Paranatinga, 16 de Outubro de 2018

Fato ou Fake

Veja o que é #FATO ou #FAKE na entrevista de Geraldo Alckmin ao G1 e à CBN

FATO OU FAKE NEWS | 04/09/2018 19:07:59


O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, foi o entrevistado do G1 e da CBN nesta terça-feira (4).

 

A série de entrevistas contará com todos os presidenciáveis. Veja o cronograma completo.

 

A entrevista foi mediada pelos jornalistas Cláudia Croitor e Renato Franzini, do G1, Milton Jung e Cássia Godoy, da CBN, e pelo comentarista Gerson Camarotti, do G1 e da CBN.

A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Geraldo Alckmin. Leia:

 

"Todo exame do Ideb, do Saeb, todos os alunos do ensino médio, que faziam junto com o técnico, eram computados. Este ano, eles excluíram"

 

A declaração é #FAKE. Veja o porquê: As escolas de ensino médio técnico participaram do Sistema de Avaliação Básica (Saeb) pela primeira vez em 2017. Contudo, as notas não foram computadas para “manter a comparabilidade da série histórica”, segundo nota técnica divulgada no dia 29 de agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O órgão, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), afirma que o desempenho do Ensino Técnico nunca foi considerado na série histórica do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), desde 1995, e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), iniciada em 2007. O resultado do Saeb é um dos indicadores utilizados pelo Inep para calcular o Ideb, que mede a qualidade do ensino do país e estabelece metas de aprendizado.

 

 

“Nós não tivemos queda [no Ideb]. O estado de São Paulo melhorou. Tanto no ciclo 1 quanto no ciclo 2 subiu a pontuação. É que outros estados subiram um pouco mais”

 

#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: A situação do estado de São Paulo melhorou nos ciclos 1 e 2 do ensino fundamental, mas houve queda no ensino médio. A pontuação da rede estadual de São Paulo na 3ª série do ensino médio caiu na comparação do Ideb 2017 com o de 2015. O resultado do Ideb 2017 foi divulgado nesta segunda-feira (3). SP registrou 3,8 no Ideb 2017 ante 3,9 em 2015. Ou seja, houve uma queda de 0,1 nessa comparação. No Ideb 2011, o estado também já tinha registrado 3,9. Já o ciclo 1, mencionado por Alckmin, se refere à etapa do ensino fundamental que abrange apenas a 4ª série/5º ano. O ciclo 2 do ensino fundamental corresponde à 8ª série/9º ano.

 

Nos ciclos 1 e 2 do ensino fundamental, São Paulo, de fato, não registrou queda na comparação do Ideb 2017 com anos anteriores. Na 4ª série/5º ano, o estado recebeu a pontuação 6,5. O resultado anterior (Ideb 2015) era de 6,4. Não houve pontuação melhor nos anos anteriores.

 

Na 8ª série/9º ano, São Paulo ficou com 4,8 no Ideb 2017. A pontuação também é um pouco acima da registrada na medição anterior, em 2015. Naquele ano, SP ficou com 4,7. Não houve pontuação melhor nos outros anos.

 

“Ensino infantil precisa universalizar. Tem 440 mil crianças ainda fora da pré-escola, crianças de 4 e 5 anos de idade"

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: O número de crianças nessa faixa etária fora da escola consta do relatório do 2º Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação (PNE), divulgado em junho. A meta era de que 100% das crianças do Brasil estivessem matriculadas na pré-escola até 2016, mas 450 mil não foram atendidas.

 

“De cada 100 alunos que entram, 41 não terminam o ensino médio”

 

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Segundo estudo elaborado pelo Movimento Todos pela Educação em abril de 2017, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, 41,5% dos jovens brasileiros de 19 anos não terminam o ensino médio no país. O estudo “Education at a Glance”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), também divulgado em 2017, aponta que, cinco anos após ingressarem no ensino médio, 41% dos estudantes brasileiros abandonam a escola sem se formar.

 

“Nós [São Paulo] fizemos ano passado R$ 5,3 bilhões de superávit primário”

 

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Em 2017, o resultado primário do governo do estado de São Paulo foi de R$ 5,35 bilhões. O dado consta do relatório anual feito pela Secretaria da Fazenda do Estado. Segundo o documento, o valor superou a meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias, que era de R$ 190 milhões, e os resultados alcançados em 2013, 2014 e 2015.

