Paranatinga, 18 de Outubro de 2018

Cidades

Cuiabano atravessa 13 países da América do Sul de carona

SONHO | 24/09/2018 08:09:42


 

O cuiabano Gabriel Dias, de 25 anos, teve a coragem para realizar um sonho que muitas pessoas têm: colocar uma mochila nas costas e sair viajando pelo mundo.

 

Em apenas um ano, ele atravessou os 13 países da América do Sul apenas pegando carona. Segundo ele, o gasto mensal dele para fazer todo o tour foi de R$ 600.

 

O cuiabano passou por pontos turísticos do Brasil, Uruguai, Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Colômbia, Equador, Paraguai, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa e Guiana Inglesa.

 

Nesta semana, o viajante esteve na Capital mato-grossense para participar da colação de grau do irmão e contou um pouco da aventura que vivenciou nesses últimos 365 dias e adiantou: as viagens ainda não acabaram.

 

O sonho de Gabriel é dar a volta ao mundo de carona. Ele deve retomar as viagens no início do próximo mês. O objetivo, agora, é chegar ao Alasca, nos Estados Unidos, e de lá seguir para a Ásia, Europa e África.

 

Para sair viajando por aí, o cuiabano teve que largar a carreira de empresário do ramo imobiliário. Ele afirmou que trabalhou duro durante seis anos para juntar dinheiro para as viagens. No final, porém, nada saiu como planejado.  

 

“Sempre foi meu sonho viajar o mundo e eu tinha me programado para viajar de carro e com dinheiro. Mas nada do que foi planejado deu certo, eu praticamente fali.  E aí eu pensava: será que eu vou ter que trabalhar tudo de novo para conseguir o dinheiro para poder viajar? ”, disse.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

 

Gabriel esteve em Cuiabá nessa semana e contou um pouco da aventura que viveu

 “Foi então que decidi ir de carona mesmo, sem dinheiro. Eu já tinha passado seis anos trabalhando duro, juntando dinheiro e aí chegou uma hora que todo o meu dinheiro foi embora de uma vez por causa de uns investimentos errados, um acidente que eu tive com a minha caminhonete. Eu preferi ir com o pouco que eu tinha, de carona mesmo, do que correr o risco de lá na frente acontecer tudo de novo e não dar certo”, afirmou.

 

Gabriel diz não se arrepender nem um pouco da sua decisão.

 

“Foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida. Viajar é o melhor investimento que o ser humano pode fazer. Tudo bem que no meu caso não envolve muito dinheiro, mas envolve muito tempo. Eu estou investindo o meu tempo nessas viagens. Não sei se tem gente que julga errado [ter largado tudo], mas para mim está trazendo ótimos resultados”, afirmou.

 

De todos os lugares que já passou, Gabriel disse ter se encantando mais com uma pequena região de montanhas no sul do Chile.

 

“Tem muitos lugares e pessoas incríveis na América do Sul e é tudo aqui do nosso lado. Mas em geral, parece que quanto mais pequeno é o lugar, mais isolado, mais longe das grandes civilizações, mais diferentes são as pessoas, mais acolhedoras, comunicadoras. Um lugar em que o conjunto me agradou não é nem uma cidade, é uma região de montanhas e fazendas que fica no sul do Chile. A cidade mais perto dali chama Concón.  Lá tem um rio verde, montanhas nevadas, é lindo”, disse.

 

Já o país que não o agradou muito foi a Guiana Inglesa.

 

“Mas acho que foi algo bem pessoal. Tive muita dificuldade, porque lá eles falam inglês e eu não aprendi esse idioma ainda. Mas o que mais me incomodou lá foi o fato deles serem muito apegados ao dinheiro”, relatou.

