Paranatinga, 22 de Novembro de 2017

Agronegócios

Bela Gil mobiliza fãs e agrotóxico que fez vítimas em MT é banido do Brasil pela Anvisa

AGROTOXICOS | 20/10/2017 01:34:03


Agência Nacional de Vigilância Sanitária deliberou na última semana pelo banimento do ingrediente ativo Carbofurano, utilizado principalmente em lavouras de banana, café e cana-de-açúcar.  O assunto havia sido alvo de polêmica gerada pela apresentadora Bela Gil, que no ano passado usou sua página no Facebook para pedir que os fãs revertessem uma consulta pública sobre o uso do pesticida. Agora o produto deverá sair de circulação após seis meses de prazo para sua descontinuação nas culturas, incluindo em Mato Grosso, onde foi constatado alto índice de intoxicação.

De acordo com estudos da Agência, os sete estados com maior número de casos de intoxicação registrados no período de 2007 a 2016, são aqueles com maior comercialização do composto. A lista é formada por Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás. Foi comprovado ainda que, quando comparado ao glifosato e 2,4-D, o Carbofurano ficou em segundo lugar em número de intoxicações, apesar do volume de sua comercialização não ser tão alto quanto a desses agrotóxicos, que lideram as comercializações.

O Carbofurano é inseticida, cupinicida, acaricida e nematicida com uso agrícola para aplicação em diversas hortaliças, frutas e grãos. O modo de ação do Carbofurano não é espécie-específico, afetando também espécies não-alvo, incluindo os seres humanos.

Antes da postagem de Bela, o resultado apontava quea maioria dos participantes era favorável ao agrotóxico no Brasil. Aí, ela pediu: “Precisamos nos mobilizar! São mais de mil votos de diferença e tenho certeza que podemos mudar isso até o fim do dia”. A a partir daí a resposta aos chamados feitos aos 580 mil fãs foi excepcional: no fim das votações, 79% das pessoas pediram a exclusão do agrotóxico.



O pesticida teve seu uso proibido no Canadá desde 2010 e em diferentes países africanos. Nos Estados Unidos, em contato realizado pela equipe técnica da Anvisa no mês de junho de 2016, foi informado que existe um produto técnico e dois produtos formulados à base de Carbofurano registrados nos, porém eles não estão aprovados para serem utilizados em nenhum local do país. Na Europa, os órgãos competentes concluíram que ele representa risco à saúde da população pelo consumo de alimentos, principalmente de culturas subsequentes, e pelo consumo de água.

Proibição

Após publicação da resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol), ficarão proibidos imediatamente todos os usos do Carbofurano, exceto para as culturas de banana, café e cana-de-açúcar, que terão um período de descontinuação de seis meses. Como medida de descontinuação, a produção, importação e comercialização de produtos à base do ingrediente ativo ficam proibidas após três meses, contados da data de publicação da resolução.

Após todas as análises realizadas, a Anvisa concluiu que o uso regular de Carbofurano resulta em níveis de resíduos em alimentos - e principalmente na água - que representam risco dietético agudo à população brasileira, de efeitos neurotóxicos, e tem potencial de causar toxicidade para o desenvolvimento de seres humanos nas condições reais de exposição, que incluem efeitos teratogênicos funcionais e comportamentais. Essas características se enquadram nos critérios proibitivos de registro da Lei 7802/1989, conhecida como a Lei dos Agrotóxicos, além da Lei 9782/1999, de criação da Anvisa.

Destaca-se que o risco inaceitável do Carbofurano à saúde da população a partir da exposição pela alimentação e pela água também foi o motivo da proibição desse ingrediente ativo no Canadá, nos Estados Unidos e na Europa, entre outros países. Portanto, a sugestão de proibição do uso do Carbofurano no Brasil está alinhada às conclusões das agências reguladoras mundiais sobre esse produto.

Fonte: Agro Olhar

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