 

“Na maioria dos países do mundo, você tem 70% dos votos no parlamento em dois partidos. No máximo, três. Nós temos 25 partidos na Câmara Federal”

 

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Segundo os pesquisadores Michael Gallagher e Paul Mitchell, do Departamento de Ciência Política da Universidade Trinity, na Irlanda, o Brasil é o país com a maior fragmentação partidária na Câmara dos Deputados em todo mundo. Foram analisadas 1.400 eleições em cerca de 140 países, de 1919 a março de 2018.

 

A Câmara dos Deputados tem 513 parlamentares divididos em 25 partidos na atual configuração. As três maiores siglas, PT, MDB e PSDB, somam 31% dos votos dos parlamentares.

 

Já um mapa interativo produzido pelo QoG Institute, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, mostra que a maior parte de 36 democracias pesquisadas conta com dois a quatro partidos com votação efetiva em seus sistemas de governo. Os dados são referentes a 2011.

 

 

No Reino Unido, dez siglas têm representantes no parlamento, mas apenas duas delas, o Partido Conservador e o Partido Trabalhista, representam mais de 80% dos votos. O mesmo ocorre nos Estados Unidos. Embora não existam apenas dois partidos, os 429 membros do Congresso são ou republicanos ou democratas. Na França, 577 deputados estão distribuídos entre 16 partidos. Os dois maiores, no entanto, "A República em Marcha" e a "Frente Nacional", concentram 70% dos votos. Na Itália, também ultrapassa a marca de 70%, com o Movimento 5 Estrelas, Liga Norte e Partido Democrático (PD). A fragmentação é maior na Alemanha em comparação aos demais países europeus citados. Ainda assim, os três maiores partidos somam 69% dos votos.

 

 

Entre importantes democracias da América Latina, a fragmentação no Congresso também é menor que a do Brasil. Na Argentina, 257 deputados estão em 33 partidos, mas as três maiores siglas têm 61% dos votos. No Chile, os três principais partidos somam 53% dos votos. No México, esse número chega a 70%.

 

"Tinha 13 mil homicídios. Nós reduzimos para 12, 11, 10, 9, 8 7, 6, 5, 4. Foram 3.503 no ano passado"

 

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apontam que o número de vítimas de homicídio doloso no estado caiu de cerca de 13 mil em 2001 para 3.504 em 2017.

 

“O Fernandinho Beira-Mar estava no Rio de Janeiro. Narcotraficante perigosíssimo. O governo federal não sabia onde pôr. Pediu para vir para as nossas penitenciárias de segurança máxima. O Brasil não tinha uma penitenciária de segurança máxima. Nós já tínhamos três.”

 

 

A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Fernandinho Beira-Mar chegou à Penitenciária de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, em 27 de fevereiro de 2003. Na ocasião, já existiam pelo menos três presídios de segurança máxima no Rio de Janeiro: Bangu 1, onde estava o traficante, Bangu 2 e Bangu 3. O primeiro foi inaugurado em 1988.

 

"As minhas campanhas todas foram sempre modestas"

 

 

#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Quando foi candidato à Presidência da República em 2006, Geraldo Alckmin gastou R$ 79,2 milhões, de acordo com o TSE. Ficou atrás apenas do vencedor daquela eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desembolsou R$ 91,4 milhões na campanha.

 

 

Nas últimas duas campanhas que fez para governador de São Paulo, Geraldo Alckmin foi um dos que mais gastaram, segundo dados do TSE. Em 2010, quando foi eleito, o candidato registrou despesa total de R$ 34,2 milhões, a maior do pleito, acima de Aloízio Mercadante (PT), com R$ 20,2 milhões, e Paulo Skaf (PSB), com R$ 18,2 milhões. Na campanha para reeleição, em 2014, Alckmin desembolsou R$ 40,3 milhões, sendo superado naquela eleição apenas por Alexandre Padilha (PT), que gastou R$ 47,9 milhões.

 

"O mandato dele (Aécio Neves) terminaria mais de um ano atrás. Quando surgiu a hipótese, no final de 2016, de prorrogação do mandato da atual, da Executiva anterior, teve dois votos contra de 40 da Executiva. Eu não sou, não era da Executiva. Foram dois votos ligados a mim de São Paulo. Fui o único contra, único contra, é bom ficar claro isso, no Brasil inteiro, a prorrogação do mandato do Aécio. Fui derrotado: 38 a 2. Foi prorrogado. Não tinha escândalo nenhum, e eu já era contra. Bom, aí vieram as denúncias. Aí ele, o partido, tomou todas as medidas"

 

#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Aécio Neves foi eleito presidente nacional do PSDB com 97,3% dos votos dos integrantes do partido no dia 18 de maio de 2013, substituindo o então deputado federal Sérgio Guerra.

