainha registrar B.O. e só tinha uma pessoa registrando, caiu o sistema e o policial pediu para voltar no dia seguinte”, conta.

 

“E o Pedro Nadaf ocupou vários cargos, já foi ordenador de despesa. E o teor da conversa foi em cima disso. Eu mostrando para ele a resposta que eu tinha encaminhado ao TCE. Perguntei o que ele achava, se ia ter algum tipo e problema, qual sugestão, etc”, disse.

 

Fonte: Mídia News

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