Paranatinga, 24 de Setembro de 2018

Eleições

“Se ele não resolver isso, será difícil levar a candidatura adiante”

ELEIÇOES 2018 | 14/01/2018 22:03:17


A poucos meses de deixar o comando do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para se dedicar à reeleição como senador, Blairo Maggi (PP) ainda não sabe quem irá apoiar nas eleições ao Governo do Estado.

 

Para ele, o governador Pedro Taques (PSDB) precisa reverter a crise econômica vivida pelo Estado para conseguir se viabilizar para um eventual projeto de reeleição.

 

“Se ele não conseguir resolver isso, essa crise, será sua a responsabilidade. E fica difícil levar uma candidatura adiante”, disse em entrevista ao MidiaNews.

 

Por outro lado, ele não admite, ainda, uma candidatura do amigo de longa data, o ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes. Seu apoio a Mendes foi propagado na última semana pelo presidente do PP, deputado federal Ezequiel Fonseca.

 

“O Mauro é um potencial candidato. Tenho certeza que seria um bom governador. Mas ele, pessoalmente, ainda não decidiu o que quer fazer”.

 

O ministro explica que a decisão dependerá de um conjunto de fatores, que começam a ser definidos nos próximos meses.

 

“Tem que sentar com as lideranças e entender o que cada um quer. Daqui a pouco, por exemplo, todo mundo pode entender que o grau de dificuldade é assim com o Pedro e será assim com João, com Antonio. E, portanto, a manutenção do governador significa mais chances de resolver esses problemas para frente. Mas é uma decisão que não pode ser tomada sozinha”.

 

Na entrevista, o ministro fala ainda sobre os efeitos da delação do ex-governador Silval Barbosa. Segundo ele, foi uma “desconstrução de imagem”, que precisará ser revertida para a eleição.

 

 

Se o governador conseguir resolver os problemas que estamos vivendo neste momento, sim, ele é um grande competidor

Ele ainda defendeu que a impopularidade do Governo Michel Temer está “ajudando o Brasil”.

 

“Lá na frente, a história vai reconhecer o presidente Michel Temer como um grande presidente, reformista, que está colocando o Brasil no rumo que precisa. E colocar alguma coisa no rumo não é simplesmente fazer coisas agradáveis”.

 

Leia os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Nos últimos dias tem-se falado bastante em uma articulação do senhor para lançar o ex-prefeito Mauro Mendes candidato ao Governo. A informação partiu do presidente do seu partido. O que há de real nisso?

 

Blairo Maggi – É como se diz na política: cada vez que você olha para cima, há uma nuvem diferente. A gente sempre conversa, vê as possibilidades mais diversas que vêm pela frente. Mas não há, até agora, uma definição minha, do Mauro, do PP, de ninguém, de quem vai ser candidato e quem deixa de ser candidato.

 

No começo deste ano, passado o Carnaval, pretendo conversar com os líderes políticos de Mato Grosso, dos mais diversos partidos, para tentar entender o que eles pretendem. A partir daí, é começar a construir um cenário para frente. Nesse cenário, pode estar inserido todo e qualquer cidadão que queira disputar uma eleição. Tem o próprio governador Pedro Taques, que quer disputar a reeleição e tem todo o direito de fazer isso. Mas quem vai estar com ele ou não, vai se definir daqui para frente.

 

Eu vi, essa semana, essas declarações e quero dizer que não são declarações minhas e definitivas. O Partido Progressista pensa assim e quer me levar nessa direção, mas ainda não tenho essa definição. E não vou fazer isso sozinho. Vou conversar com os líderes partidários para começarmos a entender o que é que cada um pensa.

 

O próprio governador, que quer disputar a reeleição, precisa de base política para fazer essa disputa. Assim como qualquer outro candidato. Não existe candidato de si próprio. Assim não tem chance de ir para frente. Isso é uma coisa que vamos construir agora até as convenções [entre o final de julho e início de agosto]. O bom da política é que tudo tem prazo. Fala, fala, fala, mas chega na hora "H", se não estiver tudo terminado, você está fora do processo.

 

MidiaNews – O Mauro tem recebido apoio de muitos políticos, inclusive da oposição. Apesar de ainda não ter decidido, o senhor gostaria da candidatura do ex-prefeito?

