Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Cidades

Rei da Soja" articula doação de R$ 1 milhão para Silval na campanha de 2010

DELAÇÃO DE NADAF | 01/11/2017 23:25:27


O megaempresário Eraí Maggi – primo do Ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), e proprietário do Grupo Bom Futuro -, teria repassado R$ 1 milhão ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) durante sua campanha a reeleição em 2010. Os recursos não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral, o que configuraria, em tese, a prática de “Caixa 2”. 

Eraí teria obtido os recursos por meio de um pagamento do empresário do ramo da construção civil, Luiz Antônio Miranda. A informação é do ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, e consta num de seus depoimentos  no âmbito de seu acordo de colaboração premiada, firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Nadaf afirma que Luiz Miranda lhe confidenciou, em 2012, que Eraí o havia procurado dois anos antes pedindo apoio financeiro a campanha de reeleição do ex-governador. No encontro, Eraí alegou que o empresário tinha vencido uma licitação no Governo do Estado – a duplicação de um trecho da MT-010.

“Tal licitação se referia à duplicação da MT-010, do trecho Cuiabá até a entrada do Condomínio Florais, e segundo Luiz Antonio Miranda, havia sido afirmado por Eraí Maggi que o empresário seria ressarcido dessa contribuição quando dos pagamentos pelo Governo da obra que ele iria executar”, diz trecho da delação, que ainda narra que o dinheiro foi entregue “diretamente ao empresário Eraí Maggi”.

O dinheiro, que seria ‘ressarcido’ por meio da licitação, porém, não pode ser ‘devolvido’ na forma pré-estabelecida uma vez que o projeto, em 2012, ainda não tinha saído do papel. O fato fez com que Eraí procurasse Nadaf questionando o pagamento da ‘dívida’, pedindo que o ex-chefe da Casa Civil intercedesse junto a Silval Barbosa.

“Eu levei o assunto ao então governador Silval da Cunha Barbosa, tendo ele determinado que eu falasse com Marcel de Cursi [então secretário de Fazenda], a fim de encontrarem uma forma de quitar essa dívida, mencionando, ainda, que poderiam conceder ao empresário incentivos fiscais”, narrou Nadaf.

Luiz Antônio Miranda – proprietário das empresas Dismafe Distribuidora de Máquinas e Ferramentas S/A. e Lumen Consultoria Construção e Comércio Ltda -, então, foi beneficiado com a concessão de incentivos fiscais por meio de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no valor de R$ 2,8 milhões, em favor da Lumen. Os créditos, porém, foram transferidos para o Grupo Votorantim.

“O valor do benefício foi calculado com base em cálculos de créditos apresentados pelo Sr. Luiz Antônio Miranda, vulgo Toninho, da seguinte forma: a empresa Votorantim cobraria um deságio de 20% do valor total pelos serviços burocráticos, ou seja, R$ 560 mil a serem descontados do crédito de R$ 2,8 milhões, restando assim o valor de R$ 2,24 milhões de crédito”, disse Nadaf.

Desse total, o ex-chefe da Casa Civil disse que foram abatidos R$ 700 mil do valor da propina, que já haviam sido pagos em 2012, restando R$ 250 mil, que foram quitados por meio de dez cheques da Dismafe no valor de R$ 25 mil cada. Uma das duplicatas foi utilizada para aquisição de gado, fato que é investigado na segunda fase da operação “Sodoma”. “Eu usei um desses cheques na aquisição de gado do Sr. Antelmo Zílio, pai de César Zílio [ex-secretário de Administração], cheque este que foi identificado na Operação Sodoma II”, descreve o ex-secretário.

Nadaf revelou, ainda, que Luiz Miranda lhe deu três imóveis no Condomínio Solar da Chapada, em Cuiabá. “Ainda recebi a título de propinas do Sr. Antônio duas casas de dois quartos, localizadas no Condomínio Solar da Chapada, no valor unitário de R$ 140 mil, que totalizam o valor de R$ 280 mil, e ainda uma casa de três quartos, localizada no mesmo condomínio Solar da Chapada, no valor de R$ 170 mil, casas estas já vendidas por mim”.

Fonte: Folha Max

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