Paranatinga, 14 de Novembro de 2018

Cidades

Câmeras são instaladas em mata após índia ser morta por onça em MT e ICMBio estuda remoção de felino

ONÇA | 08/11/2018 08:50:22


 

A morte de uma indígena em um ataque de uma onça-pintada, na região do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, mobilizou pesquisadores e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os órgãos estudam a possibilidade de capturar e remover o animal da comunidade indígena.

O ataque, ocorrido em maio deste ano na Aldeia Waurá-Piyulaga, em Gaúcha do Norte, a 595 km de Cuiabá, assustou indígenas e causou a preocupação das autoridades.

A pajé Kuanap Kamayurá, de 56 anos, colhia raízes quando foi atacada e morta pelo animal. Depois disso, supostas aparições de onças, a princípio em um número maior do que o comum, foram relatadas pelos indígenas em quatro comunidades indígenas do Alto Xingu, em Mato Grosso.

Os índios também afirmaram que cães foram atacados e mortos pelas onças. Os relatos e a morte da pajé levaram o ICMBio e a Funai a criarem ações conjuntas para evitar outro ataque e acalmar os indígenas.

 

 

Rogério Cunha, do ICMBio, instala armadilhas fotográficas acompanhado dos servidores da Funai — Foto: ICMBio

Segundo Rogério Cunha de Paula, biólogo e coordenador-substituto do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), 30 câmeras, chamadas de armadilhas fotográficas, foram instaladas em lugares onde os indígenas relataram terem visto as onças.

 

Foram colocadas câmeras em uma amostragem de 300 km quadrados em comunidades indígenas: Aldeia Piyulaga, Aldeia Ipavu, Posto Avançado Leonardo Villas-Bôas e Saídão da Fumaça.

De acordo com a Funai, os órgãos planejavam a captura e a remoção de onças, além de criar um estudo das condições que possam causar prejuízo à biodiversidade, assegurando a proteção dos índios.

Na avaliação de Rogério Cunha, os casos de ataque de onça a indígenas são raríssimos.

 

 

Crianças indígenas e cachorros das aldeias costumam passear nas áreas em torno das comunidades — Foto: Funai

Ele integrou a equipe que fez a identificação das onças nas aldeias Yawalapiti, Ipawu, Piyulaga e no Posto de Serviços Médicos Leonardo Villas-Bôas – local onde aconteceu o ataque à pajé Kuanap Kamayurá.

 

“Essa indígena mora na margem da floresta e ela saiu sozinha para colher raízes, quando aconteceu o ataque. As filhas ouviram os gritos e acharam o corpo”, relatou Rogério ao G1.

 

 

Após o ataque

 

Depois do ataque, representantes da Funai e do instituto começaram a investigar as ocorrências envolvendo pessoas e onças na região. A ideia era tentar desvendar por que as onças estão chegando tão próximas às aldeias e o quanto isso representava de risco para as comunidades indígenas.

As câmeras registraram quatro fêmeas de onça-pintada e um macho considerado o suposto responsável pelo ataque à pajé. Ele foi o animal mais registrado pelas câmeras rondando o perímetro das aldeias.

 

Também foram feitas 29 entrevistas com indígenas da região onde aconteceram os acidentes envolvendo pessoas e animais domésticos, como os cães.

“Espalhamos câmeras com sensor de presença e calor nas aldeias onde os índios relataram terem visto as onças. Queremos saber qual o risco de novos ataques e quão vulnerável estão os indígenas”, declarou o biólogo ao G1.

 

 

Os servidores da Funai [de verde], Eduardo Ribeiro e Otávio Moura, conversam com Rogério Cunha e o cacique Kotok, da aldeia Kamaiurá — Foto: ICMBio

Na expedição de identificação das onças, a equipe instalou, em 20 locais diferentes, as armadilhas fotográficas para avaliar, além da presença dos animais, a frequência de ocorrência desses bichos ao redor e entre as aldeias.

O projeto focou especificamente na região onde foi registrada a morte da indígena.

 

Risco pequeno

 

O CENAP/ICMBio diz que não percebeu disparidade na quantidade de onças na região das comunidades indígenas. Também alerta que não há motivo para pânico ou medo das onças, que sempre rondaram as aldeias.

“Analisando as informações coletadas concluímos que o risco [aos indígenas] não é grande. O risco maior é da onça, que se acostumou com a família. A onça, quando se depara com o ser humano, tem uma tendência, de mais de 90% de correr e fugir. Essa onça estava, por mais de um ano, se alimentando dos cachorros da casa da mulher que foi atacada”, avaliou Rogério.

 

 

 

Onça-pintada foi fotografada após matar índia na Aldeia Waurá-Piyulaga, em Gaúcha do Norte — Foto: CENAP/ICMBio

A onça-pintada identificada como 'autora do ataque' pode ser um animal mais velho ou que está doente, na avaliação do instituto. Os analistas perceberam que ela anda muito devagar e possivelmente tem algum tipo de lesão na coluna.

 

“Na captura vamos ver se é um bicho que perdeu a capacidade de caça. Ele não é um animal que vai caçar humanos, mas é intolerante e, em vez de fugir, pode ter o risco de atacar”, comentou o biólogo.

 

Depois de capturada, a onça passará por avaliação médica. Caso esteja debilitado, o animal será colocado em cativeiro para recuperação. Ele será solto se os analistas perceberem que a onça está com uma saúde e condicionamento adequados.

A data da captura ainda será definida.

 

Fonte: G1

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