Paranatinga, 26 de Maio de 2020

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'Dá para ser feliz com o HIV', diz jovem soropositivo há quase 2 anos

Publicado 29/05/2016 15:15:28


Muitas pessoas que vivem com HIV preferem se esconder por causa do medo de sofrerem  preconceito. Mas há aquelas que decidem romper o silêncio e mostrar o rosto. É o caso de Lucas Patrick Machado, que mora em Cuiabá. O vendedor descobriu, há quase dois anos, que era portador do vírus.

“Eu fui fazer uma cirurgia e estava aguardando a minha saída. A pessoa me ligou, perguntando se estava bem. Eu disse que estava internado e ele pediu para eu fazer o exame, porque ele tinha me deixado um presente na noite em que a gente tinha ficado junto. E, umas duas horas depois, o médico veio afirmando que eu estava HIV positivo”, contou.

A transmissão foi de propósito, disse o jovem. “Não foi falta de prevenção. Porque a camisinha estava furada. Eu pedi para levar camisinha porque não tinha. Mas a pessoa fez questão de perfurar o preservativo", conta.

Ter HIV e ter Aids são coisas diferentes, explica a média infectologista Kadja Leite. "O HIV é aquele paciente que tem infecção pelo vírus mas que o sistema imune está preservado. É um paciente que tem uma vida normal, que não tem nenhuma alteração no seu cotidiano e que tem a imunidade preservada. O paciente com Aids é quem tem um grande tempo de evolução da doença. E isso faz com que seu sistema imune fique deficiente. É um paciente predisposto a infecções", diz.

Primeira reação

O jovem relata qual foi a primeira reação ao saber que era HIV positivo. “A primeira coisa que eu falei pro médico foi: 'Me jogo da ponte ou me jogo na frente de um ônibus?' Pânico. Medo da morte”, conta.

Há 20 anos, a enfermeira Iney Maria Araújo convive com as mais diversas reações de quem descobre que é soropositivo. “Estático, sem movimento. Chora muito, o medo de ser isolado da sociedade por ter HIV. O medo de perder o emprego. E tudo isso culmina em que? Leva o paciente a pensar em morte e não viver mais. E aí ele não trata, com medo de ser descoberto com HIV”, disse.

Família

Lucas decidiu que faria o tratamento. Mas o próximo passo, o de contar para a família, não seria nada fácil. A primeira a saber foi a mãe. “Entreguei os papéis dos exames para ela. E ela, claro, entrou em pânico, chorou muito. Mas foi principalmente minha mãe quem me deu todo o apoio. Sem apoio, a pessoa que tem HIV acaba sucumbindo, perecendo ao vírus”, conta.

Amigos

Os amigos do vendedor ficaram divididos ao saberem que o jovem tinnha HIV. “Teve divisão: aqueles que disseram que iriam dar a mão para eu segurar e aqueles que 'fica aí, que eu fico aqui na minha, a gente termina aqui onde a gente começou nossa amizade'".

O jovem conta que ficou particularmente magoado quando quis sair com uma pessoa, mas essa pessoa se recusou dizendo que os outros iriam pensar que ela também tinha HIV. “Isso me magoou muito, me machucou muito e eu acabei ficando um bom tempo trancado dentro de casa, sem querer sair e sem querer falar com ninguém”, diz.

Porém, o Lucas Patrick conseguiu dar a volta por cima. “Eu decidi parar de me culpar, parar de me julgar e expor ao mundo, expor às pessoas que dá para viver com o HIV. Dá para ser feliz tendo o HIV", afirma.

Dados

Em todo o mundo, 36,9 milhões de pessoas convivem com o HIV. No Brasil, em tratamento, são 455 mil pessoas. E, no estado, de 2013 a 2016, foram notificados 1.026 casos de HIV e 2.138 de Aids.

 

Fonte: G1 MT

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