Paranatinga, 20 de Julho de 2018

Eleições

Marqueteiros se preparam para campanha curta e orçamento apertado

ELEIÇOES 2018 | 01/07/2018 13:26:54


Às vésperas do início do processo eleitoral de 2018, os principais especialistas em marketing político em Mato Grosso se preparam para lidar com novas regras impostas pela Justiça Eleitoral, que os obrigará a substituir práticas antigas.

 

Entre as principais mudanças está o teto de gasto para os candidatos. Para quem disputar o Governo do Estado, será R$ 5,6 milhões, conforme resolução aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - na última disputa ao governo, em 2014, não havia limite. Para o cargo de Senado, o teto será de até R$ 3 milhões. Os candidatos a deputado federal poderão gastar até R$ 2,5 milhões. Já as campanhas a deputado estadual poderão custar até R$ 1 milhão.

 

Além disso, haverá a possibilidade de uso das redes sociais no período da campanha.

 

Para o ex-senador Antero Paes de Barros, que negocia para coordenar a campanha do ex-prefeito Mauro Mendes ao Governo, o limite imposto ficou aquém do esperado. Apesar disso, para ele, isso valoriza a possibilidade de disputa para quem não possui recursos.

 

“Eu acho que vai ser mais moderna. Vamos ver menos papel na rua, menos gasto com papelaria. O santinho que era de papel vai virar santinho de WhatsApp. Isso tudo para diminuir custo”, disse ao MidiaNews.

 

 

não acho ainda que a internet vai ter um peso decisivo, mas vai ser muito mais do que foi em todas as outras campanhas

“Entendo que o espaço dessa campanha é maior que das anteriores. Por causa da generosidade das inserções. São 70 minutos por dia. E, pela primeira vez, também está autorizada a campanha na internet. Está autorizada, inclusive, a possibilidade de estimular uma publicação na internet. E quem trabalhar bem com isso, evidente, vai ganhar vantagem”, afirmou.

 

Para ele, o fato da campanha ter período reduzido obrigará os candidatos a focarem na TV e rádio e também na internet.

 

Segundo o TSE, a partir do dia 16 de agosto passa a ser permitida a realização de carreatas, distribuição de material gráfico e propaganda na Internet. Já a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início em 31 de agosto, 37 dias antes das eleições, e termina no dia 4 de outubro.

 

“Eu não acho ainda que a internet vá ter um peso decisivo, mas vai ser muito mais importante do que foi em todas as outras campanhas. Pela liberdade e possibilidade do estímulo. E com pouco recurso de estímulo, já se movimenta muita coisa”, disse.

 

Reprodução

 

Gutavo Vandoni, que pode coordenar a campanha do governador Pedro Taques

Trabalho em conjunto

 

Para Antero, o trabalho em conjunto entre os candidatos de uma coligação será a saída para se conseguir realizar um trabalho apesar do teto imposto pela legislação eleitoral.

 

Da mesma forma pensa o marqueteiro Gustavo Vandoni, que pode ser um dos coordenadores da campanha à reeleição do governador Pedro Taques (PSDB).

 

Para ele, os profissionais do marketing político terão que se adaptar a essa nova realidade.

 

“Pelo que estou vendo, a política vai ter que ser feita de maneira conjunta. O teto é para todas as candidaturas. É fato que não dá para fazer campanha nos mesmos padrões de 2014. Então, a equipe vai ser menor, contratações serão mais comedidas. Não vai ser do mesmo tamanho. Vai ser adaptável a isso. O que vemos é que há uma tendência das campanhas se unirem. O governador, o candidato ao Senado e os deputados federais e estaduais”, disse.

 

“Será difícil no começo, mas vejo como positivo. Tem que reduzir mesmo. Tem que aprender a trabalhar junto. De forma colaborativa. Tem que reaprender. E nem se concebe, hoje, na fase que o Brasil está, pensar em qualquer tipo de remuneração extraoficial. Isso é ruim para o candidato, para a coligação e para o profissional. Tem que aprender a fazer de uma forma mais otimizada, mais barata e menor”, afirmou.

 

Tempo perdido

 

Para o ex-secretário de Estado de Comunicação, Kleber Lima, que negocia para comandar uma das candidaturas ao Senado, os agentes políticos perderam a chance de aproveitar o período pré-eleitoral.

 

MidiaNews

 

Kleber Lima: "Nenhum dos pré-candidatos utilizou adequadamente esse período de pré-campanha que é permitido pela Legislação"

Para ele, apesar de a campanha ser curta, a pré-campanha está liberada pelo TSE, mas muitos não se atentaram a isso.

 

“Com esse tempo curto, valoriza mais ainda a importância de uma campanha bem planejada, do ponto de vista do marketing e propaganda. A propaganda eleitoral passa a ser mais decisiva do que já foi em outros tempos. E com a limitação dos gastos impostos, acredito que os candidatos terão que priorizar o marketing. E o que sobrar, investir em outras coisas, como campanha de rua, cabo eleitoral, material gráfico”, disse.

 

“E aqui nenhum dos pré-candidatos utilizou adequadamente esse período de pré-campanha que é permitido pela Legislação e no qual não há teto de gastos. Eles perderam uma grande oportunidade de fazer a pré-campanha. Especialmente os candidatos de oposição, que aparecem menos. E a gente nota que o próprio governador deixou de se utilizar de recursos legais que teria”, afirmou.

 

Ele também acredita que a divisão de gastos entre todos os candidatos da coligação poderá ajudar os postulantes a não estourar o teto. Em suas contas, somados o candidato ao Governo, os dois ao Senado, 16 candidatos a deputado federal e 48 a estadual, uma coligação completa pode chegar a R$ 99,6 milhões em gastos.

 

“O que acontecia normalmente era que os candidatos majoritários investiam nas campanhas proporcionais. Se houver, do ponto de vista contábil, uma inversão disso, resolvemos os problemas. Talvez o problema maior seja a forma de doação. Duvido que qualquer coligação vá arrecadar todo o potencial que tem para gastar”, disse.

 

 

Tempo curto, valoriza mais ainda a importância de uma campanha bem planejada, do ponto de vista do marketing e propaganda

Fake News e internet

 

Outra preocupação são as chamadas Fake News, as notícias falsas geralmente propagadas pela internet. Para os marqueteiros ouvidos pela reportagem, elas devem ocorrer em Mato Grosso.

 

Para Vandoni, as notícias inverídicas já não são mais compartilhadas de maneira ingênua.

 

“Estão todos preocupados com as fake news. Mas acho que, hoje, as pessoas que recebem notícias falsas já começam a desconfiar. E até avaliam. Mas alguns passam para a frente de maneira consciente, sabendo isso que pode prejudicar o outro candidato que ele não quer que vença. Hoje, já não vejo as fake news como algo ingênuo. É consciente”, disse.

 

Para Lima, a internet é um ambiente propício para desconstrução da imagem dos candidatos. Desta forma, ele disse acreditar que os postulantes a cargos devem ser atuantes nas redes sociais.

 

“As redes sociais no Brasil tem se mostrado um grande ambiente para desconstrução política, e um ambiente muito inóspito para edificação de conceito. Muito em função do anonimato, da flexibilidade, da legislação ser mais branda, embora tenha melhorado. É bom ter uma atuação forte nas redes sociais para não ser descontruído lá”, afirmou.

 

 

Fonte: Midia News

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