 

Blairo Maggi – O Mauro é um potencial candidato. Tenho certeza que seria um bom governador. Mas ele, pessoalmente, ainda não decidiu o que quer fazer. Então, ficar falando sobre suposições não dá. Aqueles que defendem a candidatura do Mauro, defendem pelo seu próprio ponto de vista. Mas ele é candidato? Ainda não!

 

Na última vez em que conversamos, ele e a família disseram que ainda não sabem. O Mauro tem uma vontade grande de vir para a política, mas tem as questões empresariais dele e tem, ainda, o peso de desistir da campanha à reeleição da Prefeitura, em 2016. Essas questões já foram superadas? Ele está pronto para voltar para política? São questões que só ele poderá responder, e no momento certo.

 

 

O bom da política é que tudo tem prazo. Fala, fala, fala, mas chega na hora "H", se não estiver tudo terminado, você está fora do processo

MidiaNews – Em Mato Grosso, o governador Pedro Taques tem sofrido por conta do cenário econômico, com dificuldade em pagar salário, repassar duodécimo aos Poderes e caixa para fazer investimentos. O senhor acredita que é possível sair dessa crise ainda em 2018?

 

Blairo Maggi – Eu não tenho os números e não tenho acompanhado de perto. Mas, de uma maneira geral, sempre defendi que Mato Grosso não é um Estado inviabilizado. É um Estado que tem dificuldades momentâneas de caixa em função de receitas e despesas. As despesas cresceram muito nos últimos anos e a arrecadação não diminuiu, mas a crise brasileira, que vivemos desde 2015, fez com que os repasses da União para os Estados diminuíssem muito, porque diminuiu a arrecadação brasileira.

 

Então, as despesas continuaram crescendo e as receitas diminuíram, embora a receita própria tenha crescido. Esse é um dilema. Creio que é possível arrumar, fazer ajustes, fazer sacrifícios, postergar algumas coisas que se queira fazer. Mas, diferente de outros Estados inviabilizados, Mato Grosso tem viabilidade. É uma questão de ajustes e políticas de curto prazo.

 

MidiaNews – Quando era governador, o senhor deu início ao pagamento dos salários no mês trabalhado. O governador Pedro Taques está pagando todo dia 10 do mês subsequente e já escalonou o salário algumas vezes. Acredita que isso é por conta da crise econômica ou está faltando gestão no Governo?

 

Blairo Maggi – É difícil dizer a consequência disso. Essa questão da diminuição dos repasses federais cria um problema momentâneo de caixa que acaba gerando alguns sacrifícios. E uma das coisas que estão acontecendo é que não há dinheiro dentro do mês para pagar tudo. E, com isso, acaba tendo que jogar algumas coisas para frente, fornecedores vai para frente, salários vão para frente.

 

A gente tem que esperar que o governador e sua equipe econômica tenham um plano emergencial para tirar o Estado de onde está e colocá-lo na normalidade. Eu, enquanto fui governador, sempre primei, e cuidei muito, pela questão dos salários. As pessoas trabalham, dependem disso e outras pessoas também dependem desse salário, seja comércio, indústria.

 

Todo mundo está ligado a isso. O peso do salário é bastante grande na composição do PIB mato-grossense. Então, puramente falta de gestão não deve ser. Se fosse só gestão, se erra em um mês e no outro você corrige. Essa questão está muito mais ligada à diminuição dos recursos federais.

 

MidiaNews – Essa questão de escalonamento de salários pode pesar na hora do voto?

 

Blairo Maggi – Certamente. As pessoas dependem do salário, têm suas vidas programadas, escola para pagar, mercado, cartão de crédito. E quando você tem sua vida programada, é fácil de levar. Mas quando surgem essas complicações, o servidor fica sem saber como vai ser amanhã. E isso traz consequências políticas, sem dúvida nenhuma.

 

MidiaNews – Como cidadão, está satisfeito com os rumos do Estado?

 

Carlos Silva/MAPA

 

"O Mauro é um potencial candidato. Tenho certeza que seria um bom governador. Mas ele, pessoalmente, ainda não decidiu"

Blairo Maggi – Eu sempre defendi um Estado em que todos participassem. Embora muitos acreditem que a atividade que eu faço, que é principal de Mato Grosso, a agricultura, não faz distribuição de renda, que é concentradora.