 

“Por exemplo, eu estava pedindo carona e lá é um país [em que essa prática] não é muito comum. Um homem passou, parou e eu disse pelo tradutor do celular que precisa ir até tal lugar, mas que não tinha dinheiro, que precisava de carona. Ele respondeu ok. Mas aí chegou no lugar que eu iria ficar, ele disse que eu tinha que pagá-lo, fez um escândalo danado, chamou a polícia. O mais revoltante é que ele estava me cobrando um valor muito baixo, algo em torno de dois reais. Eu fiquei bem mal. Isso aconteceu logo quando entrei no país e, por conta de tudo isso, quis sair rápido de lá”, contou.

 

Caronas e estadias

 

A maioria das caronas que Gabriel pega é com caminhoneiros. Mas ele disse também já ter viajado com pessoas em carro de passeio e até de barco.

 

Para facilitar, o cuiabano anda com uma placa com a os dizeres “Volta ao Mundo de Carona: Faça Parte Disso”, em espanhol.

 

Na mochila, ele só leva o essencial, como roupas, celular, passaporte, cartão de débito e crédito, barraca e saco de dormir.  

 

“Quando chego em uma cidade, vou em alguma casa, bato palma e explico para a pessoa que me atende que estou viajando o mundo e peço para colocar a minha barraca no quintal. Daí, o que acontece muito é a pessoa me chamar para dormir dentro da casa, dizendo que eu sou louco”, disse aos risos.

 

 

Quando chego em uma cidade, vou em alguma casa, bato palma e explico para a pessoa que me atende que estou viajando o mundo e peço para colocar a minha barraca no quintal

Apenas uma vez ele disse ter sentindo medo na aventura, causado pela barreira da língua.

 

“A maior dificuldade mesmo é a língua. Passei em nove países que falam espanhol, mas em nenhum é o mesmo espanhol. Em Suriname, fala-se holandês, na Guiana Francesa se fala francês e na Guiana Inglesa, inglês”.

 

“Teve uma fez, em Suriname, em que pedia carona para ir para a Guiana Inglesa. Consegui uma carona com um caminhoneiro, mas eu não conseguia entender muito a língua dele. Chegou em um lugar e ele falou com as mãos que ia me arrumar um lugar para dormir. Ele parou na casa de um amigo dele. Lá só tinha um cômodo. Eu fiquei com medo porque os dois eram muito estranhos. Na casa haviam facas para todos os lados, cassetetes.  Arrumei um jeito e fui embora de lá. Sai caminhando a noite pela estrada. Sorte que encontrei uma casa no caminho e conversei com os proprietário para dormir na varanda”, disse.

 

Incentivo

  

Gabriel disse que saiu de Cuiabá com R$ 3 mil. Depois de cinco meses o dinheiro acabou e ele começou a fazer “bicos” pelas cidades.

 

“Eu economizo muito viajando de carona. Se eu trabalho um dia, consigo viajar duas semanas. Trabalhando, por exemplo, descarregando caminhão, vendendo fotos dos lugares que eu já passei”, contou.

 

“Hoje olhando para as coisas que aconteceram, eu fico me perguntando por qual razão não fiz isso antes, porque vale muito pena você conhecer tantos lugares lindos, culturas incríveis e pessoas maravilhosas”, afirmou.

 

Gabriel incentivou quem tem o mesmo sonho que ele, mas tem medo de ir por causa de dinheiro ou outras situações.

 

“Eu não quero que as pessoas façam igual a mim, saiam como loucos, mas tem muita gente que tem dinheiro, tem condições e, mesmo assim, não sai de casa ou, quando viaja, fica isolada em um hotel, uma praia”, disse.

 

“E para aqueles que não tem dinheiro, eu falo que é possível também, porque muita gente pensa que tem que trabalhar, juntar dinheiro para conseguir viajar por um tempo. Eu fiz isso. Trabalhei durante seis anos, juntei dinheiro, mas não precisa. Você pode ir trabalhando no caminho, faz um mês num país, outro mês em outro”, finalizou.

 

 

Fonte: Midia News

Rádios

Anuncios

CURTA NOSSA FAN PAGE