Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Ecônomia

Deputados dizem que “pirotecnia” da PF trará prejuízos para MT

ECONOMIA | 23/03/2017 10:30:33


A base governista na Assembleia Legislativa criticou, na sessão noturna desta terça-feira (21), a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, deflagrada na semana passada e que investiga um esquema de venda de carnes podres e vencidas, possibilitado pela corrupção de fiscais federais.

 

O deputado Romoaldo Junior (PMDB) foi o primeiro a puxar assunto. Para ele, a operação foi “midiática” e “pirotécnica” e está trazendo prejuízos econômicos ao Estado.

 

Segundo ele, plantas em Mato Grosso da JBS/Friboi - uma das empresas investigadas - deu férias a alguns funcionários. A outra empresa atingida é a BRF Foods, dona das marcas Sadia e Perdigão.

 

“Esta operação foi divulgada de uma forma infeliz e o prejuízo para Mato Grosso será muito grande. Não tenham dúvida de que o Estado vai pagar muito caro com esta crise, essa irresponsabilidade, por conta da forma como foi divulgada essa operação da Polícia Federal. Foi midiática, pirotécnica”, afirmou.

 

Para o peemedebista, países como os Estados Unidos e a União Europeia tem um controle sanitário alto e a notícia da operação pode ser considerada uma “bomba” no exterior.

 

Ele pediu que o Legislativo dê o suporte necessário ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP).

 

Sabemos que tem problemas, mas que se investigue, prende, busque. Não pode fazer uma operação com esse alarde de um produto que o mundo compra

“Nós sabemos que têm problemas, mas que se investigue, prenda, busque. Não se pode fazer uma operação com esse alarde de um produto que o mundo compra. Lá fora já há uma fama negativa da carne e eles têm todo o cuidado necessário. E, infelizmente, bastou todas aquelas manchetes para o Brasil perder bilhões e bilhões de dólares”, disse.

 

“O prejuízo já chegou e, ao invés de abrir novas plantas, estamos arriscando perder as que estavam funcionando. Não é justo pagar esse preço que já chegou aqui. E a Casa tem que dar respaldo ao ministro e também convidar os embaixadores que importam nossas carnes para ver como é bem controlada a questão da inspeção animal”, afirmou.

 

Operação precipitada e CPI

 

Já o deputado Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), que foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos, disse que a operação da PF foi “precipitada” e que poderá agravar a crise econômica.

 

“São graves consequências para todo o País. Principalmente neste momento de crise, em que a alavanca da nossa economia é o agronegócio. Neste momento, irresponsavelmente é divulgada uma operação sem critérios corretos, precipitada, impensada. Porque se tivessem pensado corretamente, com certeza não teriam divulgado essa operação”, disse.

 

Ele também questionou a demora no período de apuração das irregularidades, que, segundo a Polícia, foi de cerca de dois anos.

 

“Se existia algum indício de que algo estava sendo inserido nessa carne, a exemplo do papelão, seria um absurdo esperar dois anos, deixar os brasileiros consumirem essa carne. Então, eles deveriam ter tomado providências em sigilo, esclarecido os fatos, evitando esse transtorno”, afirmou.

 

O último a criticar a operação foi o deputado Adalto de Freitas (SD). Para ele, é preciso que o Congresso Nacional instale uma CPI para apurar eventuais “interesses obscuros”.

 

“No final da operação vamos ver que o fato é muito pequeno em relação ao estrago que está sendo feito na imagem brasileira, na imagem do governo e da cadeia produtiva. Queria sugerir que nos baixássemos uma indicação para que o Congresso Nacional inicie uma CPI para saber o que está por trás disso. Não é admissível brasileiro jogar contra o próprio País”, disse.

 

Operação

 

Ao todo, foram expedidos 38 mandados de prisão. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das empresas investigadas.

 

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, também é citado na investigação. Ele aparece em grampo interceptado pela operação conversando com o suposto líder do esquema criminoso, o qual chama de "grande chefe".

 

A investigação apontou o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, por alguns frigoríficos, e a re-embalagem de produtos vencidos.

 

Segundo a PF, essa é a maior operação já realizada na história da instituição. Foram mobilizados 1.100 policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

 

Os grupos acusados, JBS e BRF, possuem 28 unidades industriais em Mato Grosso.

 

Em Mato Grosso, o grupo JBS informa em seu site que possui 24 plantas, entre unidades de processamento de bovinos, de confinamento de bovinos, de couro, centros de distribuição e unidades e centros de distribuição de aves.

 

Já a BRF possui quatro unidades industriais, além de um centro de distribuição, em Várzea Grande, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Nova Marilandia e Campo Verde.

 

De acordo com o superintendente federal da Agricultura do Estado, José Assis Guaresqui, embora as unidades em Mato Grosso não tenham sido alvo no esquema apurado, não é possível descartar a possibilidade de os frigoríficos serem investigados em desdobramentos da operação.

 

Fonte: Mídia News

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