 

Pelo contrário. Acho que Mato Grosso tem uma agricultura em que muitos participam. É só comparar o Estado do Pará com Mato Grosso, em que os PIBs são muito parecidos, mas lá a grande arrecadação vem de minério, que é uma cadeia muito curta. A nossa cadeia de produção é bastante longa. Então, eu como mato-grossense, defendo o modelo que estamos trabalhando.

 

MidiaNews – Na sua opinião, diante deste cenário, o governador Pedro Taques terá condições de viabilizar uma reeleição?

 

Blairo Maggi – Em política tem sempre aquele ditado: "Me dê uma boa resposta econômica e terá uma boa política". Isso significa que se o governador conseguir resolver os problemas que estamos vivendo neste momento, sim, ele é um grande competidor. O favorito, inclusive, porque ele é o governador e vai à reeleição. Mas, se ele não conseguir resolver isso, essa crise, será sua a responsabilidade. E fica difícil levar uma candidatura adiante. Então, temos um prazo daqui para frente, para ver tudo isso, e ajustar essas questões para a disputar de uma eleição.

 

MidiaNews – Então, ele precisa reverter o cenário econômico ruim para vir forte para reeleição?

 

Blairo Maggi – Sem dúvida nenhuma. Sem dúvida nenhuma.

 

MidiaNews – Uma recente pesquisa do Ibope mostra a alta rejeição ao governador. Há tempo hábil para que ele reverter esse quadro?

 

Blairo Maggi – O prazo é bastante curto. Mas tem que sentar com as lideranças e entender o que cada um quer. Daqui a pouco, por exemplo, todo mundo pode entender que o grau de dificuldade é assim com o Pedro e será assim com João, com Antonio. E, portanto, a manutenção do governador, com sua reeleição, significaria mais chances de resolver esses problemas para frente. Mas é uma decisão que não pode ser tomada sozinha, por um pequeno grupo. É uma responsabilidade grande e precisamos dividir isso com bastante gente.

 

MidiaNews – Em sua opinião, o que complicou o Governo?

 

 

O Mauro Mendes é um potencial candidato. Tenho certeza que seria um bom governador

Blairo Maggi – Eu não vou entrar nessas questões. Já fui governador e sei do grau de dificuldade que é tocar o Estado. Não vou ficar fazendo análise, não gosto. Falo mais no geral.

 

MidiaNews – O governador já admitiu que pode desistir  da reeleição?

 

Blairo Maggi – Não. Acho que o governador está decidido a disputar a reeleição. Ele tem todo o direito, inclusive. A legislação permite e ele está trabalhando para isso.

 

MidiaNews – E o senhor, deixa o Ministério para disputar a reeleição ao Senado?

 

Blairo Maggi – Devo sair do Ministério até a data final, que é dia 5 de abril. Esse é meu planejamento. Ainda tenho algumas agendas para participar. Mas, obviamente, o cargo é do presidente. No momento em que ele sinalizar que quer fazer alguma mudança, tem todo direito de fazer.

 

MidiaNews – O secretário Eumar Novacki tem se destacado na agenda do Ministério da Agricultura. Ele pode assumir em seu lugar?

 

Blairo Maggi – Capacidade para isso ele tem. Tem conhecimento, trânsito político para estar lá. Mas se vai ou não, depende do presidente Michel Temer e do partido. O Ministério da Agricultura é uma indicação do Partido Progressista. Eu estou lá por indicação do PP e certamente assim vai continuar. Porque fazer substituição das Pastas e também mudar o partido que indica... É muito pouco tempo para se arrumar até o final do ano e não creio que o presidente vai por esse caminho. Então, certamente o PP vai fazer a indicação. O Eumar tem relacionamento político para isso.

 

MidiaNews – Qual o impacto político e empresarial que a delação do ex-governador Silval Barbosa teve sobre o senhor?

 

Blairo Maggi – Eu não costumo tratar desse assunto. Não vou tratar desse assunto. É uma questão do Judiciário. Meus advogados estão tratando disso. E eu não vou ficar batendo boca com essa questão. Tudo o que foi dito, já foi dito. Tudo o que tiver de se defender, está sendo defendido. Vou tomar minhas providências. Não estou parado. Mas não vou ficar batendo boca. Vamos em frente.

 

 

Se ele não conseguir resolver isso, é sua responsabilidade e fica difícil levar uma candidatura adiante. Então, temos um prazo daqui para frente para ver tudo isso

MidiaNews – Mas tem algum impacto político?

