Paranatinga, 06 de Dezembro de 2019

Agronegócios

Documentos entregues por Eder tinham relação com Ararath

Publicado 26/12/2015


Em relatório datado de fevereiro deste ano, a Polícia Federal admitiu a relevância dos documentos entregues pelo ex-secretário de Estado Eder Moraes para o desdobramento das investigações da Operação Ararath.

 

A operação apura um suposto esquema de corrupção, desvio, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional que pode ter causado um rombo superior a R$ 500 milhões nos cofres públicos.

 

Pelos supostos crimes, Eder já foi condenado a 69 anos de prisão em uma das sete ações penais as quais responde na Justiça Federal.

 

O relatório que analisou os documentos entregues por Eder contradiz outro relatório da PF, elaborado em fevereiro do ano passado.

 

Na análise anterior, a PF afirmou que as informações entregues por Eder ao órgão, por intermédio do promotor de Justiça Marcos Regenold, entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014, eram “documentos antigos, superficiais e desconexos entre si”.

 

“Diante dos elementos trazidos por Eder de Moraes, percebe-se que tal pessoa em momento algum desejou ajudar a investigação da Operação Ararath, mas sim redirecionar o foco das investigações aos seus inimigos políticos [...] As ações de Eder de Moraes tinham por escopo atrapalhar e tirar o foco da Operação Ararath, e tiveram como consequência o desperdício de tempo e de recursos humanos desta Polícia Judiciária”, diz o relatório de 2014, assinado pelo delegado Guilherme Augusto Campos Torres Nunes.

 

Já na nova análise, a PF afirmou que os documentos apreendidos na residência de Eder, assim como os entregues por meio do promotor Marcos Regenold, possuíam relação com as investigações da Ararath.

 

Notas promissórias

 

Entre os documentos analisados pela agente federal Laura Yumi Miyakawa, estão notas promissórias assinadas pelo ex-governador Silval Barbosa e por Eder Moraes.

 

Uma das notas, no valor de R$ 4,5 milhões e datada de 2008, teria como beneficiário o empresário Júnior Mendonça, delator e pivô do esquema, que teria “pulverizado” os valores a aliados políticos de Eder.

 

Anotações constantes nos documentos, conforme a PF, revelaram que, deste valor, R$ 2,5 milhões teriam sido destinados ao ex-conselheiro Alencar Soares, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

 

A documentação colaborou para que o Ministério Público Estadual (MPE), em dezembro de 2014, ingressasse com uma ação de improbidade administrativa contra o conselheiro Sérgio Ricardo, o ex- governador Silval Barbosa, o senador e ex-chefe do Estado, Blairo Maggi (PR); o ex-conselheiro Alencar Soares e seu filho, o empresário Leandro Soares; o ex-secretário de Estado Eder Moraes; o conselheiro afastado Humberto Bosaipo; e o ex-deputado estadual José Riva (PSD).

 

Na ação, o órgão afirma que Alencar Soares teria vendido a vaga de conselheiro a Sérgio Ricardo por R$ 12 milhões, com a ajuda dos demais denunciados, que teriam usado recursos públicos para concretizar a suposta negociata.

 

Também foi analisada pela PF uma nota promissória, no valor de R$ 2 milhões, com assinaturas semelhantes às de Eder Moraes, Sérgio Ricardo e José Riva.

 

O cruzamento de dados da PF revelou que, possivelmente, a nota seria relativa ao alegado empréstimo solicitado pelos políticos, em 2009, que foi citado por Júnior Mendonça na delação que fez ao órgão.

 

“Na oportunidade os dois deputados estaduais solicitaram ao depoente um empréstimo no montante de R$ 4 milhões, sendo dividido entre eles em R$ 2 milhões para cada; que Riva e Sérgio Ricardo entregaram ao depoente um nota promissória, que não se lembra ao certo, mas possivelmente emitida por Eder Moraes e avalizada por Riva e Sérgio Ricardo”, diz trecho da delação de Júnior Mendonça.

Publicidade Áudio

Enquete

Oque você mais deseja para o ano de 2020?

ALEGRIA

PAZ

FELICIDADE

PROSPERIDADE

SAÚDE

HUMANIDADE

RESPEITO

AMOR

DIGNIDADE

COMPAIXÃO

Anuncios

CURTA NOSSA FAN PAGE