Paranatinga, 25 de Fevereiro de 2018

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70 anos depois: Vasco volta ao Chile após troféu "esquecido" e topo da América

FUTEBOL \ VASCO | 31/01/2018 12:33:16


O Chile será o início do caminho do Vasco de volta à Libertadores. Mas há 70 anos, no mesmo país, o clube escrevia de forma vitoriosa seu capítulo inicial na competição. Ou na sua precursora. Em 1948, aquele que ficou conhecido como o Expresso da Vitória foi o primeiro time brasileiro a ser campeão fora do país, vencendo o Torneio de Clubes Campeões Sul-Americanos, todo ele disputado no Estádio Nacional de Santiago.

O Vasco foi convidado pelo Colo-Colo, organizador do torneio, para ser o representante brasileiro. Isso porque o Expresso era a base da seleção carioca tetracampeã de seleções estaduais. Além disso, tinha em seu elenco sete jogadores da seleção brasileira que dois anos depois disputaria a Copa do Mundo. Além de Colo-Colo e Vasco, o torneio tinha o River Plate de Di Stefano, time conhecido como La Maquina, Nacional do Uruguai, Emelec do Equador, Litoral da Bolívia e Municipal do Peru. Todos se enfrentaram em turno único.

- O grande favorito era o River Plate, que inclusive era outro organizador do campeonato. O Vasco era considerado um representante de segundo escalão, junto com o Colo-Colo, e o Nacional do Uruguai. Esses três ficavam num plano um pouco abaixo. O River Plate era o grande time da América do Sul no momento – conta o pesquisador Alexandre Mesquita, autor do livro “Um Expresso chamado vitória”.

Depois de uma vitória apertada por 1 a 0 sobre o Litoral, o Vasco goleou por 4 a 1, mas sofreu um baque. Ademir, seu principal jogador, fraturou o tornozelo e não atuou mais na competição. Agora com Ismael, que foi uma surpresa vascaína no campeonato, o Expresso seguiu bem e venceu Municipal por 4 a 0 e Emelec por 1 a 0.

Líder, o Vasco ainda precisava passar pelo Colo-Colo. O duelo contra o time da casa, que terminou empatado em 1 a 1, foi tumultuado, com muitas reclamações contra a arbitragem, a ponto de o técnico Flávio Costa precisar ser contido por policiais. O empate em 0 a 0 com o River Plate deu ao Vasco o troféu em forma de condor – ave típica da região dos Andes. No entanto, um outro, 70 anos depois, ainda permanece no Chile.

O Colo-Colo até hoje conta com uma lembrança do jogo contra o Vasco. O troféu, em forma de um índio mapuche montado num cavalo, é exposto pelo clube chileno.

- Não sabemos muito bem por que este troféu está conosco. Naquela época, quando havia um empate, o comum era que o time visitante ficasse com a recordação, como uma forma de cortesia da equipe da casa. Acho que o Vasco esqueceu esse troféu aqui – brinca Carlos Soto, coordenador do museu do Colo Colo.

Os registros da imprensa brasileira mostram que o Vasco foi recebido com muita festa no Rio de Janeiro ao retornar do Chile. O Expresso da Vitória foi mesmo tratado como um campeao sul-americano, e em 1996, a Conmebol reconheceu o título continental cruz-maltino, e dois anos depois o time de Carlos Germano, Mauro Galvão, Juninho, Felipe, Donizete, Luizão e companhia conquistou a Libertadores.

No entanto, o torneio pode ter um significado ainda maior. No Chile para cobrir o Sul-Americano para o jornal L’Equipe, o jornalista Jacques Ferran levou a ideia à Uefa, que em 1955 criou a Copa dos Campeões da Europa.

- Essa competição serviu de ideia pra Europa montar a Copa dos Campeões em 1955. E quando a Confederação Sul-Americana decidiu fazer um torneio continental anual, a partir de 1960, adotou o nome de Taça Libertadores da América. Naquela época todo mundo sabia que tinha sido inspirada naquele torneio sul-americano organizado no Chile, 12 anos antes - explica Alexandre Mesquita.

 

 

Fonte: GLOBO ESPORTE

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