Paranatinga, 22 de Novembro de 2017

Judiciário

Ex-governador é um dos réus "mais perigosos de todos", diz juíza

CHEFE | 16/02/2017 21:42:19


Na decisão que decretou a nova prisão preventiva contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) na Operação Sodoma 5, a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado, afirmou que ele “é sem dúvida, um dos elementos mais perigosos de todos os enredos que têm se apresentando até o momento neste juízo”.  

 

A operação, deflagrada na manhã de terça-feira (14), pela Delegacia Fazendária (Defaz), investiga suposto esquema que teria desviado R$ 8,1 milhões dos cofres do Estado, entre 2011 e 2014, por meio da exigência de propina aos sócios do Auto Posto Marmeleiro e da Saga Comércio e Serviço de Tecnologia e Informática Ltda, Juliano Volpato e Edézio Corrêa, em troca da concessão de contratos e de compras fraudulentas de combustível.

 

A gravidade concreta das infrações penais praticadas e a posição de liderança deste investigado são fatores que se aliam à fundamentação anterior e são suficientes para justificar sua prisão cautelar

Conforme Selma Arruda, o grupo criminoso agiu por "ordem direta" de Silval Barbosa para angariar recursos para pagamento de dívidas de campanha. O ex-governador está preso no Centro de Custódia da Capital (CCC) desde a primeira fase da operação, deflagrada em setembro de 2015. 

 

“A gravidade concreta das infrações penais praticadas e a posição de liderança deste investigado são fatores que se aliam à fundamentação anterior e são suficientes para justificar sua prisão cautelar. Assim, tratando-se do chefe da organização criminosa, isso por si só é bastante relevante para decretação de sua prisão cautelar”, afirmou a magistrada, na decisão.

 

“Influência política”

 

Selma Arruda ainda ressaltou que Silval Barbosa tem grande influência política, sendo que sua possível liberdade poderia prejudicar o andamento das investigações.

 

A juíza citou como exemplo a soltura da esposa do ex-governador, Roseli Barbosa, após a deflagração da operação “Ouro de Tolo”, em 2015.

 

Conforme a magistrada, interceptações telefônicsa confirmaram que Silval ligou para a assessora do então vice e atual presidente da República, Michel Temer (PMDB), e teve como resultado a soltura de Roseli no dia seguinte.

 

“O indiciado utilizou-se de sua influência política para soltar a esposa. Para tanto, não hesitou em ingressar em segundo grau, com o pedido de revogação da prisão preventiva, não sem antes, telefonar insistentemente para a assessoria do chefe de gabinete do vice-presidente da República Michel Temer. No dia seguinte a esta conversa, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, em liminar, concedeu Habeas Corpus e determinou a soltura de Roseli Barbosa”, afirmou a magistrada.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Selma Arruda 050716

A juíza Selma Arruda, que decretou uma nova prisão preventiva contra Silval Barbosa

Selma Arruda também disse que Silval representa grande “ameaça” para os colaboradores e testemunhas dos processos.

 

“Há noticia nos autos que Pedro Nadaf foi abordado por Silval Barbosa, quando ambos estavam presos, que lhe teria questionado quanto sua intenção de celebrar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, e na ocasião, foi advertido por Silval no sentido de não falar com o Ministério Público sem antes discutir o assunto com ele mesmo. Segundo o colaborador Pedro Nadaf, esta afirmação conteve ameaça velada”, pontuou a magistrada.

 

Sodoma 5

 

Além de Silval, tiveram  mandado de prisão decretado o  ex-secretário de Administração, Francisco Faiad; o ex-secretário adjunto de Administração, José Jesus Nunes Cordeiro; o ex-secretário-adjunto executivo da Secretaria Executiva do Núcleo de Trânsito, Transporte e Cidades, Valdisio Juliano Viriato; e o ex-chefe de gabinete do Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo.

 

Na ação, 10 pessoas foram conduzidas coercitivamente. São elas: procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o ex-secretário de Estado Marcel Souza de Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto, o ex-candidato a prefeito de Cuiabá, Lúdio Frank Mendes Cabral, os empresários Wanderley Fachetti Torres, Rafael Yamada Torres, Diego Pereira Marconi, Valdecir Cardoso de Almeida, Wilson Luiz Soares Pereira e Mário Balbino Lemes Júnior.

 

Os suspeitos são investigados em fraudes à licitação, corrupção, peculato e organização criminosa em contratos celebrados entre as empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda. e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática  Ltda., nos anos de 2011 a 2014, com o Governo do Estado de Mato Grosso.

 

Segundo a Polícia Civil apurou, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (Sad) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana  (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

 

As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 a 2014, do Estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas. Com o dinheiro desviado efetuaram pagamento de propinas em benefício da organização criminosa no montante estimado em mais de R$ 7 milhões.

 

Fonte: Mídia News

FACEBOOK