 

Blairo Maggi – Os impactos sempre existem, claro. Quem não fica desconfortável em uma situação dessas? Cabe a mim, agora, a defesa e cabe a quem acusou mostrar as provas, que não existem. Dizem que tem, mas não existe. Então, é um processo judicial. O impacto político já passou. Vai cair nas eleições também, mas vamos continuar.

 

MidiaNews – Vai pesar no seu projeto de reeleição?

 

Blairo Maggi – Certamente. Para quem não pesa? É uma desconstrução de imagem. Aí vêm as eleições e você tem que reconquistar, reconstruir isso.

 

MidiaNews – O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o senhor seria o chefe de uma quadrilha em Mato Grosso. 

 

Blairo Maggi – O Janot não sabe nem onde está, eu acho. Eu saí do Governo em 2010 e se passei por lá (Palácio Paiaguás) umas cinco vezes, naquele período, foi muito. Como alguém vai ser chefe de alguma coisa se não está presente? É um absurdo o que ele fez e vamos demonstrar isso. Vamos desmontar a tese do Ministério Público.

 

Eu não sei como está o processo, meus advogados estão cuidando. É tudo muito lento, vagaroso. Mas até agora não tem nenhuma novidade.

 

MidiaNews – Antes dessas acusações, o senhor estava sendo sondado até mesmo para disputar uma vaga na condição de candidato a vice-presidente. 

 

Carlos Silva/MAPA

 

"O governador está decidido a disputar a reeleição. Ele tem todo o direito, inclusive"

Blairo Maggi – Não existe projeto de vice para ninguém. Em nenhum lugar, seja Prefeitura, Governo ou Presidência. Vice é uma consequência final de um arranjo de chapas compostas. Eu não sou candidato a vice-presidente. Então, não pode atrapalhar algo que não existe. Se ele vier a acontecer, será consequência de um momento.

 

MidiaNews – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, chegou a procurá-lo para tratar sobre isso?

 

Blairo Maggi – Não. Isso também não é um projeto. É algo que se aparece no momento de se fechar uma chapa.

 

MidiaNews – Diante das confissões que o ex-governador Silval Barbosa fez, o senhor, de cereta maneira, se sente culpado por ter tido ele como vice e apoiado sua reeleição em 2010?

 

Blairo Maggi – A vida vai nos ensinando muitas coisas. Você pode se arrepender de uma série de coisas, mas não tem como mudá-las. Já aconteceram e vamos em frente. Obviamente que se eu tivesse a percepção de uma série de coisas, não teria feito. Não foi essa a intenção. Mas bola para frente. Não dá para chorar pelo leite derramado.

 

MidiaNews – Com relação a gestão do presidente Michel Temer, por que ele tem aparecido tão mal nas pesquisas de opinião?

 

Blairo Maggi – Eu acho normal, porque somos um Governo que não disputamos votos. Somos herdeiros de um processo ruim da nação, que é o impeachment. Então, a impopularidade do Governo vem por aí. Mas não acho ruim, porque o Temer está fazendo as mudanças que o País precisa e se ele fosse uma pessoa que estivesse pensando na possibilidade de disputar novamente cargos, não faria o que está fazendo.

 

Então, a impopularidade do nosso Governo está ajudando o Brasil. E, lá na frente, a história vai reconhecer o presidente Michel Temer como um grande presidente, reformista, que está colocando o Brasil no rumo que precisa. E colocar alguma coisa no rumo não é simplesmente fazer coisas agradáveis. Significa, também, tomar medidas impopulares e ele está fazendo isso.

 

 

O Janot não sabe nem onde está, eu acho. Eu saí do Governo em 2010 e se passei por lá umas cinco vezes, naquele período, foi muito. Como alguém vai ser chefe de alguma coisa se não está presente?

MidiaNews – Vamos falar do Ministério. A pecuária brasileira já se recuperou do baque da Operação Carne Fraca? A participação no mercado internacional voltou aos patamares anteriores à operação?

 

Blairo Maggi – Sim. A Carne Fraca deu um grande susto em todos nós e no sistema de produção do Brasil. Na época, fiquei muito preocupado em perdermos as exportações por mais de uma semana, pois seria muito difícil voltarmos ao mercado. Mas, conseguimos, naquele momento, com uma grande articulação, com viagens, conversas. Todo o Governo participou. Técnicos do Ministério da Agricultura...

