Paranatinga, 16 de Janeiro de 2019

Brasil

ZÉ DIRCEU

Zé Dirceu lança livro revelando memórias da ditadura e considera Era Bolsonaro militar-civil

Publicado 18/12/2018 23:55:49


José Dirceu (PT) lança hoje (18), em Cuiabá, o livro Memórias. A autobiografia traz relatos da vida de um dos homens mais emblemáticos do país, que foi um dos principais ministros do governo Lula. Condenado a 30 anos e nove meses de prisão pelos crimes de corrupção investigados pela Operação Lava Jato, o ex-ministro cumpre pena em liberdade por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao , Dirceu relata que escreveu o volume 1 do livro enquanto estava preso, e que o fez motivado para relatar às novas gerações como foram os anos de repressão no país durante o Regime Militar (1964-1985). “São memórias da minha militância desde o movimento estudantil contra a Ditadura. Minha prisão e exílio em Cuba, a volta para a clandestinidade, a anistia, toda a minha vida pessoal, como estudante, amorosa, relações públicas”.

“Falo do Brasil nos últimos 60 anos, como se desenvolveu, os golpes. A situação internacional, andei muito pelo mundo, foram mais de 100 viagens”

O volume 1 traz relatos da juventude de Dirceu até 2006, enquanto que as histórias de 2006 até 2015 serão publicadas no volume 2 do livro, que deverá ser lançado no próximo ano. Cuiabá será a 22ª capital na qual o político fará lançamento da obra. A noite de autógrafos será no Hotel Veneza, a partir das 19h, na avenida Coronel Escolástico.

Dirceu também detalha que traz uma análise do governo do PT durante os anos em que fez parte do staff de Lula. “Falo do Brasil nos últimos 60 anos, como se desenvolveu, os golpes. A situação internacional, andei muito pelo mundo, foram mais de 100 viagens”, aponta Dirceu, que revela não ter se esquivado de temas delicados como o escândalo do Mensalão durante o governo petista, assim como a Lavo Jato.

Conjuntura política

Dirceu avalia que o país passa por um momento delicado e que possui dois caminhos. “Um de soberania nacional, de governos desenvolvimentistas, com um Estado que distribui rendas e riquezas, protegendo os mais pobres, idosos, crianças e fazer o país ocupar um lugar de destaque no mundo. Mas hoje o que está sendo pregado é a mesma mentalidade do Golpe de 1964. Querem reforma da previdência, mas não do Judiciário ou dos militares, apenas dos trabalhadores. Previdência não dá deficit, o que dá deficit é a exoneração fiscal para os grandes”, critica.

“Vamos continuar nossa luta naquilo que sempre acreditamos, na igualdade entre homens e mulheres, pluralismo e respeito a diversidade sexual (...) Não podemos enfrentar violência com mais violência”

“Governo quer privatizar a previdência, que é um mercado de meio trilhão de dólares. Quer privatizar saúde e educação que é outro mercado de quase um trilhão de dólares. É um governo com teses muito autoritárias, de extrema direita, que quer ser satélite dos Estados Unidos.  Se relaciona com o presidente da Ungria, que o povo está quase derrubando lá, porque a União Européia ver com extremo receio por causa dos posicionamentos de extrema direita”, complementa.

Futuro do PT

Dirceu pondera que o erro do PT foi não ter se preparado para o que chama de “verdadeira guerra cibernética”, que segundo o ex-ministro foi o fator preponderante para garantir a vitória a Bolsonaro nestas eleições.

Em relação a como o partido deve se comportar daqui pra frente, Dirceu disse que a sigla vai fazer uma proposta alternativa. “Vamos continuar nossa luta naquilo que sempre acreditamos, na igualdade entre homens e mulheres, pluralismo e respeito a diversidade sexual. Temos que conviver em um país com todas as religiões sem misturar Estado com igreja. Não podemos enfrentar violência com mais violência”.

Dirceu também avalia que o PT precisa voltar a lutar com o povo. “Foi o que nos deu força nas décadas de 1970 e 1980. Não é que abandonamos o povo, mas agora precisamos nos dedicar mais na conscientização do povo. O PT é político e vai se debruçar sobre isso e tomar medidas”.

Em relação a Bolsonaro, Dirceu avalia que se trata de um governo militar-civil. “É um governo do Paulo Guedes, Sérgio Moro e militares. Querem privatizar tudo, mas a privatização já foi aplicada em outros países e não deu certo. Na verdade querem é beneficiar essas empresas que hoje vivem dos juros escandalosos no Brasil. Hoje se paga cerca de R$ 400 bilhões por ano de juros no país, sendo que nenhum país paga mais que R$ 50 e no máximo R$ 100 bilhões”.

 

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