Paranatinga, 16 de Julho de 2018

Eleições

Fávaro, Mendes, Pivetta e mais 28 lançam manifesto contra Taques

CARTA DE EX-ALIADOS | 24/04/2018 17:58:48


Trinta e uma pessoas que ocuparam cargos no Governo Pedro Taques (PSDB) ou que apoiaram a campanha do tucano ao Palácio Paiaguás redigiram uma manifesto público expondo os motivos que os levam a não apoiar a reeleição do governador.

 

Entre os nomes estão o ex-vice-goverandor Carlos Fávaro (PSD), o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes e de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta, além de ex-secretários de Estado, como Adriana Vandoni (Gabinete de Transparência e Combate a Corrupção), Eduardo Chiletto (Cidades), João Batista da Silva (Saúde), entre outros.

 

O movimento teria sido organizado pelo ex-vice-governador, que renunciou ao cargo neste mês.  

 

Ao longo do documento de quatro páginas, os ex-aliados afirmam que nutrem um sentimento de “decepção” em relação à gestão Taques.

 

Decepção! Este é um dos sentimentos que lamentavelmente está presente em grande parte daqueles que apoiaram o Senador Pedro Taques em 2010 e em 2014

“Decepção! Este é um dos sentimentos que lamentavelmente está presente em grande parte daqueles que apoiaram o Senador Pedro Taques em 2010 e em 2014, quando trabalharam, se empenharam, pediram voto e ajudaram a torná-lo governador do Estado de Mato Grosso. Os sentimentos de decepção e frustração, estão sendo compartilhados por milhares e milhares de mato-grossenses”, diz trecho do manifesto.

 

Na carta, eles citam também que acreditavam que Taques teria a “coragem” de tomar medidas necessárias para a transformação do Estado, o que não ocorreu.

 

Para os dissidentes, o governador passou a maior parte de sua administração “olhando no retrovisor” e culpando a gestão passado, sob o comando de Silval Barbosa, pela crise instalada no Estado.

 

Na avaliação dos políticos, Taques se mostrou “incapaz” de criar uma agenda positiva.

 

Eles apontaram ainda uma série de problemas como as “grandes marcas” da atual gestão: “Vaidades, intrigas, brigas, piora nos serviços públicos, falta de planejamento, promessas não cumpridas, dezenas de placas lançadas sem um centímetro de obra iniciada, troca constante de secretários, escândalos, desrespeito para com os servidores e agentes públicos, atrasos nos salários e com fornecedores, que consequentemente provocou prejuízos no comércio”.

 

Seis motivos contra a reeleição

 

Ainda no documento, os ex-aliados de Taques esmiuçaram em seis tópicos os problemas considerados graves do Estado e que, segundo eles, explicitam os motivos de serem contra à reeleição.

Alair Ribeiro/MidiaNews

 

O ex-prefeito Mauro Mendes, que também assinou o manifesto

O primeiro deles: “Aumento do caos na Saúde Pública”. Neste item, são citadas falhas como a constante falta de remédios na Farmácia de Alto Custo, falência do MT Saúde, não repasse de dinheiro da Saúde aos municípios.

 

Citaram também obras na Saúde que foram prometidas e não realizadas: novos hospitais regionais em Porto Alegre do Norte, Tangará da Serra, Juína e Pontes e Lacerda.

 

Ainda segundo eles, Taques foi “incapaz” de reiniciar a construção do Hospital Universitário, paralisada há mais de 4 anos, com R$ 80 milhões disponíveis em conta corrente para a obra.

 

O segundo tópico, denominado “Não cumprimento dos compromissos de campanha de 2014”, os ex-aliados citam um levantamento realizado pelo site G1 e que mostra que menos da metade das promessas foram cumpridas.

 

O terceiro item é a “Gestão ineficiente”, no qual os insatisfeitos alegam uma grande indisposição do Governo com os servidores públicos, atraso nos pagamentos, não realização das reformas administrativas e tributária, entre outros pontos.

 

No tópico quatro, chamado “Faltou com a verdade”, eles dizem que o governador prometeu aos prefeitos e aos cidadãos entregas que nunca aconteceram, além de ter faltado com a verdade sobre a data do pagamento de poderes, fornecedores, hospitais, prefeituras e servidores.

 

Consta ainda no documento o item cinco em que é apontada a “quebra das finanças do Estado”.

 

Neste tópico, os ex-apoiadores afirmam que Taques recebeu o Estado com aproximadamente R$ 800 milhões de restos a pagar e tem hoje mais de R$ 3 bilhões de dívidas.

 

Afirmam também que o governador permitiu o rebaixamento da nota de Mato Grosso perante a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), inviabilizando novos financiamentos para o Estado.

 

 

Tentei ajudar muito. Me dediquei levando sugestões. Pedindo que, por favor, fosse mais austero onde não estava indo bem. E não era ouvido

Por fim, são citados “Escândalos e fortes indícios de corrupção”. Segundo eles, o governador teve o maior número de secretários e membros do primeiro escalão presos por esquemas de corrupção, como o caso dos grampos ilegais e do esquema de fraude em licitação na Seduc.

 

“Com todos esses pontos elencados, baseados em dados comprovados e amplamente divulgados pela mídia local e nacional, esse grupo de lideranças políticas vem através desta carta abrir o debate franco, respeitoso e objetivo para discutir um novo plano de governo que não fique apenas no imaginário do cidadão, mas que seja executado com coragem e comprometimento. O Mato Grosso tem pressa”, concluem os que assinam o documento.

 

Sentimento de tristeza

 

Ao MidiaNews, Carlos Fávaro disse que assinou a carta com sentimento de "tristeza". Disse ter tentado ajudar Taques a mudar alguns dos pontos elencados, mas não era ouvido pelo tucano.

 

 

"Quando estava cumprindo meu papel como vice, nunca deixei de ter meu posicionamento, mas fazia isso, principalmente, diretamente ao Pedro. Às vezes com alguns secretários e em alguns casos falei para ele. Mas você já imaginou se eu saísse falando de tudo que tinha divergências? Desestabilizaria o Governo. Aí chegaria neste momento, com o Governo em crise, iriam falar que desde o começo do Governo teria um vice irresponsável trabalhando contra", afirmou.

 

 

"Eu tentei ajudar muito. Me dediquei levando sugestões. Pedindo que, por favor, fosse mais austero onde não estava indo bem. E não era ouvido. Mas eu também não estou reclamando. Mas agora, que é um momento de discutir as novas eleições, quero ter a liberdade de fazer do meu jeito. Quero ter a liberdade de discutir um Mato Grosso que eu acredito que dê certo. Por isso, concordo com os termos da carta", disse.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Midia News

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