Paranatinga, 25 de Fevereiro de 2018

Cidades

Mortes no trânsito fizeram Mato Grosso perder R$ 4,26 bilhões em um ano

MORTE DE TRANSITO | 04/02/2018 12:18:58


Um estudo do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros, apontou que a violência no trânsito mato-grossense provocou um impacto econômico de R$ 4,26 bilhões em 2016. Este montante representa 4,13% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior percentual do Centro Oeste.
 
Segundo o levantamento, esse valor corresponde ao que seria gerado pelo trabalho das vítimas caso não tivessem se acidentado. Os mais de R$ 4,2 bilhões é a perda da capacidade produtiva causada por acidentes que mataram 917 pessoas e deixaram outras 640  com invalidez permanente.
 
Entre 2015 e 2016, houve redução de 19% na perda do PIB do estado, mesmo assim a taxa ainda é a maior de toda a Região Centro-Oeste e está acima da média regional (3,57%). No ano anterior ao do levantamento, a perda no PIB foi de R$ 5,25 bilhões. O fator que mede a perda da capacidade produtiva é chamado de Valor Estatístico da Vida (VEV), ou seja, o quanto cada brasileiro deixa de produzir anualmente em caso de morte ou invalidez.
 
Segundo o diretor do CPES, Claudio Contador, a redução do número de vítimas de acidentes graves está ligada a dois fatores básicos: o aumento da fiscalização (Lei Seca) em alguns estados e a crise econômica, que reduziu as vendas de automóveis e tirou muitos veículos de circulação no país.
 
 “A violência no trânsito caiu de forma considerável, o que é um fato alentador. Ainda assim, o número de vítimas remete a um quadro de guerra. E a grande maioria concentra-se na faixa etária de 18 a 64 anos. Ou seja, pertence a um grupo em plena produção de riquezas para a sociedade”, analisa Claudio Contador.
 
No país, os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná lideram as estatísticas de perdas decorrentes dos acidentes de trânsito. Segundo o estudo do CPES, o impacto econômico nesses estados foi de R$ 24,7 bilhões, R$ 15,7 bilhões e R$ 11 bilhões, respectivamente. Em São Paulo, morreram 5.248 pessoas em acidentes no ano passado – quase o dobro de toda a Região Norte. O Rio de Janeiro registrou perdas de R$ 10,2 bilhões, com 2.199 mortes no trânsito. Já o Nordeste lidera em número de acidentes com invalidez permanente: 11.086, sendo 4.094 no Ceará e 1.609 em Pernambuco.
 
“Quando uma pessoa morre num acidente, ela deixa de produzir riquezas para seu país. Se fica inválida, deixa de produzir e também impacta a economia de sua família, porque fica dependente de cuidados e tem despesas adicionais. É disso que a nossa pesquisa trata”, explica Claudio Contador.
 
Deletran
 
Em entrevista ao Olhar Direto, o delegado Christian Cabral, titular da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), comemorou a redução no número de mortes na região metropolitana de Cuiabá, mas disse que o desafio se torna cada vez mais difícil, já que há pouco investimento em infraestrutura das cidades e no transporte público.
 
“Tivemos uma redução no número de mortes. Trabalhamos até para manter os números. A frota aumenta cerca de 10% ao ano e as vias não, as vezes até diminuem. Não vemos muito avanço na questão de transporte coletivo, então, cada vez tem mais veículos e menos espaços”, explica o delegado.
 
Christian ainda acrescenta que a Deletran prepara um plano visando reduzir o número de acidentes com motociclistas: “Dos números que tivemos, o nosso gargalo hoje é a motocicleta, que tem a maior parte das vítimas violentas. O que temos feito até hoje, pouca impacta esta categoria. A ‘Operação Lei Seca’ atinge mais os veículos de quatro rodas. Por isso, estamos pensando no que fazer este ano para que tenhamos uma redução ainda maior”.
 
Anuário Estatístico
 
O Anuário Estatístico de Trânsito, divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), apontou que no ano de 2016, quase 18% dos acidentes registrados em Mato Grosso aconteceram em Cuiabá. No total, o Estado registrou 13 mil ocorrências naquele ano (o último com os números consolidados). Além disto, também ficou explícito que as segundas-feiras foram os dias da semana mais perigos daqueles 365 dias.
 
Segundo o levantamento, que foi feito com informações cedidas pela Secretaria de Segurança Pública (SESP/MT), Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PM/MT) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), Mato Grosso teve 13 mil acidentes em 2016. O número representa uma redução de quase 37%, se comparado a 2015, quando foram registradas 20.592 ocorrências.
 
Uma morte a cada dois dias em MT
 
O Relatório da Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso (PRF-MT), que apresentou os dados de todas as ocorrências em rodovias no Estado em 2017, apontou que uma pessoa morreu a cada dois dias no ano passado. Em relação a 2016 este número diminuiu, no entanto, em outros pontos houve um aumento. Foram registradas 190 mortes em acidentes nas rodovias em 2017.
 
Com relação aos números de acidentes, Mato Grosso registrou 190 óbitos em acidentes nas rodovias. Houveram 2.531 pessoas feridas em acidentes, 492 acidentes com feridos em estado grave e 1.687 acidentes sem vítimas.

 

Fonte: OLHAR DIRETO

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