Paranatinga, 20 de Novembro de 2017

Agronegócios

Agricultura é setor com mais casos de situação análoga à escravidão; MT ocupa 3º lugar em registros

AGRONEGOCIO | 08/11/2017 12:47:24


Além dos nomes de empresários acusados por submeter trabalhadores à situação análoga à escravidão, a lista “suja” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) também aponta que a agricultura é o setor econômico com mais patrões no cadastro (31%). Em Mato Grosso, terceiro estado brasileiro em número de casos do tipo, todos os 10 registros do cadastro ocorreram em propriedades rurais, sendo uma delas, destinada a produção de carvão e reflorestamento.

O documento aponta que a maior parte dos envolvidos estão em lavouras de café (14%), seguidos pela criação de animais (25%), com predominância do gado para corte (19%). Empatados em terceiro lugar estão os setores da construção (8%) e madeireiro (8%). Nestes locais, segundo a ONG Repórter Brasil, as vítimas se endividam antes mesmo do primeiro salário, com jornadas exaustivas, sem descanso semanal remunerado e, em alguns casos, sem banheiro.

Divulgado recentemente o levantamento, atualizado no dia 6 de outubro, elenca 131 propriedades no Brasil, onde trabalhadores foram submetidos a situação análoga à escravidão, dos anos de 2011 a 2017. Entre os Estados com maiores índices estão Minas Gerais, com 42 registros e Pará, com 16. O número, segundo especialistas, não significa que Minas tenha mais trabalhadores nestas condições, mas que há um maior atendimento da demanda pela fiscalização.

Das propriedades citadas em Mato Grosso, apenas uma exceção foi notada: o pecuarista Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), autuado em 2013 por empregar trabalho análogo ao escravo em três fazendas em Vila Rica, no Mato Grosso. De acordo com o site Agência Pública, Feresin cumpriu um Termo deAjustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e, pelas próprias regras do cadastro, teve seu nome retirado.

Os anos das ações fiscais aqui variam entre 2012 e 2016. As mais recentes foram em Cuiabá, no ano de 2016, em uma fazenda na estrada para a Chapada dos Guimarães, com quatro trabalhadores envolvidos, e em Poxoréo, com cinco. As mais antigas foram em uma Gleba no município de Feliz Natal, em 2012, com oito trabalhadores, e em Itanhangá, no mesmo ano, com sete trabalhadores.


A ação que envolveu mais trabalhadores ocorreu em Matupá, no ano de 2013, com 15 envolvidos. Neste mesmo ano também ocorreram ações em Itiquira, com 12, em Vila Rica, com cinco envolvidos, em Santo Antônio do Leverger, com quatro, e Paranaíta, com oito. Além destas, também ocorreram ações em 2015, em Sorriso, com quatro trabalhadores, e em Paranatinga, com um envolvido. 

Os proprietários que aparecem na lista são: Antônio Carlos Zanin, Carlos Alberto Lopes, Clayton Grassioto, Hélio Cavalcanti Garcia, J.M Armazéns Gerais, João Fidelis Neto, Lucas Willian Frares, Natal Bragatti, Pedro Gomes Filho, e Terra Viva Carvão e Reflorestamento. Confira a íntegra da lista aqui

 

 

Fonte: Agro Olhar

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