 

Tivemos a capacidade de resolver rapidamente esse assunto. Então, o Brasil conseguiu recuperar o mercado durante o ano. Estamos terminando com 13% a mais do volume de venda de carne, principalmente da bovina. E em termos de dinheiro, com 9% acima. Então, a Carne Fraca nos deixou muitas lições, mas, felizmente, em resultados finais não chegou a atrapalhar o andamento do mercado brasileiro.

 

MidiaNews – A operação afetou o projeto do Governo Federal de elevar de 7% para 10% a participação nacional no mercado externo de alimentos?

 

Blairo Maggi – Esse é um projeto em longo prazo, não é uma coisa de um ano. Estamos falando de alguns bilhões de dólares do mercado internacional.O projeto no Ministério existe e está em fase final de elaboração, porque existe, por exemplo, muitos mercados que não fazemos parte hoje e que identificamos que mercadorias podem ser produzidas no Brasil para exportar com maior valor agregado.

 

Então, essa questão de sair de 7% para 10% não é em um ou dois anos que vai acontecer. Tem que ter um planejamento para atingir isso. Vai de 5 a 10 anos para o Brasil conseguir. Mas creio que é possível atingir essa meta. Temos todas as condições para isso.

 

MidiaNews – Apesar dos exageros da PF na operação, é fato que há graves suspeitas de cobrança de propina por parte de servidores do Ministério.

 

 

Impopularidade do nosso Governo está ajudando o Brasil. E, lá na frente, a história vai reconhecer o presidente Michel Temer como um grande presidente, reformista

Blairo Maggi – Esse é um assunto que veio na delação premiada da JBS e ficamos no aguardo da lista que eles iam fornecer. Até hoje essa lista não apareceu. Portanto, não passa de meros boatos. Mas para se preparar para isso, se de fato tivesse acontecido, o Mapa requereu junto ao Planejamento, e conseguimos, a contratação emergencial de 200 novos técnicos veterinários, que já estão trabalhando. E tem mais 200 que estão prestando concurso público para serem incorporados em 2018 nos quadros do Mapa.

 

MidiaNews – Não considera perigoso Mato Grosso ser tão dependente do consumo chinês? Não corremos o risco de ter problemas sérios caso a China pare de demandar tantos produtos de Mato Grosso?

 

Blairo Maggi – Não creio nisso. E essas dependências não ocorrem porque você deseja, são contingências do seu próprio negócio. Mato Grosso é o grande produtor de soja do Brasil e a China é o maior comprador. Então, é natural que Mato Grosso participe de um volume significativo do que vai para lá.

 

Mas temos outros mercados, temos o europeu e outros países. O fato é que o mercado chinês compra mais da metade mundial da safra de soja. Tem dependência, mas faz parte do negócio. Claro que se você puder ter uma pauta mais diversificada pelo mundo, é melhor. Mas o quadro que vivemos é esse e vamos trabalhar nele.

 

MidiaNews – Pensando em futuro, quais são os mercados mais promissores para nossos produtos?

 

Blairo Maggi – Sem dúvida, a Ásia. Os estudos que temos no Ministério da Agricultura mostram que 51% da população mundial estão na Ásia. E lá é o local em que o aumento da renda está acontecendo. Quando se faz um comparativo com a América do Sul, Europa, América do Norte, vemos que é quase uma linha reta, não há ganho. Mas na Ásia, é um caminho gigante de gente que está chegando para consumir.

 

MidiaNews – Qual o balanço o senhor faz desse período que esteve à frente do Ministério?

 

Blairo Maggi – Eu considero bastante positivo. Inclusive, não considero a Carne Fraca como um evento danoso, ruim. Pelo contrário. Nos deixou preocupados, sim, mas aprendemos muito com isso. Verificamos que tínhamos algumas coisas no Ministério da Agricultura que há anos precisavam ser mudadas, mas não havia condições políticas para isso. Na Carne Fraca conseguimos fazer mudanças de forma rápida. A crise gerou uma oportunidade para que pudéssemos fazer essas mudanças.

 

Tivemos, ainda, o programa do AgroMais, que foi um programa de desburocratização, que ajudou muito setores da economia. Tivemos grandes mudanças internas que deverão permanecer. Não é uma mudança só do gestor que está ali, é do próprio Ministério, e tenho certeza que vai continuar.

 

 

Fonte: Midia News

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