 

 

No dia 15 de dezembro de 2016, a Executiva Nacional do partido aprovou, por 29 votos favoráveis e dois contrários, a prorrogação por um ano dos mandatos de dirigentes nacionais e estaduais. Os deputados Eduardo Cury e Sílvio Torres, que eram ligados a Geraldo Alckmin, foram, de fato, os únicos a votar contra a prorrogação.

 

 

Na época da votação, no entanto, já tinham sido divulgadas duas denúncias contra Aécio Neves, que depois viraram inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Os dois processos ainda tramitam no STF.

 

 

Em março de 2016, Delcídio do Amaral, ex-PT e ex líder do governo no Senado, afirmou em sua delação premiada na Lava Jato que Aécio Neves recebeu propina de Furnas, uma das estatais do setor elétrico que integra o sistema Eletrobras, e também o acusou de maquiar dados do Banco Rural na CPI dos Correios. Dois inquéritos foram instaurados em junho daquele ano pelo ministro Gilmar Mendes, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

 

 

Não é possível dizer, no entanto, que o partido tomou todas as medidas após as denúncias. Foi o próprio Aécio quem se licenciou da presidência, por exemplo. Em 18 de maio de 2017, ele divulgou uma nota comunicando que estava se licenciando da presidência do partido. A licença ocorreu no mesmo dia em que ele foi afastado do mandato de senador por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato.

 

Um dia antes, 17 de maio, o dono da JBS Joesley Batista entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a gravação de uma conversa entre ele e Aécio, na qual o senador pede a ele R$ 2 milhões para pagar a defesa do tucano na Lava Jato.

 

Em 9 de novembro Aécio afastou o senador Tasso Jereissati (CE), que comandava o PSDB interinamente, e reassumiu a presidência do partido para, logo em seguida, indicar o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para ficar no posto. Ele deixou o cargo. Novamente, não foi afastado.

 

Goldman comandou o partido por um mês. Em 9 de dezembro, a convenção nacional do PSDB elegeu Geraldo Alckmin para a presidência da sigla.

 

"O estado de São Paulo nunca tinha investido em ensino infantil, só a partir do primeiro ano do fundamental. Nós pedimos autorização do Tribunal de Contas e começamos a investir no ensino infantil para acelerar a oferta de vagas"

 

 

A declaração é #FAKE. Veja o porquê: O governo estadual investe, há mais de 25 anos, em creches de educação infantil. O decreto 35.130 publicado em 1992 pelo então governador Luiz Antonio Fleury Filho já previa a criação de Centros de Acompanhamento e Desenvolvimento Infantil (Cadis).

 

Além disso, no relatório do Tesouro estadual de 1997, o mais antigo disponível online, é prevista a reforma de ampliação de núcleos de promoção social e creches, com disponibilização de R$ 1,8 milhão em recursos do governo estadual, em valores da época.

 

“Governo federal dá R$ 280 bilhões de incentivos, é 4% do PIB, é o dobro do déficit”

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: O governo federal enviou para o Congresso o Orçamento deste ano com previsão de R$ 283 bilhões em gastos tributários, que são gastos indiretos do governo realizados por intermédio do sistema tributário, como isenções, reduções de alíquotas e deduções, segundo conceito adotado pela Receita Federal.

 

Dados do Ministério da Fazenda mostram que 28% desse gasto são com isenções do Simples Nacional e 10% com isenções e deduções do imposto de renda.

 

 

A previsão de déficit do governo para este ano é de R$ 159 bilhões e, para 2019, de R$ 139 bilhões. O valor das isenções deste ano equivale, portanto, ao dobro do déficit do ano que vem.

 

Já o Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) do país totalizou 6,6 trilhões em 2017, de acordo com o IBGE. Fazendo a conta, 4% deste valor resultam em R$ 264 bilhões, próximo ao valor das isenções.

 

"Se você for verificar, o Pisa, que é um exame internacional, nos últimos oito anos o Brasil aumentou 11 pontos. São Paulo aumentou 22 pontos”

 

 

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Em 2006, a média de pontuação do Brasil, considerando matemática, leitura e ciências no Pisa, era de 384. Em 2015, último ano do exame, a média passou para 395, um aumento de 11 pontos. Em São Paulo, a média referente a 2006 foi de 382 pontos. Em 2015, a média passou para 404 pontos.

 

Fonte: G1

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