Paranatinga, 19 de Agosto de 2018

Geral

Donos da EIG deram Mercedes blindada de R$ 300 mil a Kobori

BERERÉ | 10/05/2018 23:42:53


Os empresários José Ferreira Neto e José Henrique Neto, sócios da EIG Mercados, afirmaram ter comprado uma Mercedes-Benz blindada, no valor de R$ 300 mil, para o executivo José Kobori, ex-diretor-presidente da empresa.

 

A compra foi feita por exigência de Kobori, que alegou ter sido ameaçado pelo sócio da empresa Santos Treinamento, Roque Reinheimer, por conta da suposta falta de repasses da propina no esquema investigado na Operação Bereré.

 

Kobori e Roque foram presos pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) nesta quarta-feira (09), durante a 2ª fase da operação.

 

A Bereré apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito do Detran-MT, na ordem de R$ 30 milhões, que operou de 2009 a 2015.

 

Segundo as investigações, parte dos valores repassados pelas financeiras à EIG Mercados por conta do contrato com o Detran retornava como propina a políticos, dinheiro esse que era “lavado” pela Santos Treinamento – parceira da EIG no contrato - e por servidores da Assembleia, parentes e amigos dos investigados.

 

De acordo com José Ferreira Neto, que é réu confesso do esquema, Kobori pediu o carro após a EIG parar de pagar propina para a empresa Santos Treinamento, em 2015.

 

Segundo as investigações, a propina foi cessada em razão de a EIG, por meio de Kobori, ter feito novo acordo em 2014 para passar a pagar propina ao advogado e ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, representando a atual gestão, e não mais à Santos, que representava políticos da gestão do ex-governador Silval Barbosa.

 

O então diretor da EIG justificou o pedido por conta de supostas ameaças de Roque Reinheimer, sócio da Santos e que confessou participação no esquema.

 

“Após cessar os pagamentos das propinas com a Santos, Kobori alegava que estava sendo ameaçado por Roque, tendo Kobori pedido para a empresa comprar uma Mercedes E 250 blindada”, disse José Ferreira Neto.

 

O sócio e filho de José Ferreira, José Henrique Gonçalves, também confirmou a situação. Ele disse que Kobori também contava a ele que sofria ameaças do grupo que representava a Santos Treinamento.

 

“Face as ameaças de Roque, Kobori exigiu a compra de um carro blindado (marca Mercedes Bens, modelo E250), pois tinha medo de sua integridade física”.

 

Os sócios trouxeram ao Gaeco a nota fiscal da compra do veículo para provar as alegações.

 

As ameaças

 

Em queixa-crime contra Roque, Kobori relatou que a partir de 2015, depois de analisar a situação da EIG Mercados, decidiu romper o contrato existente com a Santos Treinamento.

 

De acordo com o então diretor da EIG, após a rescisão, os sócios da Santos Treinamento ficaram inconformados e ingressaram na Justiça para manter os repasses mensais, que chegavam na faixa dos R$ 600 mil.

 

Apesar de terem conseguido uma decisão liminar, Kobori recorreu por várias vezes contra a decisão junto aos tribunais superiores.

 

Na queixa-crime, ingressada em 2015, Kobori disse que por conta da judicialização da questão, o empresário Roque Reinheimer (réu confesso do esquema) passou a enviar mensagens para um conhecido seu (Ygor Siqueira), pois sabia que o mesmo repassaria os “recados”.

 

“Nessas mensagens, passou a ameaçar os dois representantes [EIG e Kobori] em uma clara tentativa de coagir os noticiantes a manter o contrato com a empresa Santos Treinamento e Capacitação de Pessoal LTDA”.

 

As mensagens mandadas por Roque Reinheimer a Ygor Siqueira foram registradas no 4º Tabelionato de Notas de Curitiba/PR e anexadas na ação.

 

Na conversa, o sócio da Santos insinua que poderá vazar o pedido de prisão que formulou contra Kobori.

 

 

Face as ameaças de Roque, Kobori exigiu a compra de um carro blindado (marca Mercedes Bens, modelo E250), pois tinha medo de sua integridade física

Roque Reinheimer: “Só assista qual vai ser o final desta briga [...] Mas só assista o barulho nos próximos dias. Ao invés de ele aparecer na Globo como professor vai aparecer de outra forma [...] Este japonês pediu guerra agora vai ter [...] A cada semana ele dá procuração para um advogado, está arrumando a cada dia um obstáculo para passar a ideia dele e realmente acabar com o contrato pra entrar com outra empresa. Vai dar errado porque nós não vamos deixar barato esta disputa. Está muito claro o uso da má-fé de parte deles, quando vai para este lado, só uma coisa é certa, não vai ter ganhador. Botaram na conta do malinha do Zé Henrique e do Japa, zeraram a conta da empresa”.

 

Em outra mensagem, o sócio da Santos disse que tinha o apoio de 10 deputados para a manutenção do contrato e que Kobori levou a situação para o lado pessoal no momento em que demitiu a filha dele.

 

“Como se vê, o representado ameaça os noticiantes numa tentativa desesperada de manter o contrato, mas, além disso, acaba por macular a honra de Parlamentares e da prestigiosa imprensa do Estado do Mato Grosso, eis que, a todo momento, bravateia que o parlamento e a imprensa agem espuriamente em seu favor”.

 

“O representado [Roque] passa então a afirmar que iria levar a briga para o campo político e que assim não seria bom para ninguém pois estaria ‘expondo todos empresa sócios e governo’”.

 

“Bônus”

 

A segunda fase da Operação Bereré, batizada de Bônus, é coordenada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco/Criminal) e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

 

A ação apura um esquema que pode ter desviado R$ 27 milhões por meio de um contrato do Detran com a empresa EIG Mercados.

 

A operação é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

 

 

Fonte: Midia News

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